Quando o Carocha quis ser Porsche: A curiosa aventura da equipa de Salzburg nos ralis


Para garantir a sobrevivência da sua estrutura, a equipa austríaca da Porsche, decidiu enveredar pelos ralis, imagine-se, com o Volkswagen “Carocha”.

A Volkswagen teve uma passagem efémera mas significativa no Mundial de Ralis. A passagem entre 2213 e 2016 valeu 44 vitórias à marca alemã, quatro títulos de pilotos e outros tantos de construtores.

Mas é de um passado bem interior a isso que queremos falar.

Curiosamente, apesar de durante vários anos, ter alinhado a nível oficial com os VW Golf GTI, as pessoas mais ligadas aos ralis, associam mais facilmente a marca à modalidade através do Beetle ou “Carocha”, como ficou conhecido entre nós.

E apesar deste mítico modelo ter provado, ainda nos anos 50, a sua aptidão para os ralis, como demonstram as três vitórias no Safari, foi contudo, no início da década de 70, fruto de um curioso projeto, que a participação dos “Carocha” em provas internacionais ganhou notoriedade.

A filial austríaca da Porsche, confiava na altura a uma pequena equipa, sedeada em Salzburg, a preparação de modelos como o 908 ou 917 para competir em provas de velocidade. Quando a Porsche pôs fim ao projecto, Gerhard Strasser, líder da equipa, teve que definir rapidamente um novo caminho para a sua estrutura e decidiu tentar a sorte nos ralis.

Sem um modelo devidamente preparado para a nova aventura, a escolha recaiu de forma surpreendente nos Volkswagen “Beettle” 1302 S e 1303 S, homologados em Grupo 2 e que nunca se mostraram verdadeiramente competitivos. Os 128 cv do motor de 1.6L revelaram-se insuficientes para os cerca de 900 kg de peso e mesmo com uma mecânica herdada em grande parte da Porsche, como foi o caso da caixa de 5 velocidades, faltava ao pequeno Beetle muito do fulgor que sobrava nos Alpine Renault e Lancia Fulvia.

O “Team Porsche Salzburg” procurava colmatar a fraca performance e a reduzida fiabilidade, convidando pilotos de nomeada e atraindo deste modo a atenção dos media. Achim Warmbold, Tony Fall ou Harry Kallstrom foram alguns dos nomes que conduziram os modelos prateados em provas do europeu e mundial, entre 72 e 73. As vitórias de Warmbold nos Ralis Janner e Ilha de Elba, a contar para o europeu, foram os únicos resultados de vulto da equipa. O quinto lugar de Georg Fischer na Acróple de 73, constitui o melhor resultado em provas do Mundial.

O fraco palmarés e a crise petrolífera ditaram o prematuro fim do projecto, mas os pouco enérgicos “carochas” tiveram o mérito de tornar a sua modesta participação no campeonato do mundo, numa das mais mediáticas da época…

Quatro “Herbies”

Nada menos do que Quatro “Beetle” da equipa austríaca alinharam no Rali de Portugal de 1973. Harry Kallstrom e Tony Fall foram as estrelas convidadas, às quais se juntaram Georg Fischer e Herbert Grundsteidl. A dureza da nossa prova ditou igual sorte para todos. Entre problemas mecânicos e saídas de estrada, nenhum chegou ao Estoril, mas os “Carochas” conquistaram a simpatia dos espectadores portugueses.

A epopeia do Golf

Os primeiros sucessos em ralis de modelos Volkswagen, remontam aos primórdios da modalidade. No entanto, só no final da década de 70, com o desenvolvimento do Golf, a marca alemã decidiu participar a nível oficial. Foi preciso esperar até meados dos anos 80, para que os “GTI” começassem a ganhar fama. Numa altura em que o Grupo B dava cartas, os Golf, homologados em Grupo A, não podiam almejar mais do que a vitória na sua classe. Kenneth Erikkson sagrou-se campeão do mundo do Grupo A em 1986 e no ano seguinte, conquistou na Costa do Marfim a única vitória da Volkswagen no Mundial de Ralis.

Por Nuno Branco

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