Fórmula 1: 10 lições de Miami

Por a 9 Maio 2022 17:31

Por Pedro André Mendes e Fábio Mendes

Foram muitos os motivos de destaque em Miami, quinta prova do campeonato do mundo de Fórmula 1. Escolhemos 10 pontos de interesse do primeiro fim de semana de Fórmula 1 em Miami.

Red Bull está por cima da Ferrari

Depois do GP da Austrália a Red Bull recuperou terreno face à Ferrari, com as atualizações para o RB18 a produzir bons resultados. Ainda apresentam algumas questões de fiabilidade e a próxima corrida servirá, ao que tudo indica, para aferir se a Ferrari consegue recuperar com as atualizações. 

Quando se tratou de gerir pneus, a Red Bull foi melhor em Miami.

Max Verstappen está em forma e recomenda-se, Sergio Pérez traz pontos importantes e a equipa tem-se esmerado nas atualizações. Resta perceber se a Red Bull não está a queimar cartuchos demasiado cedo com um desenvolvimento agressivo do carro numa fase inicial, ficando depois sem argumentos (orçamento) para responder à Ferrari (se for caso disso) no fim da época. Mas para já, a Red Bull parece a referência. Barcelona pode mudar o cenário.

Ferrari precisa de atualizações 

A Ferrari preferiu aguardar pelo GP de Espanha, ao que tudo indica, para apresentar um pacote de atualizações para o F1-75 e bem precisa. Depois de ter sido batida em Imola, voltou a acontece isso em Miami, quando a Red Bull até começou em pior forma, com menos tempo de pista na sexta-feira. A janela de otimização dos pneus parece ser mais curta e difícil de gerir do que acontece no já atualizado Red Bull RB18. Para além de perderem na velocidade de ponta. O que pode estar a acontecer é que a solução do “porpoising” encontrada pela Ferrari, retira alguma velocidade ao carro, para além de em Miami, os pilotos da Red Bull terem conseguido ser tão rápidos em curva como os adversários, devendo-se isso às atualizações no RB18. 

Em Barcelona a pista é bem conhecida das equipas e podem focar-se nos dados retirados dos novos componentes, por isso veremos o que acontece na próxima prova. 

Mercedes ainda tem muito trabalho

Na sexta-feira a Mercedes parecia ter encontrado parte da solução para os seus problemas no W13 com algumas atualizações, no entanto no sábado tudo descambou. Os pilotos não tinham confiança no carro que saltitava em várias zonas do traçado de Miami. A equipa desconhece o que aconteceu na sexta-feira para ter sido um bom dia de trabalho e pior, não percebem como é que pequenas mudanças no setup alteraram por completo o desempenho do carro. 

Podem estar mais próximos de dar um passo em frente, mas ainda há muito para analisar em Brackley. 

Foi um erro Alex Albon ficar sem lugar em 2021

Parece agora claro que Alexander Albon fez falta à Fórmula 1. A classe rainha do automobilismo deu-se ao luxo de não ter um lugar em 10 equipas para um piloto que depois de um ano afastado, conquista 3 pontos com um dos carros mais fracos do pelotão em 5 corridas. 

A grande questão é que este quadro não é novo e vai continuar a acontecer. A Fórmula 1 não é apenas para ver quem tem o melhor carro, mas sim quem consegue tirar o melhor partido daquilo que tem nas mãos e se sabe adequar a cada tipo de pista, carro e corrida. 

Quem continua a ficar mal na fotografia é Nicholas Latifi, que na Fórmula 1 atual, tão lesta a descartar pilotos sem lhes dar tempo, não consegue dar um passo em frente. 

Alpine tem um bom carro

Fernando Alonso sabe-o e Esteban Ocon demonstrou-o em Miami. O espanhol voltou a não terminar entre os pontos, mas o seu companheiro de equipa, ainda com marcas do acidente do dia anterior, com um carro construído na box da equipa durante a noite sem uma das principais atualizações – o fundo estreado em Imola – conseguiu, juntamente com uma boa estratégia da equipa, ir dos últimos lugares para terminar no oitavo posto, somando pontos quando estes pareciam impossíveis. 

Juntamente com o Alfa Romeo C42, o Alpine A522 é um bom monolugar que pode estar na luta pela melhor posição do “segundo pelotão”.

Miami não justificou o “Hype”

É uma opinião pessoal, mas o GP de Miami foi uma desilusão. Ficou a ideia que era a “prima brega” do Mónaco, quando se quis passar a ideia de que podia ser uma alternativa à prova do principado. O traçado não convenceu, isto esquecendo os problemas típicos de uma primeira receção à F1 que são, em parte, desculpáveis. No entanto ficou a ideia, tal como em Jidá, que algumas coisas foram apressadas, o que levou a erros, erros esses que talvez tivessem menos tolerância noutros contextos. Esperava-se mais.

Esta é a nova F1 que a Liberty quer

O que vimos em Miami pode ser um vislumbre das exigências da F1 no futuro. Quando a Liberty Media disse que queria 22 ou 23 Super Bowls, era isto que eles tinham em mente. A quantidade de estrelas à volta do evento foi assombrosa, a festa foi de arromba e a corrida quase pareceu um pormenor no fim de semana. É uma forma diferente de ver e fazer a F1, mas que pode dar dores de cabeça aos promotores dos eventos. A fasquia foi colocada alta.

Todas as equipas aguardam ansiosamente por Barcelona

Notou-se que as equipas aguardam ansiosamente por Barcelona. Não porque seja uma pista entusiasmante, que dá grandes corridas, mas sim porque os grandes pacotes de melhorias serão introduzidas. Há muita expetativa para ver se em Barcelona teremos uma nova ordem no pelotão. Não é expectável, mas há equipas que podem dar um salto qualitativo maior que outras e mudar um pouco o cenário. O discurso no fim da corrida de Miami apontava para isso mesmo. Barcelona pode ser uma das paragens mais importantes do ano.

Hamilton deu um primeiro passo rumo à recuperação

Foi talvez o primeiro sinal positivo de Lewis Hamilton em 2022. Uma época dura, com um carro difícil de guiar, mas Hamilton mostrou mais competitividade em Miami. Ficou atrás de George Russell, mas a estratégia não sorriu ao heptacampeão. Em ritmo puro, já vimos mais um pouco de Hamilton. Primeiro sinal de recuperação. Provavelmente.

A questão das joias e da roupa interior começa a tornar-se ridícula

A questão do uso de joias e de roupa interior homologada para o efeito começa a entrar no campo do ridículo. Sebastian Vettel apareceu com os boxers por cima do fato de competição e Lewis Hamilton apareceu carregado de joias e relógios na conferência de imprensa. Um finca-pé desnecessário. Tratam-se de medidas de segurança que, apesar de não agradarem, fazem sentido. Hamilton admitiu que tem um piercing que não sai facilmente. E se tem um acidente que exige uma ressonância que não pode ser executada por causa da peça de metal? Corta-se o pedaço de carne? Não se faz a ressonância. Pode parecer (e em parte é) um confronto de forças, a FIA contra os pilotos. Mas não se vislumbra grandes diferenças entre esta questão e a do uso do Halo por exemplo. Hamilton foi dos primeiros a dizer que não gostava e que se pudesse não tinha o Halo no seu carro. No ano passado, o mesmo Halo valeu-lhe sair ileso do acidente de Monza. Há coisas mais importantes a tratar no desporto, mas as regras são para cumprir.

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6 comentários

  1. F1_4ever

    9 Maio, 2022 at 18:20

    Afinal eu tinha razão quando disse que o Sir tinha piercings ou argolas nos genitais. Além ter sido criticado por outro forista levei como é obvio uma chuva de negativos. E agora surgiu a confirmação de que um das sua joias está mesmo num sítio íntimo como podem ler aqui: http://sportmotores.com/portal/!site.go?s=332000000&p=.20055&id=63259

    • Lagafe

      10 Maio, 2022 at 14:48

      O conceito íntimo é relativo. Pode ser nos ânus ou nos mamilos. Realmente não importa. E os comentários do Autosport também são ridículos. Esses pilotos não chegaram agora à F1. Adoro o formalismo de alguns de aceitar uma aliança mas não um piercing.

  2. Daniel Sousa

    9 Maio, 2022 at 18:25

    Obrigado pelo artigo. Concordo com absolutamente tudo.
    Cumprimentos

  3. Lisboa

    9 Maio, 2022 at 19:31

    Sim, o Latifi está CLARAMENTE a mais nesta F1, mas não é o único que está MUITO abaixo do seu colega de equipa.

    Não vou perder muito tempo com o Stroll, pois esse tem lugar cativo na F1, até mais que o Max e o Leclerc.

    Temos também o chinês da Alfa. O Bottas, que para muitos era mau, fraco, tem sido muito superior ao colega de equipa. Este ano não há desculpa com o carro, pois dá para ver que o Alfa é competitivo, muitas vezes à altura dos Mercedes.

    Em falar em não ter desculpas com o carro este ano, junto aqui mais um nome, o do Schumacher. Lamento, o pai era extraordinário, mas a simpatia ou idolatração ao pai, não pode toldar o facto do filho não ter unhas para a F1. Muito lento e errático.

    Por falar em lento, falo do super mega talentoso (apenas aos olhos de 90% dos especialistas deste espaço) Daniel Colgate, o tapete do Norris. O australiano está lento e longe do colega de equipa que mete medo. Mas pronto, este de sorriso em sorriso, de palhaçada em palhaçada, consegue ir disfarçando as péssimas exibições na McLaren.

    Vejo muito malta a dizer que o Hamilton, com 7 títulos, está acabado, mas não os vejo a dizer mal do canguru Colgate. Se o inglês está “acabado”, o que dizer do australiano?

    • NOTEAM1 NOTEAM1

      10 Maio, 2022 at 8:53

      Não é verdade que não se critica o Hamilton.
      Não é verdade que não se critica o Ricciardo
      Nao é verdade que não se critica o Zhou.
      Se estiver atento ao que realmente se passa na F1, vai perceber que o Mick tem evoluído muito bem e tem estado mais próximo do Magnussen, por essa razão talvez seja melhor esperar as próximas corridas para se fazer uma análise mais justa.

  4. simiao jms

    10 Maio, 2022 at 15:00

    Barcelona vai ser a referência daqui em diante… Já ninguém fala do “Vettell”!…. …. Não está na Ferrari!…. Agora o alvo é o Sainz….

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