MEMÓRIA: Quando se tentou juntar o TT e os ralis…


A história ficou na mente de muitos. Em 1995, Fernando Peres pegou no Ford Sierra Cosworth de treinos e alinhou numa das primeiras provas do Campeonato Nacional de TT, o Rali TT da Casa do Pessoal da RTP, e só não ganhou com 4m07s de vantagem sobre o Mitsubishi Pajero de João Vassalo, porque sofreu uma penalização de cinco minutos. O feito do então campeão nacional de Ralis causou bastante mal estar entre os pilotos mais rápidos do TT e, no ano seguinte, quando se inscreveu com um ainda mais competitivo Ford Escort Cosworth na mesma prova, a organização já tinha endurecido (e de que maneira) o traçado (por pressão dos pilotos de TT), de forma a que Peres ganhasse o Prólogo, mas não passasse do primeiro Setor Seletivo, traído por uma fuga de água no motor após uma passagem sobre uma raiz de uma árvore.

Há 26 anos, um carro do Nacional de Ralis conseguia bater modelos vocacionados para o TT em ralis pensados para veículos de Todo-o-Terreno. E hoje? Também o conseguiria? Seria possível ter os carros de ralis a um nível equiparado aos melhores T1 do TT? Nem pensar! Hoje em dia isso é quase impossível, não só porque os carros de ralis são muito mais ‘sensíveis’, mas também porque as melhores máquinas do T1 são autênticos ‘canhões’. Claro que dependeria muito dos traçados, mas olhando para o que são hoje os percursos do TT, os carros de ralis até poderiam ganhar prólogos, provavelmente, todos, mas cumprirem todos os setores seletivos, duvidamos. Muito menos em lugares de destaque.

Imagine-se que nessa altura pensou-se que essa situação poderia precipitar a fusão do CPTT com o CPR. Seria esta uma ideia assim tão descabida, numa época de crise económica e, sobretudo, de identidades? Para Fernando Peres, “era quase impossível saber se os carros de Produção poderiam bater nessa altura os protótipos do TT sem fazer uma experiência.
O primeiro problema para a colagem das duas modalidades seria a autonomia dos carros de ralis, que teriam de receber depósitos de combustíveis maiores.
Mas adaptados, talvez, nalguns tipos de piso, pudessem fazer jogo igual. Em todo o caso, penso que esse nunca seria caminho, pois cada uma das modalidades devia ter o seu espaço próprio”.