A Fórmula 1 era três estrelas Michelin e agora caminha para ‘fast-food’?

Por a 19 Março 2017 13:48

O antigo líder da Fórmula 1, Bernie Ecclestone diz que os novos donos da modalidade, a Liberty Media, quer removê-lo da história da competição. A compra da F1 por parte da Liberty ficou completa este ano, como é sabido, mas Ecclestone, que controlou o desporto durante cerca de 40 anos, passou a ser o presidente emérito. Agora o trabalho do antigo líder foi dividido… em três. Ross Brawn fica com as partes técnicas da F1, Sean Bratches com as questões comerciais, com Chase Carey a ser o chefe máximo, que controla tudo, e todos. Isto são facto, até aqui, nada de novo, a não ser o facto de haver três pessoas a fazer o que Bernie Ecclestone fazia sozinho…

Mas a questão é muito mais complexa que isso. Bernie Ecclestone pretendia continuar como CEO, pelo menos mais um ano, mas isso não aconteceu e agora, sente-se como se quisessem diminuir a sua influência na modalidade. “Eu não posso fazer nada. O staff foi informado que não podia sequer falar comigo”, contou ao Daily Mail. “Eles querem acabar completamente com a era Ecclestone. Estão sempre a dizer a mesma coisa, talvez pensem que me deixa contente mas não: ‘Ele fez um bom trabalho mas temos de seguir em frente’. Se calhar são eles que têm razão…”

Ecclestone tem defendido a forma como comandou o desporto no passado, dizendo que tratou de todos os aspetos como se fosse um restaurante de três estrelas da Michelin: “Eu olho para a F1 de uma maneira diferente do que as outras pessoas. Toda a gente queria ir a um ‘restaurante’ onde não se conseguia arranjar lugar. Então eu era muito rigoroso com essas coisas, como por exemplo os passes do paddock. Agora, a filosofia da Liberty é muito mais aberta. Eles têm uma cultura americana e numa corrida americana estão todos no paddock e podem conversar com os pilotos e sentar-se nos carros: “Na F1, temos dirigido um restaurante de três estrelas Michelin, não como um restaurante de fast-food, mas talvez agora a culinária seja mais acessível. Talvez tenha um sabor melhor”, gracejou Ecclestone, explicando a sua visão para a F1. Ecclestone olha para a F1 com um ‘restaurante’ acessível a muito poucos e é de opinião que a Liberty o está a tornar numa cadeira de fast-food. São duas visões distintas, claro que nesta visão de Ecclestone extremadas, pois como todos sabemos, para Ecclestone a F1 é um ‘clube’ muito reservado. E isso viu-se durante muito tempo. Pelos vistos, Ecclestone não gosta que a Libertuy esteja a mudar a ’tática’, mas esse é apenas um dos seus direitos, pois são os novos donos.

Rodrigo Fernandes

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1 Comentário em "A Fórmula 1 era três estrelas Michelin e agora caminha para ‘fast-food’?"

ernie
Membro

O homem está mesmo senil. A coisa pode estar a caminhar para fast food, mas antes era 3* Michelin só para alguns, e fish and chips embrulhado em jornal para todos os outros.

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