#10yearschallenge: História repete-se?


Dentro de dias arranca o Mundial de Ralis de 2019, mas há 10 anos não era o Monte Carlo que abria o WRC, mas era Sébastien Ogier a vencê-lo. Recorde como.

João Freitas Faria, em Monte Carlo

Os franceses estavam eufóricos depois de mais um Rali de Monte Carlo com a famosa noite do Turini celebrando a primeira vitória num rali internacional do jovem Sebastien Ogier e perspectivando-lhe uma carreira à semelhança do ‘Rei’ Sebastien Loëb, a quem precisamente o campeão mundial júnior sucede no palmarés da prova sediada no principado. Os elogios visavam não uma rapidez extraordinária pois o piloto da Citroën, aqui com as cores da Peugeot e BF Goodrich, apenas venceu uma classificativa, mas a maturidade do jovem talento.

A forma como o vencedor geriu a sua participação permitiu-lhe estar na frente a pouco mais de meio do itinerário comum com uma larga vantagem sobre a restante caravana. Atrasados ou fora de prova estavam já muitos dos mais rápidos e essa vantagem permitiu à nova estrela francesa gerir o seu andamento, exactamente na etapa mais exigente do evento. O regresso de Valence ao Mónaco foi levado a cabo com todos os cuidados e Ogier quase nem acreditava num sucesso que a muitos chegou a parecer fácil.

Diferenças desconcertantes
As diferenças finais entre os classificados na prova de abertura do IRC 2009 são desconcertantes se for levada em conta a animação da prova e o facto de que muitos outros concorrentes poderiam ter brilhado na tabela final. Em 14 provas especiais registaram-se oito vencedores de troços cronometrados
e três mudanças de liderança.

Isto para já não falar da incerteza quanto ao desfecho final motivada pelas múltiplas dificuldades do percurso que provocou “apenas” nove vítimas entre aquelas que poderiam ter chegado de forma regular aos pontos. O segundo lugar acabou na posse dum piloto com larga experiência neste rali oriunda das suas inúmeras presenças no campeonato mundial. Apostado em ser este ano mais regular e pensar essencialmente nos pontos, Freddy Loix atingiu também a meta com a sua posição confortavelmente assegurada mas lamentou duas más escolhas de pneus que o levaram a perder muito tempo e quaisquer hipóteses de triunfo.

Bem mais animada foi a luta final pelo lugar mais baixo do pódio e que envolveu dois dos principais protagonistas do rali. Em mais um brilharete da Peugeot, que conseguiu colocar três 207 S2000 no palanque, Stephane Sarrazin viu recompensada a sua rapidez, carimbada por cinco vitórias em classificativa. Sarrazin terá a lamentar uma saída de estrada no segundo dia de competição que o levou a perder muito tempo e o obrigou a uma recuperação notável.

Atrás de si ficou o checo Jan Kopecky que andou sem direcção assistida no seu carro e também subiu a pique na classificação nas etapas complementares. O quinto lugar final de Giandomenico Basso ficou bastante baixo das expectativas da Abarth e do renovado Punto S2000 que, contudo, só no final teve um bom acerto e ao qual também faltaram as escolhas de pneus mais acertadas. A casa italiana do escorpião também perdeu dois dos seus melhores pilotos nos quilómetros finais pois Toni Gardemeister, muito tempo segundo classificado com um carro de 2007 fornecido pelaAstra, desistiu com problemas de alternador no Turini enquanto Anton Alen não cumpriu a última ligação pela quebra da caixa de velocidades.

Apesar disso, a Abarth ainda beneficiou dos pontos conseguidos por Olivier Burri, sétimo classificado, mas desastrado na escolha de pneus numa prova em que é muito experiente. Na frente do suíço ficou Frederic Romeyer, autor duma prova sem brilho com o Mitsubishi Lancer IX. Bem pelo contrário, o
italiano Luca Betti evidenciou-se em diversas ocasiões com o Renault Clio R3.

 

Desistências determinantes
A Classificação final deste Rali de Monte Carlo foi bastante condicionada pelo número de abandonos entre aqueles que poderiam ter estado nos lugares pontuáveis. Kris Meeke mostrava uma boa adaptação ao 207 S2000 da Peugeot UKmas acabou fora de estrada enquanto o campeão Nicolas Vouilloz danificou bastante a suspensão numa incursão pelas bermas. Já Franz Wittmann, sempre em boa posição e melhor representante da Mitsubishi, desistiu na penúltima secção por falha mecânica do Lancer IX.
Incrível foi a forma como dois pilotos experientes abandonaram logo na primeira prova especial. Didier Auriol bateu forte na estreia com o Peugeot 207 S2000 enquanto Luca Rossetti, que não tinha qualquer incidente há quase quatro anos, poucos quilómetros percorreu na sua primeira prova com a Abarth e o Punto S2000. Cauteloso mas nem por isso bem posicionado, Julien Maurin ficou no Turini devido a avaria do Punto S2000 da Astra.

 

Classificação
1º Sebastien Ogier/Julien Ingrassia Peugeot 207 S2000 4h40m45,7s
2º Freddy Loix/Isidoor Smets Peugeot 207 S2000 a 1m43,6s
3º Stephane Sarrazin/ Jacques Renucci Peugeot 207 S2000 a 2m21,6s
4º Jan Kopecky/ Petr Stary Skoda Fabia S2000 a 3m17,3s
5º Giandomenico Basso/ Mitia Dotta Abarth Punto S2000 a 4m28,0s
6º Frederic Romeyer/ Thomas Fournel Mitsubishi Lancer IX a 20m30,3s
7º Olivier Burri/ Fabrice Gordon Abarth Punto S2000 a 21m23,0s
8º Luca Betti/ Alessandro Mattioda Renault Clio R3 a 24m04,8s
9º Patrick Artru/ Patrice Virieux Mitsubishi Lancer IX a 25m50,7s
10º Damien Daumas/ Christophe Jaussaud Renault Clio R3 a 27m59,8s

CAMPEONATO
Pilotos: 1º Sebastien Ogier, 10; 2º Freddy Loix, 8; 3º Stephane Sarrazin, 6; 4º Jan Kopecky, 5; 5º Giandomenico Basso, 4; 6º Frederic Romeyer, 3; 7º Olivier Burri, 2; 8º Patrick Artru, 1 Marcas: 1º Peugeot, 18; 2º Abarth, 6; 3º Skoda, 5; 4º Mitsubishi, 4

DESISTÊNCIAS
Didier Auriol/Denis Giraudet (Peugeot 207 S2000), acidente na PE 1; Luca Rossetti/Matteo Chiarcossi (Abarth Punto S2000), acidente na PE 1; Nicolas Vouilloz/Nicolas Klinger (Peugeot 207 S2000), acidente na PE 7; Juho Hanninen/Mikko Markkula (Skoda Fabia S2000), acidente na PE 10; Kris
Meeke/Paul Nagle (Peugeot 207 S2000), acidente na PE 10; Franz Wittmann/Bernard Ettel (Mitsubishi Lancer IX), mecânica após PE 10; Toni Gardemeister/Tomi Tuominen (Abarth Punto S2000), alternador após PE 11; Anton Alen/Timo