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“Um desafio para os que vão, um sonho para os que ficam” | AutoSport
 

“Um desafio para os que vão, um sonho para os que ficam”


O Dakar é hoje em dia uma marca, e há muito se tornou muito mais do que o seu mentor, Thierry Sabine, sonhou. Pode parecer um contrassenso, mas a magia do Dakar nasceu precisamente de uma ‘visão’ de um homem que passou por uma aventura que quase lhe roubou a vida. Qual Síndrome de Estocolmo, a provação que passou, dias a fio no deserto, levaram Sabine a ganhar “simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu ‘agressor’”. Quando rumou a casa, maturou uma ideia, e quis por isso, encontrar uma forma onde muitos pudessem dar azo à sua coragem, desafiar o desconhecido e viver grandes aventuras, ao mesmo tempo que disfrutam da magnificência dos grandes espaços desérticos.

O mote desse desafio é “Um desafio para todos os que vão. Um sonho para todos os que ficam” e depressa Sabine colocou de pé a grande aventura. Hoje, deste começo, o Dakar apenas já tem o nome, e o que a prova tinha em amadorismo, que se foi perdendo ao longo do tempo e hoje em dia já não existe, ganhou em ganhou em mediatismo, espetáculo e negócio.

A par das 24 Horas de Le Mans, o Dakar é um evento que ganhou ‘vida própria’, e anualmente continua a suscitar o interesse de milhões em todo o mundo. Se as 24 Horas de Le Mans acabam por ser um evento mais restrito, devido às regras de acesso, o Dakar é invariavelmente alvo de inúmeros estreantes que todos os anos são atraídos pela magia do Dakar. E que magia é essa? Conhecer os próprios limites e superá-los constantemente.

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Tudo começou há 43 anos
O calendário referia 26/12/1978, e foi esse o dia do arranque do Dakar, e dia em que Thierry Sabine viu cumprir-se o seu sonho, dando início a um percurso de uma história que está prestes a ganhar mais capítulos. Ciente do que os concorrentes iam passar, ainda na Praça do Trocadero, frente à emblemática Torre Eiffel, Sabine alertou-os para os riscos: “Podem morrer, e devem sabê-lo antes de partir”. Sabia bem do que falava! Nesse dia dava-se início ao que ainda hoje, muita gente define como Paris-Dakar, mesmo que isso apenas seja verdade em 18 das 37 edições. Para a história, Cyril Neveu, de apenas 21 anos, sagra-se vencedor da primeira edição do Paris-Dakar, sendo um dos 69 aventureiros a completar o percurso de dez mil quilómetros, entre os 170 que se apresentaram à partida.

Não demorou muito que o sucesso do Dakar fosse uma realidade, e depressa os organizadores tiveram que intervir, incluindo novas categorias, separando-as com classificações independentes para motos, carros e camiões.

Neste contexto, o que começou por ser uma prova essencialmente amadora, rapidamente foi notada pelos construtores, que viram no Paris-Dakar um desafio para as suas máquinas, e também uma forma excelente de promover as suas máquinas. Um carro, moto ou camião que sobrevivesse com sucesso ao Dakar, certamente seria indicado para as maratonas do dia a dia. Yamaha, Honda, Toyota, Volkswagen, Renault, Lada e BMW deram a ‘cara’ logo nos primeiros tempos e com o passar dos anos, muitas mais se juntaram. Três anos depois da sua edição inaugural, os portugueses fazem-se representar na prova, num projeto liderado por José Megre e que teve por base os jipes na União Metalo Mecânica (UMM).

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À medida que a prova ganhava elan, Thierry Sabine foi-lhe adicionando desafios, e o deserto do Ténéré depressa entrou na rota da prova.

Como seria de esperar, as dificuldades dos percursos tornaram-se diretamente proporcionais aos problemas que causavam, e por exemplo em 1982, uma tempestade de areia levou a que 40 pilotos tenham estado perdidos durante quatro dias. Foi com situações destes que se foi criando a lenda do Dakar, Sabine quis dar ainda mais dimensão ao evento, que em 1984, quebrou fronteiras com a inclusão da Guiné, Serra Leoa e Mauritânia.

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Dois anos depois, nas mesmas areias que em 1977 quase lhe tinham tirado a vida, o pai do Paris-Dakar, Thierry Sabine, o cantor francês Daniel Balavoine, a jornalista Nathaly Odent, o piloto do helicóptero François Xavier-Bagnoud e o técnico de rádio Jean-Paul Le Fur perderam a vida num acidente de helicóptero, a meio de uma tempestade de areia.
O impacto do sucedido foi forte, mas o Dakar já tinha ganho uma enorme dimensão e por exemplo, em 1988, bateram-se todos os recordes, com o número de participantes a superar os 600. Pelo meio, mortes, polémicas, como por exemplo o roubo do Peugeot 405 T16 de Ari Vatanen, em 1989. Curiosamente, a Peugeot era na altura o único construtor que contava por vitórias o número de presenças na partida (de 1987 a 1990). Hoje, como se sabe, isso já não é verdade!

Em 1994, Gilbert Sabine, pai de Thierry, que ficara no comando da prova após a sua morte, retira-se, dando lugar ao grupo Amaury Sport Organisation, ASO. Em 1995, a prova tem pela primeira vez início em Granada e Hubert Auriol torna-se o novo director do Dakar, ele que já se tinha tornado no primeiro piloto a vencer o Dakar nas Motos e nos Autos.

A edição de 2001 marcou a primeira e única vitória de sempre de uma mulher, com Jutta Kleinschmidt a impor o seu Mitsubishi Pajero. Nas motos, o título foi para o piloto italiano Fabrizio Meoni, o primeiro de uma longa série para a austríaca KTM, que até hoje, não permitiu veleidades às suas adversárias.

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Portugal entra na rota do Dakar em 2006, tornando-se no 24º país ser descoberto pela caravana do Dakar, num vínculo que se estenderia até 2009, mas que foi interrompido em 2008.  Devido a ameaças terroristas, a organização anulou o Dakar, que não saiu da Praça do Império, em Lisboa, para desespero das centenas de concorrentes. Com um oceano pelo meio, o Dakar rumou à América do Sul, e o sucesso foi grande. Na partida de Buenos Aires estiveram cerca de 600.000 e no final a Volkswagen fez história ao levar ao triunfo uma primeira motorização Diesel, com o Race Touareg TDI.

Daí para cá passou-se de um domínio VW, entre 2009 a 2011 e depois para outro da MINI, que se iniciou em 2012 e ainda dura. O ano de 2010 ficou marcado pela mais curta diferença de sempre entre primeiro e segundo, Sainz e Attiyah, 2m12s ao cabo de 9.030 Km. A Mitsubishi, que obtivera sete vitórias consecutivas entre 2001 e 2007, termiou a sua ‘aventura’ oficial no Dakar com os abandonos prematuros de Hiroshi Masuoka, Luc Alphand e Stéphane Peterhansel.

Poucas semanas depois a marca dos três diamantes deixou o TT. A prova sul-americana fica também marcada pelos grandes resultados dos motards lusos, com Hélder Rodrigues a ir ao pódio em 2011 e 2012, e Ruben Faria (2013) e Paulo Gonçalves (2015) a assegurarem os melhores resultados de sempre de pilotos lusos no Dakar. Melhores estes resultados significa vencer, algo que nunca esteve tão perto de suceder.

Este será o oitavo ano na América do Sul, já há quem clame por uma nova mudança de ares, já que se diz que o interesse pela prova está a diminuir na Europa, fruto de percursos menos espetaculares que em África, mas a verdade é que o Dakar sul-americano continua a ter bons motivos de interesse, este ano renovados com o regresso da Peugeot mais forte, já que depois do fiasco do ano passado, poucos duvidam que o gigante francês não tenha regressado ao Dakar por menos que repetir os feitos dos seus antecessores no final dos anos 80. JLA

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Dakar cumpriu em 2016 a sua 38ª edição


A par das 24 Horas de Le Mans, o Dakar é um evento que ganhou ‘vida própria’, e anualmente continua a suscitar o interesse de milhões em todo o mundo.

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Dakar ano a ano

Ironicamente, a magia do Dakar começa quando o seu mentor, Thierry Sabine, ainda em 1977, participa no Abidjan-Nice de moto e perde-se durante a prova. Quase a morrer, foi encontrado por nómadas deitado nas areias escaldantes. Recuperou e da sua cabeça saiu a epopeia heroica que se conhece até hoje. E foi assim que nasceu o mito: “Um desafio para os que partem. Um sonho para os que ficam”.

1979 A estreia

(26/12/1978, Trocadero, Paris – 14/01/1979, Lac Rose, Dakar)

182 participantes, divididos entre 80 carros, 90 motos e 12 camiões, atravessaram seis países em mais de 10.000 km, dos quais 3.168 em especiais. Neveu, Rayer, Fanouil e Auril são os nomes mais conhecidos. Sete Senhoras à partida. Chegaram ao final 74 concorrentes. Venceu Cyril Neveu, em Yamaha, numa classificação global, sem distinção entre automóveis, motos ou camiões. Um sucesso e os resultados ficam para segundo plano. Presente nesta edição já esteve Hubert Auriol, director do Dakar entre 1994 e 2003.

Vencedores – Motos: Cyril Neveu (Yamaha); Autos: Genestier/Terblaut/Lemordant (Range Rover), 4º da classificação geral.

1980 – Os camiões surgem

(1/1/1980, Trocadero, Paris – 23/01/1980, Lac Rose, Dakar)

A grande novidade é uma classificação específica para camiões, mas no Prólogo os 15 primeiros lugares são ocupados por motos! Os inscritos aumentam (são agora 216) e Cyril Neveu repetiu o triunfo nas motos e, nos automóveis, venceu um VW Iltis de quatro rodas motrizes, pilotado por Kotulinsky. O primeiro 4×2 foi o Buggy de Yves Sunhill, em 11º. Camiões participam como concorrentes pela primeira vez, com Ataquat a vencer.

Vencedores – Motos: Cyril Neveu /Yamaha); Autos: Kottulinsky/Luffelman (VW Iltis); Camiões: Ataquat/Boukrif/Kaoula (Sonacome)

1981 De Rolls-Royce…

(01/01, Trocadéro, Paris – 20/01, Lac Rose, Dakar)

Primeira vitória de Hubert Auriol, numa BMW (Motos). Nos automóveis, René Metge ganhou, depois de bater os Citroën 2400 GTI oficiais e de um susto quase no final da prova, quando ficou sem direção assistida. A prova fica marcada pela chegada de todo o tipo de veículos: 4×4, buggies, side-cars) e… um Rolls-Royce! Thierry de Montcorgé inscreve um Rolls-Royce com patrocínio da Christian Dior (!) e gasta 2 mil horas a prepará-lo. Ficou pelo caminho…

Vencedores – Motos: Hubert Auriol (BMW); Autos: Metge/Giroux (Range Rover); Camiões: Villette(Gabrielle/Voillereau (ALM/ACMAT)

1982 – Estreia portuguesa

(01/01, Place de la Concorde, Paris – 20/01, Lac Rose, Dakar)

Três anos depois da estreia, o dobro dos concorrentes! Com um carro quase artesanal, os irmãos Marreau (mais conhecidos como as “raposas do deserto”) surpreenderam ao serem mais fiáveis que os Mercedes 280 GE, Lada Niva e Range Rover, oficiais ou ‘semi’, num Renault R20. Nas motos, terceiro triunfo em quatro possíveis para Cyril Neveu. José Megre foi 45º e Pedro Cortez termina logo atrás, na estreia portuguesa na prova.

Vencedores – Motos: Cyril Neveau (Honda); Autos: Claude e Bernard Marreau (Renault R20); Camiões: Groine/De Saulieu/Malferiol (Mercedes)

1983 – Sem descanso

(01/01, Place de la Concorde, Paris – 20/01, Lac Rose)

Pensada sem dia de repouso, uma tempestade de areia leva à anulação de várias especiais… e a três dias sem competição! Auriol bisou nas motos, apesar de ter partido com um braço… ao peito (!), depois de uma queda a 13 de dezembro e Ickx conseguiu o primeiro triunfo para a Mercedes. Os irmãos Marreau trocam os Renault 4 e 20 por um 18 4×4. Megre (47º) e Cortez (42º) regressam.

Vencedores – Motos: Hubert Auriol (BMW); Autos: Ickx/Brasseur (Mercedes 280 GE); Camiões: Groine/De Saulieu/Malferiol (Mercedes)

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1984 – Novos horizontes

(01/01, Place de la Concorde, Paris – 20/01, Lac Rose, Dakar)

Primeira vitória do Porsche 911 4×4, com René Metge a obter uma segunda vitória nos carros e de Gaston Rahier, nas motos. À partida, 427 equipas, das quais 313 em automóveis, entre elas a Lada, com o Poch 2121 e um Niva 4×4, a Citroën, com um Proto, a Rover, a Porsche (Ickx convence a marca a participar e os alemães estreiam-se com um sexto posto) e a Mercedes. E lembram-se de Montgorgé? Depois do Rolls, aposta num proto de 6 rodas. Mesmo resultado… Última participação para a dupla Megre (42º)/Cortez (34º).

Vencedores – Motos: Gaston Rahier (BMW); Autos: Metge/Lemoyne (Porsche 911); Camiões: Lalleu/Durce (Mercedes)

1985 – Aristocracia presente

(01/01, Place d’Armes, Versailles – 22/01, Lac Rose, Dakar)

Da Praça da Concorde para Versailles, o príncipe Alberto do Mónaco – e irmã Carolina – participam numa edição marcada pela vitória da Mitsubishi, graças a Patrick Zaniroli, e pelo Mercedes 190 de seis rodas de Jean-Pierre Fontenay, com uma asa traseira pensada para atingir 220 km/h no deserto…

Vencedores – Motos: Gaston Rahier (BMW); Autos: Zaniroli/Da Silva (Mitsubishi Pajero); Camiões: Capito/Capito (Mercedes)

1986 – O luto

(01/01, Place d’Armes, Versailles – 22/01, Lac Rose, Dakar)

Quarta vitória de Neveu nas Motos e terceira seguida para a Porsche, de novo com René Metge, que fez mesmo a ‘dobradinha’ com Jacky Ickx, mas ninguém se vai lembrar disto, pois a prova ficou enlutada pela morte, num acidente de helicóptero, no dia 14 de janeiro, do seu criador, Thierry Sabine. O helicóptero onde seguia Sabine e outras 4 pessoas despenha-se contra uma duna, durante uma tempestade de areia no Mali. As cinzas de Sabine são espalhadas no deserto, onde é erigida uma lápide em sua memória: a árvore de Thierry Sabine.

Vencedores – Motos: Cyril Neveu (Honda NXR); Autos: Metge/Lemoyne (Porsche 959); Camiões: Vismara/Minelli (UNIMOG Mercedes)

1987 – A dor de Auriol

(01/01, Place d’Armes, Versailles – 22/01, Lac Rose, Senegal)

Entrada de leão da Peugeot e Ari Vatanen, com o Peugeot 205 T16… com o Nº 205, a conseguir a primeira vitória na primeira tentativa, memso depois de um monumental capotanço! No entanto, este primeiro Dakar sem o seu fundador fica marcado pela imagem do sofrimento de Hubert Auriol, então líder nas Motos, a terminar a penúltima etapa com os dois tornozelos partidos.

Vencedores – Motos: Cyril Neveu (Honda NXR); Autos: Vatanen/Giroux (Peugeot 205); Camiões: De Rooy/Geusens/Van (DAF)

1988 – O roubo do Peugeot!

(01/01, Place d’Armes, Versailles – 22/01, Lac Rose, Senegal)

Edição histórica do Dakar. Lista de inscritos com 603 concorrentes (183 motos, 109 camiões e 311 automóveis), estreia de um tal Peterhansel e um dos mais célebres episódios da prova: o roubo do Peugeot 405 T16 de Vatanen! Desclassificado pela organização, o carro apareceria dias mais tarde, mas já Juha Kankkunen assegurava o segundo triunfo para a marca. Edi Orioli ‘substituiu’ Neveu na Honda, após este desistir na oitava etapa, com um pé partido – e venceu.

Vencedores – Motos: Edi Orioli (Honda NXR); Autos: Kankkunen/ Piironen (Peugeot 205); Camiões: Loprais/Stachura/Ingmuck (Tatra)

1989 – Estreia da Líbia

(25/12/1988, Porte de Versailles, Paris – 13/01/1989, Lac Rose, Dakar)

Ari Vatanen ‘bateu’ o seu colega de equipa, Jacky Ickx, porque Jean Todt receou que ambos se travassem de ‘razões? E, por isso, na paragem de Gao, pegou numa moeda de dez francos, atirou-a ao ar e decidiu assim quem iria ser o vencedor: Vatanen, que escolheu coroa. Stéphane Peterhansel não ‘engana’ ao terminar a sua segunda participação no quarto lugar, numa prova ganha por Gilles Lalay. Nos carros, só o quarto lugar de Guy Fréquelin impede um domínio da Peugeot no pódio (Ickx foi segundo).

Vencedores – Motos: Gilles Lalay (Honda NXR); Autos: Vatanen

1990 – Adeus Peugeot

(25/12/1989, Paris – 16/01/1990, Lac Rose, Dakar)

Pela primeira vez, uma equipa russa participa com uma viatura russa: é a estreia da Kamaz no Dakar. Nos carros, é o adeus da Peugeot, já que a marca francesa decide abandonar o seu envolvimento no Dakar, mas fá-lo como sempre quis: três primeiros lugares, três Peugeot! Nova vitória de Vatanen. Nas motos, Orioli repetiu a vitória de 1988, desta feita com uma Cagiva.

Vencedores – Motos: Edi Orioli (Cagiva); Autos: Vatanen/Berglund (Peugeot 405); Camiões: Villa/ Delfino/Vinante (Perlini)

1991 – Citroën e Schlesser

(29/12/1990, Chevill y, Paris – 17/01/1991, Lac Rose, Dakar)

Rei morto… rei posto! A Peugeot dá lugar à Citroën e três dos quatro pilotos do leão estão de regresso. Para não variar, Ari Vatanen volta a vencer – quarto sucesso! –, numa prova que contou com um motard de… Harley-Davidson e Peterhansel obtém a primeira vitória do seu palmarés, com uma Yamaha. Schlesser estreia um… Schlesser!

Vencedores – Motos: Stéphane Peterhansel (Yamaha); Autos: Vatanen/Berglund (Citroën XZ); Camiões: Houssat/De Saulieu/Bottaro (Perlini)

1992 – Auriol faz história

(25/12/1991, Château de Vincennes, Paris – 16/01/1992, Cape Town, South Africa)

A prova – Pela primeira vez, a prova não acabou em Dakar. Desta feita foi Paris-Cidade do Cabo! Uma prova transcontinental, com vitória histórica para Auriol. Depois das motos (81 e 83), o sucesso nas quatro rodas. Mas nem a entrada em cena do GPS evita a dureza da prova: tempestade de areia na Mauritânia, guerra no Chade e cheias na Namíbia. Peterhansel repetiu triunfo nas motos.

Vencedores – Motos: Stéphane Peterhansel (Yamaha); Autos: Auriol/Monnet (Mitsubishi Pajero); Camiões: Perlini/Albieiro/Vinante (Perlini)

1993 – Adeus TSO

(01/01, Trocadéro, Paris – 16/01, Lac Rose, Dakar)

A última edição do Dakar nas mãos da Thierry Sabine Organization. No seu segundo ano, Bruno Saby vence e oferece à Mitsubishi o tão procurado primeiro triunfo, tendo como navegador Dominique Serieys. Segunda derrota consecutiva da Citroën. Peterhansel continua imbatível nas duas rodas (terceira vitória seguida) e Auriol é o único piloto a ter estado presente nas 15 primeiras edições.

Vencedores – Motos: Stéphane Peterhansel (Yamaha); Autos: Saby/Serieys (Mitsubishi Pajero); Camiões: Perlini/Albieiro/Vinante (Perlini)

1994 – Paulo Marques & Bernardo Villar

(28/12/1993, Paris – 16/01/1994, Eurodisney, Paris)

Pela primeira vez, a prova terminou onde começou, Paris. Vatanen aposta no Mundial de Ralis e a Yamaha boicota a prova, deixando ‘Peter’ apeado. Aos comandos do Citroën ZX, Pierre Lartigue consegue a primeira vitória na estreia da ASO como organizador. Nas duas rodas, Edi Orioli Orioli ganhou pela terceira vez, na estreia de Paulo Marques (abandono) e Bernardo Villar (23º).

Vencedores – Motos: Edi Orioli (Cagiva); Autos: Lartigue/Périn (Citroën ZX); Camiões: Loprais/Stachura/Kalina (Tatra)

1995 – O novo patrão

(01/01, Granada, Espanha – 15/01, Lac Rose, Dakar)

Depois de piloto de motos e carros, só faltava a Auriol ser director de prova. Lartigue toma-lhe o gosto e volta a vencer, terceira vitória da Citroën – e segunda do francês, com Peterhansel a vingar-se do ano sabático a que a Yamaha o obrigara no ano anterior. Marcel Hugueny torna-se o decano do Dakar, com 81 anos! Jacques Lafitte e Philippe Alliot trocam a F1 pelo Dakar.

Vencedores – Motos: Stéphane Peterhansel (Yamaha); Autos: Lartigue/Périn (Citroën ZX);

Camiões: Loprais/Stachura/Kalina (Tatra)

1996 – A estreia de Carlos Sousa

(30/12/1995 – Granada, Espanha – 14/01/1996, Lac Rose, Dakar)

Despedida em grande da Citroën, com quatro ZX nos cinco primeiros lugares e Lartigue pela terceira vez no lugar mais alto do pódio, enquanto Orioli volta a impor-se nas duas rodas (4ª vitória) – apesar de ter trocado da marca – depois de Peterhansel perder muito tempo (3 horas) num reabastecimento em Marrocos, com gasolina de fraca qualidade. Primeira vitória para a Kamaz. Estreia de Carlos Sousa (12º).

Vencedores – Motos: Edi Orioli (Yamaha); Autos: Lartigue/Périn (Citroën ZX); Camiões: Moskovskikh/Kouzmine (Kamaz)

1997 – Regresso ao Ténéré

(04/01, Dakar – 19/01, Lac Rose, Dakar)

Pela segunda vez, a prova começou e terminou no mesmo local. Mas agora Dakar em vez de Paris. E, pela primeira vez, não foi à Europa. Percurso com um regresso ao passado e primeira vitória para um japonês: Kenshiro Shinozuka. Sem os Citroën, a Mitsubishi não teve grande dificuldades em triunfar, com quatro Pajero nos quatro primeiros lugares. Também Jutta Kleindschmidt dá nas vistas ao ser quinta e tornando-se a primeira mulher a ganhar uma etapa. Na ocasião, aos comandos de um buggy do namorado… Schlesser. Carlos Sousa foi 10º. Nas motos, Peterhansel vingou-se do azar do ano anterior.

Vencedores – Motos: Stéphane Peterhansel (Yamaha); Autos: Shinozuka/Magne (Mitsubishi Pajero); Camiões: Reif/Deinhofer (Hino)

1998 – Última de Peterhansel nas motos

(01/01, Pl ace d’Armes, Versaille s – 18/01, Lac Rose, Dakar)

Dez anos depois da estreia, Stéphane Peterhansel consegue, finalmente, colocar um ponto final nas suas participações em duas rodas, obtendo o sexto triunfo, mais um que o compatriota Cyril Neveu. Também na 20ª edição da mítica africana, Jean-Pierre Fontenay manteve a Mitsubishi no topo, terminando na frente dos seus colegas de equipa Shinozuka, Saby e Masuoka.

Vencedores – Motos: Stéphane Peterhansel (Yamaha); Autos: Fontenay/Picard (Mitsubishi Pajero); Camiões: Loprais/Stachura/Cermak (Tatra)

1999 – Domínio francês

(01/01, Granada, Espanha – 17/01, Lac Rose, Dakar)

17 anos depois da última vitória de um Renault, Jean-Louis Schlesser leva o seu buggy ao lugar mais alto do pódio. Ao mesmo tempo, outro francês (Richard Sainct) oferece à BMW a primeira vitória nos últimos 14 anos. Kleindschmidt passa pela liderança e Peterhansel estreia-se aos comandos de um automóvel.

Vencedores – Motos: Richard Sainct (BMW); Autos: Schlesser/Monnet (Buggy); Camiões: Loprais/Stachura/Kalina (Tatra)

2000 – Ameaças terroristas

(06/01, Dakar, Senegal – 23/01, Cairo, Egipto)

Num ano que contou com 11 participantes em quad – entre os quais Ricardo Leal dos Santos – e novas vitórias de Schlesser e Sainct, a edição de 2000 ficou sobretudo marcada pelas ameaças terroristas que levaram a organização a suspender a prova durante cinco dias, terminando no Egipto. Em termos desportivos, tudo igual ao ano anterior, com Sainct a ganhar nas motos e Schlesser nos carros. Depois de ganhar duas etapas, Carlos Sousa sofreu sério acidente quando lutava pelo comando, sendo hospitalizado, tal como seu navegador, João Luz.

Vencedores – Motos: Richard Sainct (BMW); Autos: Schlesser/Magne (Buggy Renault Elf); Camiões: Chagin/Yakoubov/Savostine (Kamaz)

2001 – Viva o sexo fraco!

(01/01, Champ de Mars, Paris – 21/01, Lac Rose, Dakar)

Depois da primeira especial e da liderança, Jutta Kleinschmidt tornou-se a primeira mulher a ganhar a prova, com Carlos Sousa a falhar por pouco o triunfo, terminando em 5º lugar e vencendo duas etapas. Primeira vitória da KTM, nas motos, com Fabrizio Meoni.

Vencedores – Motos: Fabrizio Meoni (KTM); Autos: Kleinschmidt/Schulz (Mitsubishi Pajero); Camiões: Loprais/Kalina (Tatra)

2002 – “Peter” quase, quase…

(28/12/2001, Arras – 13/01/2002, Lac Rose, Dakar)

Hiroshi Masuoka consegue a primeira vitória no Dakar, com Meoni a repetir o primeiro lugar do ano anterior. Depois de no ano passado ter estado perto de vencer, Sousa repete igualmente a posição, voltando a terminar a prova no quinto posto.

Vencedores – Motos: Fabrizio Meoni (KTM); Autos: Masuoka/Malmon (Mitsubishi Pajero); Camiões: Chagin/Mardeev/Savostine (Kamaz)

2003 – A última de Sainct

(01/01, Marseille – 19/01, Sharm El Sheikh, Egipto)

O Dakar festeja a sua 25ª edição. Sainct vence e junta-se aos grandes nomes da prova com três vitórias, enquanto Masuoka volta a vencer, mas é Peterhansel a dar nas vistas, por pouco não se tornando apenas o segundo piloto a vencer em duas e quatro rodas. Carlos Sousa consegue o seu melhor resultado de sempre, o 4º lugar, atrás dos seus colegas da equipa Mitsubishi, Peterhansel (3º), Fontenay (2º) e Masuoka. 4º. Regresso da VW…

Vencedores – Motos: Richard Sainct (KTM); Autos: Masuoka/Schulz (Mitsubishi Pajero); Camiões: Chagin/Yakoubov/Savostine (Kamaz)

2004 – Mitsubishi x 10

(01/01, Région d’Auvergne – 18/01, Lac Rose, Dakar)

Com Carlos Sousa ausente – venceu a Taça do Mundo no ano anterior, mas o orçamento ficou curto –, Stéphane Peterhansel consegue a ambicionada vitória, tal como Nani Roma, no segundo triunfo da KTM. O espanhol teve que esperar pela nona participação para o conseguir! Primeira vitória de um Diesel em etapas (Luc Alphand em BMW) e estreia de Colin McRae.

Vencedores – Motos: Nani Roma (KTM); Autos: Peterhansel/Cottret (Mitsubishi); Camiões: Chagin/ Yakoubov/Savostine (Kamaz)

2005 – Born in the USA

(31/12/2004, Barcelona – 16/01, Lac Rose, Dakar)

Ainda sem o carro que o tornará famoso, Robby Gordon troca as pistas da Nascar pela areia do Dakar. Com Carlos Sousa de regresso com um sétimo lugar e Guerlain Chichérit a vencer o ‘Volante Dakar’ (menos de 30 anos). Peterhansel repetiu o triunfo do ano anterior e, nas motos, foi a estreia de Cyril Despres no lugar mais alto do pódio, no ano em que morreu Fabrizio Meoni, que tinha ganho a prova duas vezes.

Vencedores – Motos: Cyril Despres (KTM); Autos: Peterhansel/Cottret (Mitsubishi); Camiões: Kabirov/ Belyaev/Mokeev (Kamaz)

2006 – Olá Portugal!

(31/12/2005, Praça do Império, Lisboa – 15/01/2006, Lac Rose, Dakar)

Finalmente, o Dakar passa por Portugal. 300 mil pessoas passam por Lisboa para ver de perto a caravana da prova, em ano de estreias: Carlos Sainz faz o seu primeiro Dakar e Luc Alphand obtém a primeira vitória, mas trocando o BMW por um Mitsubishi. De resto, a KTM continuou imbatível, mas agora com Marc Coma. Sousa voltou a ser 7º e, nas motos, Hélder Rodrigues foi o melhor, em 9º. Também Rúben Faria dá nas vistas, ao vencer a segunda especial.

Vencedores – Motos: Marc Coma (KTM); Autos: Alphand/Picard (Mitsubishi); Camiões: Chagin/ Yakoubov/Savostine (Kamaz)

2007 – Portugueses brilham no arranque

(06/01, Praça do Império, Lisboa – 21/01, Lac Rose, Dakar)

Nova partida de Portugal e os ‘nossos’ não perdem tempo. Carlos Sousa vence a primeira classificativa, enquanto Hélder Rodrigues e Rúben Faria fazem o mesmo nos dois dias seguintes. Mesmo sem o saber, Peterhansel obtém a sua última vitória no Dakar aos comandos de um Mitsubishi (a nona da carreira, terceira nos carros). Sousa foi 7º pela 3º vez seguida… mas sendo o 2º melhor VW. Segunda vitória de Despres, nas motos, onde a KTM continuou a dominar. Nas motos, Rodrigues foi 5º.

Vencedores – Motos: Cyril Despres (KTM); Autos: Peterhansel/Cottret (Mitsubishi); Camiões: Stacey/ Gotlib/Der Kinderen (MAN)

2008 – Medo vence Dakar

(05/01, Praça do Império, Lisboa – 20/01, Lac Rose, Dakar)

A 30ª edição do Dakar prova foi anulada após ameaças terroristas, na véspera da partida da Praça do Império, nos Jerónimos, em Lisboa. Depois de dois anos fantásticos na passagem do Dakar por Portugal, o destino seria a América do Sul, e a África despediu-se, até ver, do Dakar.

2009 – No fim do Mundo

(03/01, Buenos Aires, Argentina – 15/01, Buenos Aires, Argentina)

Depois do fiasco do ano anterior, o Dakar rumou à América do Sul. Razões para queixas teve a BMW – Nasser Al Attiyah fez batota e foi afastado pela equipa quando era forte candidato à vitória – e, sobretudo, a Mitsubishi. Três dias, três abandonos, sobrando apenas Nani Roma. Primeira vitória de um diesel, o do VW de Giniel de Villers. Nas motos, Coma foi o vencedor, repetindo o triunfo de 2006, sempre com a KTM, depois de mais uma luta com Despres. Hélder Rodrigues foi de novo 5º.

Vencedores – Motos: Marc Coma (KTM); Quads: Josef Machacek (Yamaha); Autos: De Villiers/Von Zitzewitz (VW); Camiões: Kabirov/Belayev/Mokeev (Kamaz)

2010 – Estreia de Carlos Sainz

(02/01, Buenos Aires – 16/01, Buenos Aires)

Carlos Sainz estreia-se a vencer no Dakar, mas quem entusiasmou foi Nasser Al-Attiyah, e por pouco não roubou a glória ao espanhol. Num pódio VW, destaque ainda para comitiva nacional: Sousa (6º) liderou nos automóveis e Rodrigues (4º) nas duas rodas. Cyril Despres dominou venceu nas motos numa edição em que Portugal conseguiu o melhor resultado de sempre com Rodrigues (4º).

Vencedores – Motos: Cyril Despres (KTM); Quads: Marcos Patronelli (Yamaha); Autos: Sainz/Cruz (VW); Camiões: Chagin/Savostin/Nikolaev (Kamaz)

2011 – Triunfo de Nasser Al-Attiyah

(01/01, Buenos Aires – 15/01, Buenos Aires)

Nasser Al-Attiyah vingou a ‘afronta’ do ano anterior, liderando um pódio totalmente VW. Nas motos, o duelo Coma-Despres, que se iniciou em 2005, ainda em África, continuou – mas, agora, com resultado favorável ao espanhol, pela terceira vez na sua carreira. Vladimir Chagin faz história com a conquista do seu sétimo Dakar, um recorde absoluto. Entre as cores nacionais, Hélder Rodrigues foi ao pódio – o melhor resultado português de sempre, e Ricardo Leal dos Santos termina em sétimo.

Vencedores – Motos: Marc Coma (KTM); Quads: Alejandro Patronelli (Yamaha); Autos: Al-Attiyah/Gottschalk (VW); Camiões: Chagin/ Savostin/Shaysultanov (Kamaz)

2012 – Raposa do deserto

(01/01, Mar del Plata, Argentina – 15/01, Lima, Peru)

Não se chama Erwin Rommel, mas sim Stéphane Peterhansel. A MINI confirma o favoritismo com a décima vitória do francês, a sua primeira na América do Sul. Cyril Despres vence a batalha com Marc Coma, numa edição muito polémica pois o francês ficou atolado na lama da polémica etapa 8, ‘ganhando’ depois na secretaria o tempo que então perdeu para o catalão. Carlos Sousa é sexto com os chineses da Great Wall e Hélder Rodrigues é novamente terceiro classificado.

Vencedores – Motos: Cyrl Despres (KTM); Quads: Alejandro Patronelli (Yamaha); Autos: Peterhansel/Cottret (MINI); Camiões: De Rooy/Rodewald/Colsoul (Iveco)

2013 – Melhor resultado português de sempre

(05/01, Lima , Peru – 20/01, Santiago, Chile)

Stéphane Peterhansel vence a prova pela 11ª vez, entre autos e motos, numa prova que fica marcada pelo segundo lugar de Rúben Faria nas motos, a melhor classificação de um português no Dakar. Cyril Després vence pela quinta vez e igual Cyril Neveu em vitórias. Paulo Fiúza é quinto ao lado de Orlando Terranova, e Helder Rodrigues é apenas sétimo na estreia com a Honda, que lhe deu imensos problemas. Carlos Sousa também repetiu – mas o 6º lugar, com o Haval.

Vencedores – Motos: Cyril Despres (KTM); Quads: Marcos Patronelli (Yamaha); Autos: Peterhansel/Cottret (MINI); Camiões: Nikolaev/ Savostin/Rybakov (Kamaz)

2014 – Nani Roma vence, Quandt ‘decide’

(04/01, Rosario, Argentina – 18/01, Valparaiso, Chile)

Nani Roma venceu a prova, mas este triunfo foi uma ‘oferta’ de Sven Quandt, que impediu que Stéphane Peterhansel lutasse até ao fim com o espanhol, que demonstrou ser menos eficaz em velocidade pura e em luta direta que o francês. Nas motos, Coma regressou e ganhou de novo, dominando no ano em que Despres trocou a KTM pela Yamaha. Hélder Rodrigues foi 5º.

Vencedores – Motos: Marc Coma (KTM); Quads: Ignacio Casale (Yamaha); Autos: Roma/ Perin (MINI); Camiões: Karginov/Mokeev/ Devyatkin (Kamaz)

2015 – Paulo Gonçalves em 2º

(04/01, Buenos Aires, Argentina – 18/01, Buenos Aires, Argentina)

Nasser Al-Attiyah venceu pela segunda vez o Dakar, numa prova que dominou de fio a pavio. A Toyota deu luta mas ainda não tem carro para a MINI. Boas prestações dos pilotos lusos. Nos autos, sem o erro de navegação que lhe custou 40 minutos, Carlos Sousa teria lutado por um lugar no top 5. Ricardo Leal dos Santos terminou o Dakar na 25ª posição. Nas Motos, Paulo Gonçalves igualou o melhor resultado de sempre de Portugal – igualando o melhor resultado de sempre obtido por um motard português na prova, Ruben Faria em 2013. Ruben Faria terminou o Dakar em sexto, a sua segunda melhor classificação na prova, e o 12º lugar de Hélder Rodrigues foi o seu pior resultado de sempre nesta prova. Mário Patrão abandonou.

Vencedores – Motos: Marc Coma (KTM); Quads: Rafal Sonik (Yamaha); Autos: Attyah/Baumel (MINI); Camiões: Mardeev/Belyaev/Svistunov (Kamaz)

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“Um desafio para os que partem. Um sonho para os que ficam””