Chitty Chitty Bang Bang (1921/1924): Monstros de corrida


“Chitty Chitty Bang Bang” não é apenas o nome do filme de Ken Hughes, onde a família Potts (o pai Caratacus, aka Dick Van Dyke e o filho Jeremy, aka Adrian Hall) tinha por hobby fazer corridas com carros vintage e, depois de descobrir o “nosso” carro, o reconstruiu, dando-lhe a ternurenta alcunha de “Chitty Chitty Bang Bang” por causa do ronronar do seu enorme motor. O “Chitty” existiu mesmo, para lá da pena imaginária de Ian Fleming, o autor da história infantil, escrita para o seu filho Caspar e que quatro anos depois da sua publicação deu origem ao filme – isto é, existiram dois exemplares.

Ambos construídos, entre 1921 e 1924, pelo conde francês de ascendência polaca Louis Vorow Zborowski e pelo britânico Clive Gallop, um oficial que mais tarde veio a trabalhar para a Bentley. Os carros foram todos feitos em Higham Park, perto de Canterbury – e eram tão barulhentos que a câmara local fez uma lei proibindo-os de entrar no perímetro urbano. O “Chitty I” era baseado num chassis Mercedes, com um motor Maybach de 6 cilindros e 23 (!) litros de cilindrada.

Venceu as duas primeiras provas em que participou, na oval de Brooklands. A sua velocidade máxima era próxima dos 170 km/h e o carro tinha quatro lugares. Depois, retiraram-lhe dois lugares e puseram-lhe um radiador externo: passou a atingir velocidades na ordem dos 200 km/h. Isto, em 1922! Mas teve um acidente, ficando quase destruído e causando a amputação de três dedos de uma mão a um dos tomadores de tempos oficiais.

Reconstruído, foi entregue à família de Arthur Conan Doyle, o escritor, que o retirou das pistas e fez em bocados, para venda. O “Chitty 2” veio a seguir e tinha um motor de avião Benz BZ IV de 18,8 litros. Não foi tão bem sucedido, mas chegou a atravessar o deserto do Sahara, em 1922. Hoje, é propriedade de um museu inglês. Zborowski morreu num Mercedes, em Monza, no GP de Itália, em 1924.