O fenómeno Michael Schumacher


Pouco depois de ter garantido o seu sétimo título Mundial, colocámos um conjunto de personalidades do desporto automóvel a falar sobre Schumacher. Catorze anos depois, recordamos esses momentos…

Não deixa ninguém indiferente, suscita a admiração da maioria e tem já um lugar reservado na galeria restrita das grandes figuras da Fórmula 1. Há quem o considere o maior piloto de sempre, mas mesmo quem não concorde com tal estatuto, ou considere que não faz sentido a comparação entre pilotos de épocas muito diferentes, admitirá facilmente que ele é um dos grandes protagonistas da história dos Grandes Prémios, um dos pilotos mais talentosos que jamais se sentaram ao volante de carros de competição e enfrentaram as pistas de todo o Mundo.

Referimo-nos, claro, a Michael Schumacher, ao fenómeno Michael Schumacher, que construiu um palmarés impressionante entre 1994 e 2004, na Fórmula 1, mantendo-se imbatível desde o início do século XXI, até, precisamente, 2004. Há pouco mais de uma semana, garantiu, por antecipação, a conquista do sétimo título de Campeão do Mundo, que é o quinto consecutivo, duas façanhas que ninguém tinha conseguido antes dele, a juntar a muitas outras que o tornam único, pelo menos no panorama atual da Fórmula 1.

O seu sucesso transformou-o numa espécie de “caça recordes”. A maioria dos múltiplos recordes que constam das estatísticas da F1 já está nas suas mãos. Por isso, sempre que conquista uma vitória, ou simplesmente a “pole position” ou a melhor volta duma corrida, estabelece novos patamares a bater.
Com Michael Schumacher, o difícil parece fácil, como é sublinhado em algumas das opiniões expressas sobre o piloto alemão e o que parece impossível torna-se viável… Por isso, é corrente surpreender os adversários com estratégias de corrida inesperadas. Por isso, ultrapassou já quase todos os recordes dos míticos Fangio, Clark, Senna e Prost.

O mais impressionante em Michael Schumacher, porém, é a motivação intacta e a determinação que apresenta 14 anos depois de se ter estreado na F1, ao cabo de 208 Grandes Prémios, que o levou a ser Campeão do Mundo em mais de metade das épocas completas que já efectuou, e a lutar pelo título na maioria das restantes…

No final deste ano, somará 212 participações em corridas de F1, tornando-se assim o segundo piloto com a carreira mais extensa na disciplina, batido apenas pelos 256 GP’s de Riccardo Patrese. Apesar disso, Michael Schumacher não parece saciado e continua a apresentar determinação e motivação a toda a prova. Na semana passada desmentiu os rumores de que poderia abandonar a F1 no final da época, reafirmando que iria cumprir o seu contrato actual com a Ferrari, que se prolonga até ao final de 2006.

Em mais duas épocas, até onde poderá chegar Michael Schumacher? E que réplica conseguirão dar-lhe os seus adversários, afinal os principais responsáveis pela falta de competição de que alguns acusam a actual F1? Pelas opiniões recolhidas junto das principais figuras da F1, bem como de muitos dos que trabalham, ou trabalharam, com ele, fica a certeza de que estamos perante um piloto verdadeiramente excepcional, a “superestrela” de que todos os desportos necessitam, segundo Bernie Ecclestone.

O que representa, afinal, Michael Schumacher para a F1? Muito segundo a maioria, nada de especial segundo (muito) poucos…

Michael Schumacher
“É difícil falar sobre mim mesmo. Deixo essa tarefa para os outros.”

Bernie Ecclestone:
“Ele é uma superestrela e todos os desportos precisam de ter uma, pelo menos. Não vejo como se possa considerar que ele é prejudicial para a Fórmula 1. Pelo contrário, serve de estímulo para que todos tentem vencê-lo.”

Luca di Montezemolo, Presidente da Ferrari:
“É impressionante, está a viver uma segunda juventude. Nunca o vimos tão estimulado, e como mantém uma enorme motivação, tira ainda melhor partida da sua grande experiência, e do seu enorme talento. As nossas portas estarão sempre abertas para ele, mas respeitaremos o dia em que desejar parar.”

Flavio Briatore, Director da RenaultF1:
“Já foi tudo dito a respeito de sua capacidade como piloto. O Michael criou um novo padrão de referência para todos os que desejam ser pilotos de Fórmula 1. Mas gostaria de acrescentar que a nossa equipa, na altura em que ainda se chamava Benetton, teve um papel decisivo na sua formação como piloto.”

Ross Brawn, Director Técnico da Ferrari:
“Sempre foi muito determinado, mas hoje mostra um entusiasmo que nunca tinha visto, nem na época da Benetton. Nunca se irá cansar de ganhar…”

Frank Williams, Director da WilliamsF1:
“O Michael merece os sete títulos que conquistou. O seu sucesso está a influenciar a F1, ao exigir que os novos pilotos considerem os seus limites técnicos e físicos como referência.”

Niki Lauda, Campeão do mundo em 1975, 1977 e 1984:
“Os seus resultados falam por si. Tem a extraordinária capacidade de manter-se motivado e realizar o que parece impossível. Para isso, trabalha muito e procura descobrir como pode melhorar cada detalhe, apesar de já ser o melhor em todos eles. O Michael é uma benção para a F1… Em cada prova, os fãs desejam descobrir algo de novo nele, e ele não os decepciona.”

Ralf Schumacher, piloto da Williams:
“As pessoas estranham que ele não se canse, que não dê o menor sinal de fadiga, que não ceda. Isso resulta do facto dele não repousar sobre os louros de cada vitória. Uma das maiores capacidades do meu irmão é tirar o máximo partido das coisas, de cada situação. Mas cuidado, não deve ser mitificado… É um ser humano que, sob pressão, também comete erros.”

Paul Stoddart, Director da Minardi:
“Ainda não estamos completamente conscientes da valia do espectáculo que Michael nos oferece em cada corrida. Quando se retirar, e virmos que ninguém será capaz, sequer, de se aproximar do que ele faz, compreenderemos que a sua passagem pela F1 foi ainda mais relevante do que pensávamos. Chegaremos à conclusão de que, poder vê-lo de perto na pista, como fazemos agora, é uma felicidade de que não estamos ainda conscientes… Todos falarão ainda mais dele no futuro, como um fenómeno, e nós tivemos o privilégio de podermos acompanhar a sua carreira.”

Jackie Stewart, Campeão do mundo em 1969, 1971 e 1973:
“O Michael é a prova viva de que, hoje, para ter sucesso na F1, não basta ser apenas um bom piloto.”

Rubens Barrichello, companheiro de equipa na Ferrari:
“Um piloto brilhante, apoiado por uma equipa brilhante, disposta a tudo para o fazer vencer.”

Luca Baldisserri, Chefe dos engenheiros de pista da Ferrari:
“Dentre as várias facetas do Michael, sublinho a sua humildade. Este ano menos, mas na época passada, quando o Rubens foi várias vezes mais rápido do que ele, solicitava os gráficos de telemetria para comparar o desempenho de ambos e estudar o que deveria fazer para melhorar o seu, sem esconder isso de ninguém!”

Felipe Massa, piloto titular da Sauber e piloto de testes da Ferrari:
“Todos os pilotos têm os seus pontos fortes e fracos, excepto o Schumacher… Como piloto, ele é o máximo em todos os aspectos. Mas há um outro factor a ter em conta: nunca vi um piloto com a sorte dele, pois a sorte procura os mais competentes!”

Norbert Haug, diretor da Mercedes
“Só conquistou tantos sucessos porque trabalhou muito, e porque continua a fazê-lo. Quando chegou à Ferrari, com certeza não encontrou a melhor equipa da F1, mas dedicou-se à sua reconstrução e investiu tanto nisso, que os resultados estão aí! Para a história da F1, ficará como o exemplo a seguir. Conhecê-lo como homem, provocou em mim uma admiração tão profunda, como a que tenho por ele como piloto.”

Pat Symonds, Engenheiro-chefe de pista da RenaultF1:
“A sua obsessão pelos detalhes, a sua concentração e competência em tudo o que faz, são impressionantes. Tenho a certeza de que o grande equilíbrio da sua vida pessoal e familiar tem enorme influência no que é. Mesmo considerando todos os desportos, não vejo ninguém com capacidade para se lhe poder equiparar.

Pierre Dupasquier, Director de competição da Michelin:
“Com toda a certeza, sem ele a Ferrari não seria o que é. O seu poder de estimular toda a gente, é único. Devemos estar todos agradecidos por tê-lo na F1, por ter criado uma nova referência competitiva na disciplina.”

Ove Andersson, Consultor da Toyota:
“Dedica-se como um louco e está sempre motivado. Possui um talento incrível para fazer o grupo concentrar-se num único objectivo: trabalhar com ele e para ele.”

Juan Pablo Montoya, piloto da Willliams
“Com o seu carro, vários pilotos seriam capazes de enfrentá-lo…”

Eddie Jordan, Director da Jordan Grand Prix:
“Ele tem a capacidade incrível de fazer as pessoas sentirem-se estúpidas, ao dar a impressão de que tudo o que faz é muito fácil de ser executado… Só quando outros tentam fazer o mesmo que ele, é que percebem ser tudo muito mais complexo do que parecia. Nunca vi, e acho que nunca verei, um piloto tão completo como ele.”