F1: Que futuro para a língua portuguesa?

Por a 12 Fevereiro 2018 16:35

Infelizmente a F1 nunca foi uma competição que recebesse os portugueses de braços abertos. Não por falta de talento pois felizmente nesse capítulo temos para dar e vender, mas o tamanho do nosso país, aliado ao tamanhos dos “bolsos” dos nossos pilotos foram grandes entraves à subida mais que merecida de alguns dos nossos compatriotas. Mas tínhamos sempre a possibilidade de ver pilotos brasileiros em pista, o que no fundo servia de pequena compensação. O Brasil sempre foi um país muito ligado à F1 e deu-nos alguns dos melhores pilotos de sempre da modalidade. Infelizmente a crise também-lhes bateu à porta e este ano não terão um piloto em pista.

É preciso recuar 48 anos para que voltar a encontrar uma situação assim. 48 anos de presença brasileira no Grande Circo agora interrompida, com a saída de Felipe Massa. Desde 1970 que o Brasil é representado na F1, e alguns dos maiores talentos que pudemos ver em pista falam a língua de Camões, com sotaque. São 3 campeões mundiais, mais precisamente um bicampeão e dois tricampeões. Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna dispensam apresentação onde quer que se pronuncie os seus nomes.

A experiência brasileira na classe rainha começou em  1951, o segundo ano do Campeonato de Fórmula 1. Francisco Sacco Landi foi o piloto pioneiro, mas na sua primeira experiência no campeonato do mundo só completou 1 volta no GP de Itália, tendo pilotado um Ferrari antes de o trocar por um Maserati e manteve-se na F1 até 53.

Fittipaldi foi o grande impulsionador da paixão brasileira pela F1, sendo  o primeiro responsável por colocar o país na lista de vencedores. Estávamos em 1970, no GP dos EUA. Dois anos depois o primeiro título pela mão do mesmo homem. O Brasil começou a exportar grandes talentos que se destacaram para além de Fittipaldi. O fogoso Piquet  mostrou a chama latina em pista e Ayrton Senna trouxe uma dimensão ainda maior à paixão brasileira (e portuguesa) pela F1.

O Brasil ocupa o 3º lugar na lista de países com mais vitórias na F1, com 101, atrás da Alemanha (173) e da Grã-Bretanha (266). É também o 3º país com mais poles (126) e o 4º com mais pódios (293). O Brasil tem 8 títulos mundiais.

A crise vive-se também fora da pista, com os rumores a não realização do GP do Brasil  a surgirem com mais frequência. Mas Interlagos é daquelas pistas que deveria ser obrigatória manter pela história e pela envolvência do  público.

Qual o futuro do Brasil na F1? Para já é uma incógnita e os jovens talentos que começam a despontar estão ainda longe da F1 (Sérgio Sette Câmara, Pietro Fittipaldi,  Enzo Fittipaldi, Matheus Leist, Pedro Piquet) e Nasr já mudou o seu foco para os protótipos.  Mas faz falta o caráter, a postura e o talento típico do piloto brasileiro.

 

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7 Comentários em "F1: Que futuro para a língua portuguesa?"

so23101706
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O Matheus Leist (campeão britânico de F3 em 2016) já rumou à IndyCar series e provavelmente vai fazer carreira nos States. Quanto aos outros todos, sinceramente não vi nada de entusiasmante. Penso que o Sette Câmara deixou de ser apoiado pela Red Bull.
Quanto a portugueses, não acredito que o Henrique Chaves Jr. chegue à F1 e, fora ele, não estou a ver ninguém a singrar nos karts ou nas fórmulas secundárias.

rodríguezbrm
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Inevitavelmente a ausencia de brasileiros espelha a situação económica e social do país no presente. Contudo, o Pietro Fittipaldi está na antecâmara da F1, acabou de vencer o WS Formula V8 3.5, que deu alguns pilotos à F.1 ( sim, houve algumas mudanças), tem uma boa estrutura de apoio, a Escuderia Telmex, que só por não ser europeia é que é ignorada por quase todos, mas um dos maiores problemas é que actualmente há menos lugares na F.1, pelo que vai agora para a Indy, sem renegar o sonho de chegar à F1. Sobre os portugueses, é ver a diferença… Ler mais »
ernie
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Caro Rodriguez, permita-me discordar um pouco da sua opinião (acho que assim é que se constroem boas conversas). Quanto ao Pietro Fittipaldi, não creio que esteja na antecâmara da F1. Como muito bem refere, ele já tem 7 provas (creio) garantidas este ano na Indycar incluindo as Indy 500 com a Dale Coyne, tendo já testado o carro #19 ainda com o spec 2017, mas isto leva-me a crer, que ele já está a entrar no plano B ainda antes de tentar o plano A, até porque não tem qualquer ligação com a F1, nem como piloto de testes. Quanto… Ler mais »
rodríguezbrm
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Os meus agradecimentos pelo seu texto e opinião em relação a estas questões. Este neto do Emerson não causou furor, mas tendo em conta o nível em que foi fixada a fasquia da qualidade de pilotagem da F.1 sucessivamente pelo Ericsson e pelo Stroll, não me parece que deslustre pelo que já mostrou desde que veio para Inglaterra vindo doutro Continente. E pelo que sei, mas não consigo fazer a prova, ele só não foi parar agora à Sauber ,como o Pérez e o Nasr antes , por causa da operação Alfa Romeo do Marchionne. Mas, ainda vai a tempo… Ler mais »
ernie
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Por acaso, até estava convencido que o gaiato Pietro Fittipaldi era um filho do último casamento e não neto, embora tenha idade para isso. Quanto a Don Marchionne, já todos percebemos a sua maneira de estar, faz lembrar um pouco Don Vito Corleonne (I will make him a proposition he can not refuse) eheh! A superlicença, vale o que vale, e em relação a 2017, mantenho o que disse. O apoio de Carlos Slim, também já não deve valer assim tanto em termos de F1, porque hoje em dia, como há décadas que já não há Rodriguez, o México aguenta-se… Ler mais »
ernie
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Oh senhor Mendes! Se considerarmos o português usado aqui no site pelos profissionais, com todas as más traduções, erros ortográficos, e trapalhadas, acho que o futuro do português é mais brasilês do que nunca, nem nos tempos do nosso D. Pedro IV, que abandonou o País para se tornar D. Pedro I do Brasil, cuja estátua se encontra no Rossio de Lisboa, a qual por mero acaso até é uma estátua feita para Maximiliano I do México (que por acaso era um Habsburgo e não mexicano), e que dadas as semelhanças físicas entre esses dois Imperadores (que creio até serem… Ler mais »
mindgamesracing
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Para além da crise no Brasil falta Eclestone, que teria negociado Nars ou Massa mais um ano até os outros poderem chegar.

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