Land Rover Defender, um mito, que vai regressar ao Dakar


O Land Rover Defender é um dos nomes mais emblemáticos no universo dos veículos 4×4. Aperfeiçoado desde o Land Rover original, lançado em 1948, o modelo britânico teve um desenvolvimento contínuo que não lhe retirou nem o carisma, nem a imagem de resistência sob as mais hostis condições.

A grande novidade e o foco principal é que, a partir de 2026, a Defender vai competir oficialmente no Rali Dakar com uma equipa de fábrica, como parte de um programa de três anos no Mundial de Rally-Raid (W2RC), na Categoria Stock, que é destinada a veículos baseados na produção. Esta categoria terá regulamentos novos e bastante revistos a partir de 2026, sendo vista como a plataforma perfeita para demonstrar a extrema capacidade e durabilidade do Defender de produção.

O programa oficial de rali-raid da Defender terá o apoio técnico da Prodrive, um grupo britânico de engenharia de desportos motorizados com vasta experiência.

Já foram confirmados nomes fortes para a equipa. O lendário Stéphane Peterhansel, 14 vezes vencedor do Dakar, será um dos pilotos principais. Também se junta à equipa o jovem talento lituano Rokas Baciuška, campeão do W2RC.

A eterna evolução do legado Land Rover

A Land Rover sempre foi um caso ‘sui generis’ de evolução. Cada novo lançamento do construtor britânico mantinha grande parte das características mecânicas e estéticas dos modelos anteriores. Aquele que é talvez o seu produto mais emblemático, o Defender, descende do Land Rover 110 lançado em 1983, que por sua vez é uma evolução dos lendários Land Rover Series que deram origem à marca, em 1948.

Os irmãos Maurice e Stephen Wilks criaram o primeiro Land Rover na sua quinta em Newborough, no País de Gales. O Series I utilizava o chassis de um Jeep Willys e um motor Rover, empresa onde os irmãosWilks eram quadros superiores. A filosofia manteve-se inalterada até hoje: produzir um veículo robusto com uma mecânica simples e comprovada, capaz de servir o seu proprietário em qualquer tarefa de trabalho e em qualquer terreno.

Lançado em 1971, o Series III é o “antepassado” direto do Land Rover 110, um número que fazia referência à distância entre eixos (110 polegadas = 2,794 metros). O 110 era uma evolução da plataforma mecânica do Series III, apesar de exteriormente existirem poucas diferenças entre os dois jipes. Mantinha-se a estética de aspeto básico, com a carroçaria de ângulos retos que ainda hoje o Defender apresenta orgulhosamente. Um ano após o 110 a Land Rover lançou o 90 e pouco depois seguiu-se o 127. Este último, com uma maior distância entre eixos (3,226m), foi pensado especificamente para as companhias elétricas e para uso militar. O 127 podia transportar 1,4 toneladas de carga contra as 1,06 toneladas do 110 e os 600 quilos do 90.

Evolução dos motores A primeira versão do Land Rover 110 estava disponível com os mesmos motores do Series III: os 2.3 a Diesel e gasolina, e um 3.5 V8 a gasolina. Também aqui a evolução da Land Rover foi lenta mas gradual. Quando o 90 foi lançado, a marca apresentou um motor 2.5 Diesel de 68 cavalos que era uma versão aumentada do lendário 2.3 que durante décadas serviu os Land Rover. Ao longo da sua história, a marca tinha sido criticada pelos seus motores pouco potentes, numa opção que privilegiava a simplicidade do conceito e a resistência em baixas velocidades e altas rotações.

Em 1986, ameaçada pelos rivais japoneses, a Land Rover apresentou uma versão turbo-diesel do seu 2.5. A nova motorização, com a potência aumentada para os 85cv e um binário de 203Nm às 1800rpm, foi instrumental na revitalização da Land Rover. No início da década de 1990 a marca britânica substituiu as designações 90 e 110 por Defender.

O Discovery tinha sido lançado em 1989 e havia necessidade de diferenciar os dois modelos. Com o Discovery surgiu também um novo motor turbo-diesel que foi adotado pelo Defender, embora numa versão ligeiramente menos potente (107 cavalos) devido a uma utilização-tipo diferente. A principal renovação nos motores do Defender surgiu em 1998 com o Td5. Este novo bloco 2.5 turbo-diesel tinha cinco cilindros em linha e uma unidade de controlo eletrónico que inicialmente chocou alguns dos “puristas” da Land Rover. Ao contrário do seu antecessor, o Td5 cumpria as restrições europeias de emissões e tornou-se o único motor disponível no Defender. No final de 2006, já sob o controlo da Ford, a Land Rover substituiu o Td5 por um 2.4 de quatro cilindros da gama Duratorq, também utilizado na Ford Transit. Isto tornaria o Td5 o último motor Land Rover a ser produzido na fábrica de Solihull.

Com o novo propulsor, o binário subiu dos 300 Nm para os 359Nmdevido à utilização do turbo de geometria variável. Motores cada vez mais potentes e uma mecânica simples e robusta perpetuaram o mito do Defender até aos nossos dias.

Algumas versões especiais

O Defender é ainda hoje (era, em 2009) um veículo construído quase inteiramente à mão. Há mesmo uma anedota entre os entusiastas Land Rover que diz, “Quando comprares um Defender escolhe um que tenha sido feito antes da hora de almoço”… As versões militares também são um dos filões históricos do Defender. O “British Army” utiliza os Land Rover desde os anos 50, mas recentemente foi criticado pelo uso dos Defender nas missões no Iraque e no Afeganistão. A maioria dos Defender não tem a carroçaria suficientemente blindada para defender os seus ocupantes de morteiros e outros engenhos explosivos. A versão SNATCH foi pensada para resistir a pequenas armas de fogo e projéteis lançados à mão como na Irlanda do Norte. Os Land Rovers do exército britânico receberam o nome de código “Wolves”, e são sobretudo versões do 110 devido à maior capacidade de carga face ao 90. A Land Rover tem mesmo uma unidade de Veículos Especiais cujas criações ostentam normalmente as iniciais SV. É o caso do Defender SV90 de 1992 ou o Defender 50th Anniversary, equipado com o bloco 4.0 V8 do Range Rover e lançado em 1998 para comemorar os 50 anos do Series I.

Em 2011, a Land Rover anunciou um update para o Defender, mas nessa altura já se trabalhava num substituto. O DC100 concept foi apresentado em setembro desse ano, mas devido à cada vez maior pressão dos reguladores, o último Defender, um soft-top ‘90’ saiu da linha de produção de Solihull às 9h22 duma sexta-feira, 29 de janeiro de 2016.

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