Muitas foram as equipas ‘oficiais’ portuguesas que competiram em Portugal, e talvez só o abandono da Renault tenha tido impacto semelhante a este epílogo da Peugeot. Entre projetos oficiais e semi oficiais, recorde alguns, desde a Citroen, a pioneira, à Salvador Caetano (Toyota), Seat (2000), Toyota (2001), Ford (2002), Fiat (2003), Citroën (2004), Skoda (2004), Renault (2006), Mitsubishi (2006) e Peugeot, este ano.
Marcas que o tempo não apaga
Quatro décadas depois de receberem as primeiras participações oficiais, os ralis nacionais ficaram órfãos das marcas. Uma má notícia para a modalidade, apesar de algumas das melhores épocas até terem sido um exclusivo de projetos privados, a verdade é que ninguém deve escamotear a importância das marcas no automobilismo, por tudo o que acrescentam ao nível de competivividade, credibilidade e mediatismo. Em 1985, a Renault tornou-se o primeiro construtor a conquistar um campeonato a nível oficial, enquanto Fernando Peres, em 1996, foi o último dos privados a sagrar-se campeão, antes de Bernardo Sousa em 2010 e Ricardo Moura, este ano, fazerem o mesmo. Marcas como a Citroën, Fiat, Ford, Mitsubishi, Renault, Seat e Toyota estão intimamente associadas à história dos ralis nacionais, e dessas, destacamos quatro importantes momentos…
Citroën: a pioneira
Em finais dos anos 60, princípios dos anos 70, a Citroën foi a primeira marca oficial nos ralis, com Francisco Romãozinho aos comandos do Citroën DS, vulgarmente conhecido por “boca de sapo”. Quadro superior na marca, o piloto foi o mentor de vários projectos, nomeadamente com o modelo GS e, nos anos 80, já com o Visa, sendo que o departamento de competição mais não era do que uma secção nas instalações da marca, na rua Rodrigo da Fonseca, em Lisboa. Ainda nos anos 70, referência para projectos quase oficiais, como o da Fiat Torralta e Tofa/GM.
Salvador Caetano inovou nos anos 80
Nos anos 80, as marcas debatiam-se com o problema da contingentação das viaturas que podiam comercializar, daí que a competição estivesse longe de ser vista como ferramenta de marketing. Na época, havia apoios visíveis, como o da Datsun/Nissan a Santinho Mendes, mas foi a Salvador Caetano, em 1982, que criou um verdadeiro departamento de competição. Nos ralis, um Toyota Starlet era confiado a Jorge Ortigão e, na velocidade, o mesmo modelo preparado para o Agrupamento B1, dominava os circuitos e as rampas, com Manuel Fernandes e Joaquim Moutinho, como pilotos…
Renault: o primeiro projeto vitorioso
Curiosamente, dois anos mais tarde, em 1984, Joaquim Moutinho foi contratado pela Renault para os ralis, naquele que foi o primeiro projeto oficial assumidamente candidato ao título. Numa época em que os Ford Escort impunham a sua lei, nomeadamente o da Diabolique de Joaquim Santos, o Renault 5 Turbo só não se sagrou campeão no ano de estreia da equipa, porque uma armadilha de pregos, na última prova do calendário, disputada no Algarve, o obrigou a desistir, naquela que foi, certamente, a mais polémica temporada de sempre dos ralis nacionais. O tão ambicionado ceptro foi conquistado em 1985 e renovado em 1986, sempre com o Renault 5 Turbo. Mas apesar do fim dos grupo B no final desse ano, a marca francesa somou um terceiro título consecutivo em 1987, com o Renault 11 Turbo tripulado por Inverno Amaral.
Peugeot: a “resistente”…até 2011
Em 1996, a Peugeot constituiu a grande novidade da época de ralis, com um ambicioso projecto assente no Peugeot 306 Maxi. Até à presente temporada, a marca foi a única que se manteve ininterruptamente nos ralis, primeiro com o 306 Maxi, a que se seguiram o 207 WRC, o 206 S1600 e, nos últimos anos, o 207 S2000. Uma história de paixão, dedicação, profissionalismo, mas também de sucesso, em razão das 55 vitórias em 148 participações e dos sete títulos de pilotos e seis de marcas conquistados por Adruzilo Lopes, Miguel Campos e Bruno Magalhães.











