Os túneis de vento da F1 são vigiados e a FIA é o ‘Big Brother’…

Por a 17 Dezembro 2023 11:46

Há quase uma década, visitámos a fábrica da Mercedes AMG Pertronas F1 em Brackley, e entre muitas outras coisas, houve um detalhe que nos fez aguçar bastante a curiosidade. Numa sala cheia de computadores e monitores, onde se controlava o túnel de vento, estava um enorme cronómetro, parado, na altura, que me levou à questão: Para que servia? Simples. Já na altura a FIA controlava tudo o que ali se passava com o seu ‘big brother’ e o cronómetro mostrava quanto tempo o túnel de vento era utilizado.

Fomos espreitá-lo, estava, naturalmente, parado na altura. Imponente, ‘escondido’ nas profundezas da fábrica, são nestes máquinas multimilionárias em que as equipas testam a aerodinâmica dos seus carros e definem muito do que será a sua temporada de F1. Para o bem e para o mal. De 2014 a 2020, ali, foi muito para o bem, em 2021, a Mercedes perdeu, mas não porque tinha um mau carro, mas em 2022 e 2023 foi o túnel de vento de Milton Keynes que levou a melhor….

É uma enorme ventoinha que sopra ar a alta velocidade sobre um modelo em pequena escala – normalmente 60% – e são recolhidos dados sobre a força descendente e a resistência. As equipas podem aprender como é que o carro real em tamanho real se irá comportar em pista.

Como parte das medidas para criar uma competição mais equilibrada, o tempo que as equipas de F1 podem passar a utilizar os seus túneis de vento é restrito e regulamentado. Não era assim em 2014, ebora tenha havido fortes mudanças nesse ano, mas agora as equipas que terminam no fundo do Campeonato de Construtores de 2023 têm direito a mais tempo de túnel do que as que terminam no topo. Se usarem bem esse tempo adicional, podem aproximar-se da frente, e com isso reduzir a margem.

É como se no futebol a equipa campeã tivesse menos horas de treinos que as que ficaram mais atrás na tabela. Hum…, talvez no futebol fosse mais fácil fazer como na F1, tetos orçamentais. Mas isso é outra conversa, que não é para aqui chamada agora…

O Diretor Técnico da Alpine, Matt Harman, explica como os reguladores do desporto controlam a utilização dos túneis de vento: “É policiado pela FIA e eles fazem um ótimo trabalho”, disse ele. “Temos vários sistemas. Eles vêm, inspecionam e veem o que estamos a fazer”.

“Também há câmaras de CCTV em todos os túneis e eles têm acesso a elas. É da nossa responsabilidade, enquanto pessoas de bem, fazer o que está correto. Mas também há algumas auditorias efetuadas pela FIA e eles fazem um excelente trabalho”.

As regras da F1 em 2014 sofreram uma enorme mudança e entre elas também o trabalho no túnel de vento e a utilização de sistemas CFD (Computational Fluid Dynamics), com os limites de utilização reduzidos quase a um terço. Resumidamente, às equipas era nessa altura apenas permitida uma utilização regulada do túnel de vento, definida em horas de utilização das ventoinhas acima de uma determinada velocidade, enquanto o CFD era medido através de quantidade de teraflops de informação gerada no processamento de um modelo.

As regras anteriores permitiam 60 horas de túnel de vento e 40 teraflops, que passaram para 30 horas e 30 teraflops, portanto muito menos tempo. Agora ainda é menos…

Portanto, as equipas têm de ser mais eficientes pois os desafios renovaram-se todos os anos. Basicamente o trabalho no túnel de vento está imediatamente antes da passagem das peças para a pista. Tudo começa no desenho computadorizado, depois passa para o CFD, vai ao túnel de vento e finalmente os pilotos testam as novas peças em pista. Em condições normais, uma nova peça, desde o design demora 20 dias a chegar à pista. A FIA obriga a gravação, sendo registadas imagens dos ecrãs de dados a cada minuto. De referir por exemplo que o funcionamento do túnel de vento com o monolugar sem asas não é contabilizado, cada computador utilizado na gestão do sistema é nomeado, de modo a que a informação possa ser analisada. Quando passámos em 2014 no túnel de vento, o ecrã registava 24h00.68s de ‘fan time’, sendo que só uma ínfima parte desse tempo conta para o ‘totobola’ da FIA.

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