Quando Colin McRae trocou as ‘atravessadelas’ dos ralis pela precisão de Le Mans


Foi há 21 anos! Depois de vencer o Campeonato do Mundo de Ralis e colocar à prova às suas capacidades de pilotagem no duro terreno do Dakar, Colin McRae aceitou um convite de Frederic D’Or, que correu de Subaru com a Prodrive, durante muitos anos, um ‘gentleman driver’ que um dia desafiou McRae a correr em Le Mans.

Com o apoio do seu antigo mentor, David Richards, o escocês pilotou o Ferrari 550 Maranello preparado pela equipa britânica nas 24 Horas de Le Mans, realizando um sonho de criança.

Colin McRae estava ausente dos ralis profissionais desde o início de 2004, mas já nessa altura era frequentemente visto em eventos a dar encorajamento ao seu ‘protegido’ Kris Meeke. “Uma das vantagens de não estar ativo no campeonato do mundo de ralis é a oportunidade de acordar de manhã e poder decidir o que fazer. Nos últimos doze anos, mais ou menos, não tive esse prazer. A oportunidade de conduzir um Ferrari 550 Maranello em Le Mans veio de Frederic Dor, que eu conhecia bem através do Prodrive. Era irrecusável. Eu nunca tinha feito muitas corridas, principalmente TVR’s, carros de turismo e karts, mas tinha feito algo que a maioria dos pilotos de corrida não tinha feito, que era competir à noite. Le Mans nunca está realmente escuro, as únicas partes escuras são as retas e, de facto, era mais fácil encontrar os pontos de travagem à noite do que à luz do dia. O principal desafio foi manter a concentração. Paramos para reabastecer de hora a hora e fazemos turnos de duas horas de cada vez, e depressa me apercebi da seriedade da prova. Só no Quénia é que tinha conduzido sem parar durante mais tempo em competição, mas Le Mans exige um maior grau de concentração. Gostei muito de tudo e tivemos a satisfação de ficar em terceiro lugar, um resultado de pódio, na categoria GTS. No entanto, há uma coisa que tenho de realçar em tudo isto. No que me diz respeito, não me retirei dos ralis. Le Mans foi apenas algo que fiz no meu ano sabático…”, disse na altura.

O piloto do carro italiano número 66 completou nas 24 Horas de Le Mans mais quilómetros em pista do que a sua experiência total anterior em circuito fechado, que se resumia a um teste na Fórmula 1 e a uma prova do campeonato britânico Days Of Thunder, com ‘stock-cars’ semelhantes aos que se encontram nas ovais americanas.

McRae adaptou-se depressa à condução do carro, realizando tempos muito semelhantes aos dos seus colegas de equipa, mas não evitou alguns excessos, tendo chegado a fazer dois piões, por inexperiência em algumas situações de condução. A sua corrida também afetada por um problema de embraiagem, “perdemos oito voltas a substituir, e que foi uma das causas do meu primeiro pião, quando apanhei alguma gravilha para deixar passar um protótipo. Durante a noite, fui o único da minha equipa a fazer um turno triplo e consegui realizar tempos muito consistentes, mas depois de três horas a guiar tão bem, voltei a fazer um pião, o que me deixou um pouco chateado, porque deitei fora todo aquele trabalho”.

Um bom fim de semana para McRae, que ficou interessado em repetir a experiência, elogiando “o excelente trabalho que a Prodrive fez, foi muito fácil trabalhar com eles”, embora não encare as provas disputadas em circuito como uma alternativa de carreira, apenas gostando das 24 Horas “porque se guia mais ou menos como nos ralis, não estamos a disputar os tempos até aos milésimos de segundo”. Os seus colegas de equipa e o diretor desportivo, George Howard-Chapell, teceram rasgados elogios à performance de McRae, que consideraram “muito profissional durante esta experiência”.

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