Por Pedro André Mendes e Fábio Mendes
Foram muitos os motivos de destaque em Miami, quinta prova do campeonato do mundo de Fórmula 1. Escolhemos 10 pontos de interesse do primeiro fim de semana de Fórmula 1 em Miami.
Red Bull está por cima da Ferrari
Depois do GP da Austrália a Red Bull recuperou terreno face à Ferrari, com as atualizações para o RB18 a produzir bons resultados. Ainda apresentam algumas questões de fiabilidade e a próxima corrida servirá, ao que tudo indica, para aferir se a Ferrari consegue recuperar com as atualizações.
Quando se tratou de gerir pneus, a Red Bull foi melhor em Miami.
Max Verstappen está em forma e recomenda-se, Sergio Pérez traz pontos importantes e a equipa tem-se esmerado nas atualizações. Resta perceber se a Red Bull não está a queimar cartuchos demasiado cedo com um desenvolvimento agressivo do carro numa fase inicial, ficando depois sem argumentos (orçamento) para responder à Ferrari (se for caso disso) no fim da época. Mas para já, a Red Bull parece a referência. Barcelona pode mudar o cenário.
Ferrari precisa de atualizações
A Ferrari preferiu aguardar pelo GP de Espanha, ao que tudo indica, para apresentar um pacote de atualizações para o F1-75 e bem precisa. Depois de ter sido batida em Imola, voltou a acontece isso em Miami, quando a Red Bull até começou em pior forma, com menos tempo de pista na sexta-feira. A janela de otimização dos pneus parece ser mais curta e difícil de gerir do que acontece no já atualizado Red Bull RB18. Para além de perderem na velocidade de ponta. O que pode estar a acontecer é que a solução do “porpoising” encontrada pela Ferrari, retira alguma velocidade ao carro, para além de em Miami, os pilotos da Red Bull terem conseguido ser tão rápidos em curva como os adversários, devendo-se isso às atualizações no RB18.
Em Barcelona a pista é bem conhecida das equipas e podem focar-se nos dados retirados dos novos componentes, por isso veremos o que acontece na próxima prova.
Mercedes ainda tem muito trabalho
Na sexta-feira a Mercedes parecia ter encontrado parte da solução para os seus problemas no W13 com algumas atualizações, no entanto no sábado tudo descambou. Os pilotos não tinham confiança no carro que saltitava em várias zonas do traçado de Miami. A equipa desconhece o que aconteceu na sexta-feira para ter sido um bom dia de trabalho e pior, não percebem como é que pequenas mudanças no setup alteraram por completo o desempenho do carro.
Podem estar mais próximos de dar um passo em frente, mas ainda há muito para analisar em Brackley.
Foi um erro Alex Albon ficar sem lugar em 2021
Parece agora claro que Alexander Albon fez falta à Fórmula 1. A classe rainha do automobilismo deu-se ao luxo de não ter um lugar em 10 equipas para um piloto que depois de um ano afastado, conquista 3 pontos com um dos carros mais fracos do pelotão em 5 corridas.
A grande questão é que este quadro não é novo e vai continuar a acontecer. A Fórmula 1 não é apenas para ver quem tem o melhor carro, mas sim quem consegue tirar o melhor partido daquilo que tem nas mãos e se sabe adequar a cada tipo de pista, carro e corrida.
Quem continua a ficar mal na fotografia é Nicholas Latifi, que na Fórmula 1 atual, tão lesta a descartar pilotos sem lhes dar tempo, não consegue dar um passo em frente.
Alpine tem um bom carro
Fernando Alonso sabe-o e Esteban Ocon demonstrou-o em Miami. O espanhol voltou a não terminar entre os pontos, mas o seu companheiro de equipa, ainda com marcas do acidente do dia anterior, com um carro construído na box da equipa durante a noite sem uma das principais atualizações – o fundo estreado em Imola – conseguiu, juntamente com uma boa estratégia da equipa, ir dos últimos lugares para terminar no oitavo posto, somando pontos quando estes pareciam impossíveis.
Juntamente com o Alfa Romeo C42, o Alpine A522 é um bom monolugar que pode estar na luta pela melhor posição do “segundo pelotão”.
Miami não justificou o “Hype”
É uma opinião pessoal, mas o GP de Miami foi uma desilusão. Ficou a ideia que era a “prima brega” do Mónaco, quando se quis passar a ideia de que podia ser uma alternativa à prova do principado. O traçado não convenceu, isto esquecendo os problemas típicos de uma primeira receção à F1 que são, em parte, desculpáveis. No entanto ficou a ideia, tal como em Jidá, que algumas coisas foram apressadas, o que levou a erros, erros esses que talvez tivessem menos tolerância noutros contextos. Esperava-se mais.
Esta é a nova F1 que a Liberty quer
O que vimos em Miami pode ser um vislumbre das exigências da F1 no futuro. Quando a Liberty Media disse que queria 22 ou 23 Super Bowls, era isto que eles tinham em mente. A quantidade de estrelas à volta do evento foi assombrosa, a festa foi de arromba e a corrida quase pareceu um pormenor no fim de semana. É uma forma diferente de ver e fazer a F1, mas que pode dar dores de cabeça aos promotores dos eventos. A fasquia foi colocada alta.
Todas as equipas aguardam ansiosamente por Barcelona
Notou-se que as equipas aguardam ansiosamente por Barcelona. Não porque seja uma pista entusiasmante, que dá grandes corridas, mas sim porque os grandes pacotes de melhorias serão introduzidas. Há muita expetativa para ver se em Barcelona teremos uma nova ordem no pelotão. Não é expectável, mas há equipas que podem dar um salto qualitativo maior que outras e mudar um pouco o cenário. O discurso no fim da corrida de Miami apontava para isso mesmo. Barcelona pode ser uma das paragens mais importantes do ano.
Hamilton deu um primeiro passo rumo à recuperação
Foi talvez o primeiro sinal positivo de Lewis Hamilton em 2022. Uma época dura, com um carro difícil de guiar, mas Hamilton mostrou mais competitividade em Miami. Ficou atrás de George Russell, mas a estratégia não sorriu ao heptacampeão. Em ritmo puro, já vimos mais um pouco de Hamilton. Primeiro sinal de recuperação. Provavelmente.
A questão das joias e da roupa interior começa a tornar-se ridícula
A questão do uso de joias e de roupa interior homologada para o efeito começa a entrar no campo do ridículo. Sebastian Vettel apareceu com os boxers por cima do fato de competição e Lewis Hamilton apareceu carregado de joias e relógios na conferência de imprensa. Um finca-pé desnecessário. Tratam-se de medidas de segurança que, apesar de não agradarem, fazem sentido. Hamilton admitiu que tem um piercing que não sai facilmente. E se tem um acidente que exige uma ressonância que não pode ser executada por causa da peça de metal? Corta-se o pedaço de carne? Não se faz a ressonância. Pode parecer (e em parte é) um confronto de forças, a FIA contra os pilotos. Mas não se vislumbra grandes diferenças entre esta questão e a do uso do Halo por exemplo. Hamilton foi dos primeiros a dizer que não gostava e que se pudesse não tinha o Halo no seu carro. No ano passado, o mesmo Halo valeu-lhe sair ileso do acidente de Monza. Há coisas mais importantes a tratar no desporto, mas as regras são para cumprir.











