MEMÓRIA: 31º Campeão do Mundo de F1: Jenson Button


Vai levar alguns anos para a Williams ripostar a partir do fundo da tabela da Fórmula 1, mas o caminho de ‘regresso’ está traçado. Quem o diz é o antigo piloto da equipa e recém nomeado consultor sénior, Jenson Button. Jenson Alexander Lyons Button nasceu a 19 de janeiro de 1982, em Frome. Filho de um piloto de ralicross, John, famoso pelo seu VW Beetle, foi dele que recebeu todo o ADN que o levou a ser piloto profissional. Vamos recordar a sua carreira.

Na verdade, ele deveria chamar-se Jensen e não Jenson e só ficou Jenson, com ‘o’, para não ficar parecido com o nome de um amigo do pai, Erling Jensen, dono de uma oficina chamada Jensen Motors. Iniciou a sua carreira nos karts logo aos oito anos de idade, quando o pai lhe ofereceu o primeiro exemplar, começando logo a colecionar sucessos nas corridas locais em que participou.

De sucesso em sucesso… até à F1
Jenson Button – que viria a chumbar no seu exame de condução, por ter estacionado demasiado próximo de outro carro! – venceu a sua primeira corrida importante aos nove anos, o British Super Prix. Em 1991, ganhou todas as 34 corridas do Campeonato Britânico de Karting, na categoria Cadete e, claro, foi campeão. Nos anos que se seguiram, foi por três vezes vencedor do Open de Karting britânico e, em 1997, ganhou a Ayrton Senna Memorial Cup, o mesmo ano em que se tornou no mais jovem vencedor de sempre do Europeu de Super A. Tinha 17 anos.

Aos 18, estreou-se nos automóveis, mais exatamente na Fórmula Ford, ganhado o título britânico com a Haywood Racing, bem como o célebre Fórmula Ford Festival, que tradicionalmente se corre em Brands Hatch, na versão mais curta da pista. No final desse ano, foi eleito o vencedor de um prémio instituído pela McLaren, atribuído ao mais jovem piloto a destacar-se na Inglaterra – prémio esse que era um teste com um McLaren de F1, que ficou desde logo agendado para o fim da temporada de 1999.

Button aproveitou esse ano para correr na F3, com a Promatecme, ganhando três corridas (Thruxton, Pembrey e Silverstone) e o prémio para o melhor estreante (Rookie of the Year), sendo além disso terceiro classificado no campeonato. Ainda na F3, foi quinto no Marlboro Masters, em Zandvoort e terceiro no GP de Macau, a 0,035segundos do vencedor, Darren Manning.

Por isso, quando se sentou no cockpit do McLaren, em Silverstone, no final de 1999, Jenson Button estava não apenas entusiasmado, mas com a certeza de que esse dia iria mudar a sua vida. Só não imaginava até que ponto.É que, para lá da equipa que patrocinou o prémio instituído pela revista Autosport (a britânica…), foi ainda convidado pela Prost para testar. Os ‘olheiros’ presentes nãodeixaram escapar as capacidades daquele jovem alto e sereno, de ascendência sul-africana, por parte da mãe, e com genes plantados pelo pai John, um bon vivant que se destacou nas corridas pela sua extravagância e pelo seu gosto, cultivado, pela bebida.Ficariam célebres as suas… celebrações dos triunfos do filho na F1, mais tarde…

Por isso, tendo vagado um lugar na Williams, com a saída de Alessandro Zanardi, Frank Williams arranjou maneira de ter o seu compatriota Jenson Button num teste-relâmpago, em que ele enfrentou Bruno Junqueira, que então corria já na F3000. O resultado é por todos conhecido: na Austrália, em 12 de março de 2000, Jenson Button tornou-se um dos cinco mais jovens pilotos de sempre a correr oficialmente num GP de F1 (hoje, é só o oitavo, ex aequo com Eddie Cheever). Tinha 20 anos, um mês e 22 dias. No final dessa prova, para si memorável, mas em que abandoou com problemas de motor, Gerhard Berger considerou-o “um fenómeno” e até houve quem o comparasse com Ayrton Senna!

Exageros, sem dúvida… Mas lá que Button era mais maduro que a sua idade deixava perceber, lá isso era verdade – e isso foi algo reconhecido por Patrick Head, odiretor técnico da Williams, equipa onde apenas ficou nessa temporada, conquistando um total de 12 pontos, mas nunca subindo ao pódio.

Na verdade, nos anos que se seguiram,a estrela de Jenson Button ora empalidecia, ora ficava mais brilhante, sempre de acordo com as vicissitudes que as equipas onde foi correndo iam atravessando.Apesarde tudo, foi terceiro no Mundial em 2004, oseu segundo ano com a BAR/Honda. Mas apenas em 2006 ganhou o seu primeiro GP, na Hungria, ainda com a mesma equipa (agora chamada só Honda), granjeando cada mais a fama de ser um piloto correto, empenhado, mas nunca uma figura líder e, muito menos, um futuro campeãoem potência. Em resumo, Button era aquilo que se chama um bom… segundo piloto.

Por isso, foi com enorme surpresa que foi visto a dominar a temporada de 2009, no mesmo ano em que a Honda desapareceu como nome, depois da estrutura ser adquirida por Ross Brawn. A primeira parte dessa temporada, em que ganhou seis das sete corridas até ao GP da Turquia, foi providencial, pois amealhou aí o número de pontos suficiente para, na segunda parte, ir controlando o ascendente dos seus rivais e a maior capacidade técnica das outras equipas, que depressa reagiram à surpresa provocada pela Brawn nessa fase inicial de uma temporada em que quase tudo era novidade. Foi Campeão do Mundo com um total de 95 pontos, mais 11 que Sebastian Vettel.

No ano seguinte, assinou com a McLaren, o que os observadores consideraram um suicídio perfeito, pois iria fazer dupla com o irascível, arrogante e quase genial em termos de pilotagem Lewis Hamilton, que era o homem-forte da equipa. Só que isso era menosprezar a personalidade contemporizadora e diplomata de Button, adversa a meter-se em conflitos e por demais apaziguadora. Afinal, tem sido na McLaren que se assumiu como um dos melhores pilotos da atualidade, afastando de vez as dúvidas sobre o seu talento e o facto de poder, ou não, ser líder numa equipa. Aliás, ele tem sido o líder indiscutível na McLaren, aproveitado bem,sempre sem fazer ondas, as oscilações de um Lewis Hamilton permeável psicologicamente.

Em 2011, enquanto Hamilton se afundava e Sebastian Vettel dominava, Jenson Button terminou um impressionante segundo lugar geral no campeonato. Numa competição intensa em 2012, ele teve algum azar, mas ainda assim venceu três corridas, e classificou-se num respeitável quinto lugar final. Num McLaren de 2013 que estava bem longe do ritmo dos da frente, Jenson Button terminou um nono, mas suportou a adversidade com uma maneira de estar que ajudou a manter a moral da sua equipa.

Button guiou bem em 2014, superando facilmente o seu companheiro de equipa, o estreante Kevin Magnussen, mas essa foi a primeira época sem vitórias da sua equipa, a McLaren, desde 1980, o que provocou grandes mudanças que incluíram o restabelecimento de uma parceria anteriormente bem sucedida com o fornecedor de motores Honda, e a contratação de um novo líder de equipa: Fernando Alonso.
A decisão de manter Button ou o jovem promissor Magnussen foi finalmente resolvida com a nomeação de Magnussen como piloto de testes e reserva e a reinscrição de Jenson Button para correr por uma 16ª temporada de Fórmula 1.

“Esta equipa mostrou muitos pontos fortes na adversidade”, foi a resposta de Jenson Button ao fracasso da McLaren/Honda em 2015. Ao contrário do seu companheiro de equipa frequentemente descontente, Fernando Alonso, o permanente otimismo de Button (apesar de um total de pontos que o relegou para o 16º lugar na classificação dos pilotos) representou uma força unificadora para uma equipa em desarranjo.
O seu futuro com McLaren, que só foi confirmado no final da temporada, foi um tributo ao valor do veterano como jogador de equipa leal que podia ajudar a acelerar uma recuperação: “Chegamos à Fórmula 1 com sonhos e partimos com memórias”. Assim disse Jenson Button, de 36 anos, ao deixar o desporto após 17 épocas memoráveis. “Foi uma montanha russa ao longo dos anos, cheia de altos e baixos”, foi como o sempre sorridente e popular piloto resumiu a sua carreira.

Oficialmente, Button só estava a tirar uma licença sabática em 2017, mantendo-se como piloto reserva da McLaren com a opção de voltar a correr em 2018. Apesar de ter dito que esperava correr até aos 70 anos, parecia provável que a temporada de 21 corridas de 2016 fosse uma viagem de despedida para Jenson Button, o campeão de 2009 cujo recorde foi de 15 vitórias e 50 pódios em 305 Grandes Prémios.
No final, correu apenas mais uma vez pela McLaren-Honda em 2017, (em substituição de Fernando Alonso), no Mónaco, onde não conseguiu terminar. Esta ocasião marcou também o final da sua carreira na F1. No final do ano, assinou um contrato de corrida para a Honda na série japonesa Super GT de 2018. Agora é consultor da Williams.

PALMARÉS
Início na competição: Karting, aos oito anos; Fórmula Ford (1998)
Primeiro GP F1: GP Austrália 2000
Último GP F1: GP Japão 2012
GP F1 disputados: 311 (306 largadas)
Títulos: 1 (2009)
Vitórias: 15
Primeira vitória: GP Hungria 2006
Última vitória: GP Brasil 2012
Pole positions: 8
Melhores voltas: 8
Pódios: 50
Pontos: 1235

Marcas: Williams (2000); Benetton (2001); Renault (2002); BAR (2003 a 2005); Honda (2006 a 2008); Brawn (2009); McLaren (desde 2010, até 2017)

Outros resultados: Vencedor British Super Prix Karting (1989); Campeão Britânico de Karting, Categoria Cadete (34 vitórias/1991); 3 títulos British Open Kart Champioship; Vencedor Ayrton Senna Memorial Cup (1997); Campeão da Europa Super A (1997); Campeão Britânico de Fórmula Ford (1998); 1º Fórmula Ford Festival (1998); 3º/Rookie of the Year no Campeonato Britânico F3 (1999); 5º Masters F3 (1999); 2º GP Macau (1999).

JENSON BUTTON
Nome: Jenson Alexander Lyons Button
Data de nascimento: 19 de janeiro de 1980 (32 anos)
Local de nascimento: Frome, England, United Kingdom
Nacionalidade: Britânico

Jenson Button vive no Principado do Mónaco, onde já tinha uma residência, tendo vivido em Guernsey anteriormente. Tem, além destas, propriedades espalhadas pelo Reino Unido e no Bahrein. Entre os seus hobbies estão BTT, triatlo e bodyboarding. Possui uma coleção de carros de uma apreciável dimensão, entre os quais um Nissan GT-R, um Honda S600, um Mercedes-Benz C 63 AMG, uma VW Campervan de 1956, vários Ferrari (entre eles um Enzo) e o monolugar com que foi campeão do Mundo de F1, o Brawn BGP 001. Em tempos, foi um dos poucos e felizardos donos de um Bugatti Veyron azul. Durante cerca de um ano teve um restaurante gourmet em Harrogate, chamado Victus, que fechou por razões financeiras.