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Como se conduz um Lancia Stratos?


LANCIA STRATOS Ao longo dos seus 40 anos de existência o AutoSport informou, narrou, contou histórias… mas também ensinou muito aos seus leitores. Temos a certeza que ajudámos a criar paixão pelos desportos motorizados, mas já não sabemos se ajudámos alguém a aprender a guiar um Lancia Stratos. Mas olhe que tentámos…

 

Como se conduz um Lancia Stratos? Cerca de 300 cavalos de potência, um peso e um gabarito muito limitados contribuem para intimidar um vulgar piloto. E, contudo, uma vez ao volante, o “monstro” revela-se perfeitamente dominado. Basta respeitar algumas regras fundamentais que passamos a resumir. Uma vez do habitáculo, são necessários alguns minutos para uma aclimatação, nada fácil. Tudo é cómodo e fácil de se manejar, mas para isso é preciso que se dê conta pessoalmente, pois a primeira sensação (falsa) é a de se estar em dificuldade. O volante é muito pequeno o pedal do acelerador muito grande e o comando da caixa de velocidades mesmo sob a mão, facilita a condução. Trata-se de uma viatura de corrida por excelência. Isso explica igualmente a inexistência da tradicional chave de contacto que deu lugar a um botão que se pode accionar desde que a luz de bordo esteja iluminada. Para experimentar a sensação de prazer que se extrai da condução do Stratos desde o seu início, é preciso uma rápida familiarização com o habitáculo. Por isso, desde que se senta no carro, é conveniente perder um instante para encontrar a posição ideal de condução, após o que a viatura pode partir, mas é indispensável, a partir desse momento, ter uma condução segura. Inútil ter o pé em cima da embraiagem. Ao contrário, se o regime sobe, tanto melhor, pois de outra forma é fácil parar o motor. Depois de arrancar, é conveniente manter uma certa velocidade, não tanto por uma questão de carburação de motor que, pelo contrário, se revela mais flexível do que se poderia imaginar, mas, sobretudo, para evitar o choque que provoca a transmissão não sincronizada (mas mesmo assim suficientemente suave na fase de engrenagem do Stratos). Com efeito, para mudar de velocidade com uma certa tranquilidade, torna-se indispensável ter um motor a trabalhar a pleno regime para estar à medida de cumprir, sem decepção, uma manobra tão banal como a passagem de quarta para terceira. Contudo, uma vez na estrada, o condutor experimenta uma grande satisfação na condução deste carro de corrida. Em asfalto, com pneus bastante largos, é indispensável uma boa concentração para evitar ir em ziguezague. Com efeito, a precisão extrema do volante e o seu diâmetro muito reduzido transmitem ao terreno a menor variação na posição das mãos e, vice-versa, às mãos a menor variação do terreno. Segundo a regulação das barras, uma operação muito rápida, o Stratos transforma-se em sobrevirador, subvirador ou neutro. Aí reside a principal característica do Stratos, pois permite encontrar o melhor compromisso entre as condições do terreno e as preferências de condução dos pilotos. Quanto ao resto, é o motor que se ocupa; um motor com uma potência inacreditável e uma progressão excepcional. Para completar o conjunto, os travões são absolutamente superlativos mesmo se, a uma velocidade reduzida, dêem a sensação de duros de accionar. A grande velocidade, pode-se, com efeito, aplicá-los a fundo, tendo apenas que se ter atenção em não perder o controlo do carro que fica totalmente blocado, após o que se pode tranquilamente atacar a curva sem problema como exige o carro, e seguidamente acelerar a fundo, controlando a inevitável derrapagem provocada pela entrada em funcionamento do autoblocante. O único aviso que convém não esquecer, sobretudo em terra ou em curvas estreitas, é o de nunca chegar demasiadamente lento e, por conse-quência, convém manter uma velocidade inferior mas com um regime mais elevado. Assim, evita-se o risco de uma saída em frente ou de um “tete-à-queue” devido a uma aceleração demasiado brusca.

Diga lá que depois de ler isto não lhe apetecia ter um Lancia Stratos nas mãos?

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