O OFFROAD FICOU MAIS POBRE

Por a 16 Março 2020 10:04

Morreu Rodrigo de Vasconcelos. Para lhe prestarmos a merecida homenagem não encontrámos nada melhor do que pedir ao seu irmão, Pedro Gil de Vasconcelos, que nos recordasse o seu irmão. Aqui fica…

Há pouco falava com um amigo, desses que o são, e ele colocou no ar uma questão, mais retórica do que propriamente à espera de uma resposta, pois tal como eu sabia que à data essa resposta não existe. Acho que a tal pergunta resume muito do que foi a carreira do meu irmão Rodrigo, que fez do Autocross e depois do Ralicross a sua paixão. Viveu essa paixão com uma intensidade única e essa intensidade valeu-lhe amigos para sempre, e inimizades eternas.
O Rodrigo era dessas pessoas de oito ou oitenta, e pelo meio nada.
Os amigos entendem o que digo e certamente que os inimigos, pelo menos os mais inteligentes, também. Independentemente de tudo era um apaixonado.
Foi fundador da Secção Automóvel da Associação de Cultura Musical de Lousada, que mais tarde deu origem ao Clube Automóvel de Lousada, foi Diretor de Prova, jornalista, piloto, cronometrista, e sobretudo incomodou todos aqueles que ele entendeu que não estavam a beneficiar a sua paixão.
Em contrapartida era também aqui que tinha alguns dos melhores amigos que alguém pode querer ter.
O Ralicross, juntamente com a Nena, a minha cunhada, eram os seus esteios e, por isso, ainda no passado fim-de-semana esteve em Sever do Vouga.
Estava debilitado, devido ao cancro que que ele teimava em contrariar há um bom par de anos, e por isso das corridas pouco viu, mas pôde ouvir o brulho, cheirar o ar e sobretudo sentir o carinho dos amigos. Depois morreu.
Ah! Qual era pergunta? Era simplesmente: “E agora, quem é que vai olhar para aquele pormenor no regulamento, aquele que ninguém nota e vai levantar a lebre, quem é que vai questionar as coisas?”

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