O Ford Escort RS foi o modelo que catapultou a Ford para o estatuto de ícone nos ralis, reputação essa reforçada por pilotos de renome como Ari Vatanen, Hannu Mikkola e também o português Joaquim Santos.
Há uns anos, bastava ver qualquer passagem do Rali de Portugal Histórico que se percebia de imediato que existe um carro que continua a gerar mais entusiasmo que todos os outros a cada passagem. O Ford Escort RS
Tudo isto porque, na década de 70, a par dos longos cabelos, grandes colarinhos, calças à boca-de-sino e música dos ABBA, o Ford Escort conquistou admiradores em todo o mundo, tornando-se num fenómeno de popularidade nos ralis.
Um ano após o seu lançamento, o Escort estreia-se em competição, no Sanremo de 1968. Esta primeira versão, denominada “Twin Cam”, pecava pelos escassos 160 cv do motor de1598cc, pouco ameaçadores face ao dominador Porsche 911. Em Outubro de 1970, estreava no Rali de Portugal o RS1600, com um motor maior (1798 cc) e uma potência acima dos 200 cv. Ficou conhecido por “MK1” e permitiu a pilotos como Timo Makinen e Hannu Mikkola a obtenção da primeira vitória no campeonato do mundo.
Em 1975, a Ford lança a segunda geração do Escort, que no final do ano, substituía oficialmente o MK1 nos ralis. O RS 1800, conhecido por MK2 tinha um motor de 2 litros com 250 cv. As cavas das rodas, mais largas, permitiam albergar um maior curso na suspensão, tornando-o mais competitivo em todo o piso. O MK2 deu à marca da oval o primeiro mundial de marcas, com Bjorn Waldegard e Hannu Mikkola a travarem épicos duelos com os Fiat 131 Abarth de Markku Alen e Walter Rohrl.
No final de 1979, a Ford retira-se dos ralis a nível oficial e David Sutton assegura a participação dos Escort na competição, suportando Ari Vatanen na conquista do ceptro de pilotos em 1981.
Depois de um período em que a escolha recaiu nos pouco competitivos Sierra, o nome Escort voltou nos anos 90 a pisar o palco dos ralis para colocar novamente a Ford na luta pelas vitórias. Inicialmente com o RS Cosworth de Grupo A e depois com a versão WRC, nomes como Delecour, Biasion, Sainz, Schwarz e Kankkunen proporcionaram ao Escort uma digna despedida, no momento em que passou definitivamente o testemunho ao Focus, depois de 31 triunfos em provas do Mundial.
Talvez o facto de os ABBA estarem novamente na moda e os colarinhos voltarem a crescer seja um prenúncio de que o Fiesta trará consigo a aura de sucesso que imortalizou o Escort…
Pioneiro na globalização
Stuart Turner assumiu a gestão desportiva da Ford em 1969, pouco tempo depois da estreia do Escort e foi determinante para que o projeto se tornasse ganhador e rentável. Responsável pelo sucesso dos Mini nos Ralis, Turner cedo percebeu o potencial do Escort e tratou de o tornar acessível a pilotos privados. Rapidamente, a marca da oval começou a ganhar provas nos campeonatos nacionais dos quatro cantos do globo, convertendo o Escort num sucesso à escala mundial.
Morto à nascença
O surgimento do motor turbo e a tracção integral, condenaram os convencionais Grupo 4. Em resposta, a Ford desenvolveu o Escort RS 1700T, baseado na terceira geração do modelo. Em 1982, Vatanen testou duas versões da nova arma em Portugal, uma com motor turbo de 1780 cc e outra com o propulsor Hart de F2 com 2,4L, não evitando uma saída de estrada na Serra da Boa Viagem. A estreia foi sucessivamente adiada e quando ficou finalmente pronto a correr, estava ultrapassado face aos Audi Quattro e Lancia 037. A Ford decidiu então abandonar o projecto, apontando mais tarde baterias para o RS 200.
Por Nuno Branco
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