Porsche está a celebrar a herança do desporto motorizado mexicano, a cultura e os adeptos durante o Mexico City E‑Prix, segunda ronda da temporada de Fórmula E. Para assinalar a ocasião, as duas unidades oficiais do Porsche 99X Electric alinham com uma decoração especial que presta homenagem ao icónico 550 Spyder com o qual Hans Herrmann conquistou a vitória à classe na Carrera Panamericana de 1954.
O Porsche 550 Spyder foi o primeiro modelo desenvolvido pela marca especificamente para competição, um pequeno roadster de motor central produzido entre 1953 e 1956 e pensado para aproveitar ao máximo a cilindrada de 1,5 litros. Com cerca de 550–590 kg e um quatro cilindros boxer “Fuhrmann” de aproximadamente 110 cv, o 550 ganhou fama como “giant killer”, acumulando dezenas de vitórias e pódios com uma resistência muito acima da categoria de cilindrada.
O carro que Hans Herrmann utilizou na Carrera Panamericana de 1954 (chassis 550‑04) terminou em terceiro da geral e venceu a classe até 1500 cc, percorrendo cerca de 3074 km em pouco mais de 19 horas e meia, com uma média próxima dos 156 km/h, apenas atrás de dois Ferrari 375 muito mais potentes. Esse sucesso, aliado a outros resultados em provas como a Mille Miglia, cimentou o 550 Spyder como um dos modelos mais importantes na construção da identidade desportiva da Porsche.
Today, we received the saddest possible news. 😔 Danke, Hans Herrmann! This weekend, Porsche races for you and your family. 🩶
Hans Herrmann, 1928–2026: https://t.co/owBkvVbIYZ pic.twitter.com/eZ13oni6j9
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Herrmann é uma figura central na história competitiva da Porsche, com vitórias de classe em provas de estrada como a Carrera Panamericana e a Mille Miglia ao volante do 550 Spyder, ainda na década de 1950. Ficou célebre, por exemplo, pelo episódio da Mille Miglia de 1954, em que passou com o 550 Spyder por baixo de uma cancela de passagem de nível quase fechada, uma imagem que se tornou ícone da ousadia da época.
Passou pela Fórmula 1 (Mercedes-Benz), pilotando o W196 ao lado de nomes como Juan Manuel Fangio e Karl Kling. O seu melhor resultado foi um pódio no Grande Prémio da Suíça. Um grave acidente nos treinos do GP do Mónaco de 1955 afastou-o temporariamente da competição, regressando às vitórias em provas como as 12 Horas de Sebring e as 24 Horas de Le Mans, acumulando triunfos de categoria e classificações de destaque ao volante de vários modelos da Porsche.
Herrmann ainda disputou algumas corridas de Fórmula 1 com a Maserati, BRM e Porsche, antes de abandonar definitivamente a disciplina em 1961. Após uma passagem pela Abarth em provas de montanha, regressou à Porsche em 1966, participando no desenvolvimento de protótipos cada vez mais competitivos, culminando no lendário Porsche 917.
O ponto alto da sua carreira surgiu nas 24 Horas de Le Mans de 1970, quando venceu a corrida ao lado de Richard Attwood, garantindo também à Porsche a sua primeira vitória absoluta na prova. Aos 42 anos, e depois de sobreviver a uma das épocas mais perigosas do automobilismo, Herrmann retirou-se da competição, cumprindo uma promessa feita à esposa. Herrman faleceu ontem (9 de janeiro), deixando um legado ímpar no desporto motorizado e na Porsche.
¡Viva México! 🇲🇽
Special look for a special place – and even more special fans 🩶
7️⃣5️⃣ years of Porsche Motorsport
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A Carrera Panamericana original foi uma prova de estrada disputada entre 1950 e 1954, criada para promover a secção mexicana da Autoestrada Pan‑Americana e rapidamente considerada uma das corridas mais perigosas do mundo. Era um rali de estrada aberta, disputado em etapas que atravessavam o país de sul a norte, com mais de 3000 km percorridos em estradas públicas de traçado exigente, o que contribuiu para um número elevado de acidentes e fatalidades ao longo das cinco edições.
A edição de 1954, em que Herrmann brilhou com o 550 Spyder, foi a quinta e última da era original, integrando o Campeonato do Mundo de Sportscars e reunindo alguns dos maiores construtores e pilotos da época. O triunfo de classe da Porsche nessa corrida ajudou a consolidar a reputação internacional da marca e está na origem direta da adoção do nome “Carrera” em modelos de estrada, algo que a decoração especial do 99X Electric procura precisamente revisitar no contexto atual da Fórmula E.
Nuevo look incoming 🇲🇽🔜 Stay tuned! pic.twitter.com/I8jncyMOzx
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Ao transportar essa linguagem visual para a era elétrica, a Porsche cria uma ponte entre o passado lendário em provas de resistência e estrada aberta e o presente em competição totalmente elétrica.
Thomas Laudenbach, responsável máximo pelo departamento de competição da Porsche, sublinha que o México ocupa um lugar especial na cronologia desportiva da marca, tanto “historicamente como hoje”. No contexto da Fórmula E, o traçado do Autódromo Hermanos Rodríguez tem sido particularmente favorável à equipa oficial, palco da primeira pole position da Porsche na categoria, em 2020, e do primeiro triunfo, em 2022, o que faz deste o circuito onde o construtor foi mais bem‑sucedido na disciplina elétrica.
Para além de evocar momentos-chave da sua presença na competição, a nova decoração é também apresentada como um gesto de gratidão para com o público local. Ao homenagear em simultâneo a Carrera Panamericana e o apoio fervoroso dos adeptos mexicanos, a Porsche procura reforçar a ligação emocional com um país que, ano após ano, tem acolhido a marca calorosamente no panorama da Fórmula E.
Foto capa: Redes sociais Porsche Formula E Team
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