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Gary Hocking: Ironias do destino

Ele Há coisas mesmo do Diabo! Quem se lembra de um galês chamado Gary Hocking? Decerto, quase ninguém – apesar dele ter sido um dos grandes pilotos dos finais da década de 50 e início da de 60, nas provas de duas rodas. O seu nome vem a propósito, nesta crónica, por causa daquilo a que muitos teimam em chamar destino. Os pilotos são, quase por definição, muito supersticiosos. Hocking não era excepção. Em 1962, a primeira prova do Mundial de Motociclismo era a terrível Isle of Man.

Na corrida do Júnior TT, Hocking terminou em 2º lugar, com a sua MV – mas viu morrer à sua frente o seu amigo e colega de equipa Tom Phillis. Profundamente afetado, o piloto ainda conseguiu ganhar no Sénior TT mas, no final, anunciou o seu abandono das duas rodas e retirou-se para a Rodésia.

Porém, estava escrito que não podia fugir ao seu destino. Talento enorme e precoce, o chamamento das pistas foi mais forte – e, em dezembro, decidiu que era altura de se estrear nos automóveis e inscreveu-se no Grande Prémio do Natal, então uma das muitas provas de F1 extra-campeonato que se realizavam anualmente, um pouco por todo o Mundo. Infelizmente, Hocking teve um acidente ainda nos treinos, ao volante de um Lotus 24 e morreu a caminho do hospital.

Apesar de ter nascido no País de Gales, Gary Stuart Hocking foi muito cedo para a Rodésia, então uma colónia britânica. Começou a correr muito novo, em pistas de cinza e de relva e depois comprou uma Manx Norton de 350cc, com que se iniciou nas pistas. Seguindo os passos de Ray Amm e Jim Redman, voou para a Europa e, aos 21 anos, juntou-se ao Continental Circus. Asua primeira corrida foi em 1958, o GP da Holanda de 500cc, onde terminou em 6º lugar. Entre 1958 e 1962, participou em 38 GP de motociclismo, com as equipas oficiais da MZeMV Agusta. Venceu 19 e terminou 33 no pódio. Em 1961 foi Campeão do Mundo de 3500cc e 500cc.