Ralis no limite: críticas dos pilotos forçam mudanças no WRC
O desgaste extremo vivido pelas equipas do Mundial de Ralis ao longo das últimas temporadas atingiu um novo pico no Rali de Portugal de 2025, com etapas extenuantes de mais de 14 horas ao volante. As críticas generalizadas dos pilotos forçaram, finalmente, a FIA e o promotor do WRC a reconhecerem o problema e a preparar mudanças concretas no formato das provas, com vista à implementação de um calendário mais equilibrado e sustentável a partir de 2026.
A exaustão acumulada dos pilotos do WRC ao longo das temporadas levou a um grito de alerta: jornadas demasiado longas e quilometragens excessivas estão a comprometer o desempenho, a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos.
As críticas, que se intensificaram após o Rali de Portugal, onde os concorrentes enfrentaram dias com mais de 14 horas ao volante, obrigaram a FIA e o promotor do campeonato a reagir. Estão agora em cima da mesa propostas para reformular os formatos dos ralis, visando tornar os calendários mais equilibrados e sustentáveis a partir de 2026.
Em setembro de 2023, já os pilotos do WRC pediam ralis mais curtos e com menos ligações. Queixavam-se do excesso de quilómetros de ligação e da duração excessiva das etapas, que geram grande cansaço para todos os envolvidos — desde as equipas técnicas até aos próprios concorrentes.
Em fevereiro deste ano, a FIA revelou pretender formatos para o WRC que melhorem a relação trabalho/descanso, para as equipas e todos os envolvidos no campeonato. Algumas das principais alterações planeadas incluíam a diversificação dos formatos dos ralis, e para isso estava a ser pensada a discussão e definição de um quadro, a aplicar a partir de 2026.
No final do primeiro dia do Rali de Portugal, muitos pilotos a criticarem a etapa excessivamente longa, tanto os estrangeiros como alguns portugueses. Os pilotos do WRC foram os mais veementes, referindo, geralmente, que não é aceitável passarem 14 horas ao volante dos seus carros numa sexta-feira em que percorreram 683 km, dos quais 146 km foram troços cronometrados, tudo isto com pouquíssimas pausas.
Referem que tudo isto tem impacto não só no desempenho, mas também no público, pois, além do desgaste físico, a agenda afeta o contacto com os fãs, já que os pilotos estavam exaustos nos pontos de reagrupamento.
Todas estas críticas ao Rali de Portugal levam o Promotor do WRC e FIA a assegurar que vão atuar relativamente a estes assuntos. Como se sabe, Kalle Rovanpera afirmou que o calendário representava um risco para a segurança das equipas, enquanto Sebastien Ogier admitiu que esta foi uma das provas mais exigentes fisicamente da sua carreira.
Por tudo isto o Promotor e a FIA vão atuar: “O itinerário do Vodafone Rally de Portugal 2025 foi concebido para criar um desafio único dentro da época do WRC de 2025 – e com certeza que o conseguiu. Mas também acreditamos que é provável que tenha atingido alguns limites para a duração de dias consecutivos que podem ser sustentados.
“É por esta razão que a FIA e a WRC Promoter elaboraram algumas diretrizes para os limites de horas de trabalho para as pessoas que trabalham nas equipas e na organização do evento.
“Estas orientações estão a ser analisadas por todos os grupos de partes interessadas e esperamos chegar a um quadro regulamentar que tenha em conta todos os requisitos nos próximos meses”, lê-se num comunicado do Promotor do WRC.
Como se percebe, pelos vistos a etapa de sexta-feira do Rali de Portugal, foi a gota de água.
Tal como referimos anteriormente, o assunto anda a ser falado há muito, mas até aqui pouco ou nada tinha sido feito. Mas ao que parece, agora é de vez…
A própria FIA explicou o porquê deste ‘excesso’. Recordando o que já escrevemos, em 2019, o rali foi para a zona centro, com duplas passagens pela Lousã, Arganil e Góis. Em 2021, entrou o troço de Mortágua, que não causou grande impacto, mas em 2024 Mortágua passou a ter duas passagens, e este ano essas duas passagens mantiveram-se, com a adição de Águeda/Sever e Sever/Albergaria. No ano passado não houve quaisquer queixas, enquanto este ano foi o que se vê…
A FIA refere o lógico, a adição de mais dois troços de Águeda/Sever e Sever/Albergaria, foi para ir buscar mais dinheiro: “O itinerário incluiu dois novos troços este ano, o que fez com que a sexta-feira fosse um dia mais longo do que o habitual para todos”, disse o delegado desportivo da FIA, Timo Rautiainen, no documento de revisão do rali da FIA. “Mas é algo que tem de ser feito em Portugal, porque há uma dependência de incluir o maior número possível de municípios no percurso para apoiar o rali e torná-lo realidade. Uma sexta-feira gigantesca foi uma abertura forte para o rali e mantivemos todas as equipas P1 em prova, exceto uma. A equipa que se retirou deveu-se a um infeliz problema mecânico que pode ocorrer em qualquer rali. Também esperamos que os organizadores do evento renovem os seus percursos e, embora não seja uma regra, é sempre bom que pelo menos 20% do percurso seja renovado anualmente. É claro que não queremos incluir um dia tão longo como sexta-feira em todas as rondas do campeonato, mas um dia como este em Portugal pode funcionar.”
Depois de anos de alertas ignorados, a etapa de sexta-feira do Rali de Portugal serviu de ponto de rutura. A pressão acumulada dos pilotos e das equipas parece ter surtido efeito, obrigando a FIA e o promotor do WRC a agir. Embora as exigências logísticas e financeiras continuem a ditar escolhas difíceis, há finalmente sinais de que o equilíbrio entre espetáculo, segurança e condições de trabalho poderá deixar de ser apenas uma promessa — e tornar-se uma prioridade real para o futuro do campeonato.
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F1 FOR FUN
19 Maio, 2025 at 17:43
Para a TV o ideal são especiais curtas em que estejam no máximo 3 carros no troço, para não acabarmos com os melhores a só terem 3 minutos de TV em especiais de mais de 20 km. Perder tempo de emissão com cromos, fazem-me perder a vontade de ver as especiais todas em directo e esperar pelas onboards e ver tudo em diferido algumas horas depois. O WRC caminha para a sua morte em termos de TV (caríssimo e má qualidade), só está vivo porque é de borla para assistir ao vivo.
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19 Maio, 2025 at 18:01
Eu compreendo os pilotos. Mas não nos esqueçamos, das etapas do Raly de Portugal. Com as rondas de Sintra e a deslocação para Norte com PEC bem longas e chegadas a Póvoa de Varzim, por volta da Meia Noite. Mudam-se os tempos muda-se a vontade.
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19 Maio, 2025 at 18:59
Realmente os tempos são de facto outros!!
Manuel Moita
19 Maio, 2025 at 19:41
Verdade saída do Estoril às 9 da Manhã e chegada ao Porto ou a, Póvoa às 2 e 3 da Manhã mas com assistências na Estrada e não os Pilotos a Guiar e também a fazer de Mecânicos uma Aberração quando por Exemplo a, Hynday gasta Melhores com a, sua Oficina
jose melo
19 Maio, 2025 at 18:02
Claro que o obetivo é o dinheiro. A FIA provavelmente não tem noção do lucro que este rallye dá à Organização.
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19 Maio, 2025 at 19:01
Eu já expressei a minha opinião em relação a isto noutro post… (Já não se fazem homens como antigamente)
P’los vistos resta conformar…
Manuel Moita
19 Maio, 2025 at 19:35
Mudem O tipo de Estar concentrado num só Lugar o Serviço Park façam 3 Mais Pequenos no finais de Etapas o que poupa ligações estúpidas concentrem os, Ralis em 2 Zonas como já, se fez no passado e vergonhoso ver 1 Equipa com 1 Hotel com os Carros fechados parece que teem medo dos Adeptos com esse dinheiro podiam ter as, tais 3 Mini Estruturas e ter também 3 ou 4 Zonas Remotas de Asditencia com uma Carrinha e 4 Mecânicos por Equipa no lugar de ver os Pilotos afazer de Mecânico coisa Vergonhosa gostava de Ver o Hamilton sair do Ferrari e ter que mudar os, Pneus teem gente muito Rasca, afrente da FIA e já não é de Agora já vem do tempo do Napoleão
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19 Maio, 2025 at 22:10
Em primeiro lugar parabéns a todos sem exceção; ACP, pilotos, adeptos, Autoridades, Municípios, comunicação Social, entre outros. De facto não podemos comparar o WRC do antigamente, com os tempos das ultimas duas décadas… Efetivamente não faz sentido nenhum para os pilotos do WRC, a etapa de 6ªf, o WRC, não é o Dakar…Precisamos de boas classificativas e parques de assistência onde os pilotos tenham contacto com os adeptos, sem estarem a fazer de mecânicos, não é aceitável termos pilotos no final das exigentes classificativas estarem a trocar pneus e fazerem outro tipo de intervenções mecânicas, não demora muito estão a trocar caixas de velocidades… o lugar deles é junto dos adeptos nestes pequenos parques de assistência. Por estes e outros motivos, os pilotos do WRC hoje em dia com exceção dos mais vitoriosos, o comum adepto nem o nome deles sabe.. todos nós nos recordamos que antigamente os pilotos gozavam de outro tipo de notoriedade, os comuns mortais das diversas aldeias por onde passava o Rali, sabiam o nome dos diversos pilotos das equipas oficiais e os melhores nacionais… hoje em dia nem a “cara deles se conhece…” Um desporto com uma enorme espetacularidade, que proporciona momentos fantásticos entre amigos, mas que carece urgentemente de mudanças…
Nrpm
20 Maio, 2025 at 1:32
Uma ‘guerra’ desnecessária por desacerto.
1. Ninguém tem interesse em ver os pilotos a serem mecânicos, acabe-se com esse disparate (de facto dificilmente se pode pedir aos mecânicos para ser também pilotos)
2. Voltem ao formato mais linear das provas, em vez de tudo concentrado num local e andar para lá e para cá sem sentido prático.
3. Assistências reduzidas ‘volante’ – á moda antiga’- em locais variados, dá mais suporte aos carros e pilotos, reforça a segurança e a competitividade e aumenta o contacto com o público.
4. Refaçam a quilometragem por etapa e equilibrem a percentagem de competição e ligações.
Pouca competição e muita estrada é inútil.
Se continuarem neste programa e mentalidade Grand-prix, os rallies vão definhar e decair.
Quanto aos pilotos também tem de convir que têm esforço, mas muita compensação. Em outros tempos muitos não pensavam duas vezes, até quase de borla alinhavam… queriam era boas equipas e mecánicos e bons carros.
Pedro
20 Maio, 2025 at 9:41
Direção assistida, fabulosas suspensões, altas preparações físicas, massagistas, grandes ordenados e ainda se queixam? E quando não havia nada disto e os carros eram muito mais duros de conduzir? Como aguentavam esses homens ralis muito mais duros e longos, sem se queixarem, apenas felizes por serem pilotos de rali? É certo que o número de provas anual era substancialmente menor e talvez seja por aí que as coisas tenham de mudar, mas quando vejo um dos pilotos mais novos – Rovanpera – a queixar-se do tempo ao volante na segunda etapa, só me apetece dizer: queixinhas…
jose melo
20 Maio, 2025 at 10:24
Provavelmente o pai do Rovanpera nunca lhe explicou como era antigamente. Desde logo o tempo de treinos quando faziam dezenas e dezenas de passagens pelos mesmos troços. Ainda “tive o prazer” de arranjar um trator para tirar o carro do pai dele num buraco em Fafe mas nunca se queixavam. Na verdade também tinham tempo para comer e beber bem durante os treinos. E às vezes ir à discoteca. Creio que o maior problema é o excesso de provas, a que se juntam muitos dias de testes que nós nem sabemos. Como alguns já disseram são muitos kms de estrada vs kms de competição. Provavelmente algumas das classificativas até podiam ser aumentadas em kms e concentravam mais, mas como é mais importante abranger o maior número de Câmaras (leia-se dinheiro) aumenta-se antes os kms de estrada. E isso é que incomoda os pilotos, não são os kms das pec´s. Por outro lado e por incrível que pareça, mas é a realidade, em Portugal temos um problema gigante: o excesso de público. E por isso com as novas regras das ZE´s é como uma prisão e fica-se num local para ver duas passagens, pois dificilmente se consegue fazer como antigamente. Quando tudo era livre era possível ver quase todas as classificativas (só os primeiros carros claro), sendo certo que também se cometiam excessos, e reconheço que havia muita falta de segurança. Mas fomos do 8 para o 80.
JAM3
20 Maio, 2025 at 13:00
Alguns destes pilotos ainda nem sequer eram nascidos quando o Rally de Portugal tinha uma longuíssima 1ª etapa e era disputado em 4 intensos dias “a sério”, de dia e de noite, em asfalto e terra (com mudança de suspensões da 1ª p/ a 2ª etapa), com 40 PECs e em que muitas chegavam a ter mais de 30, 40 ou mesmo os célebres 56Kms de Arganil (feitos por 2x).
Acompanhei muitos ao vivo e a cores e não tenho memória de alguém se queixar de “cansaço”, fazendo muitíssimo mais quilómetros e horas ao volante. O número de PECs que conseguia ver na altura é quase o total da prova atual…
É óbvio que os tempos mudam (e devem mudar) mas, o WRC, hoje em dia, é mais para… “meninos”, de uma geração que se cansa com muita facilidade até.
Olha se a moda chega ao Dakar (que também já é muito mais suave, fruto das circunstâncias)…