LEMBRA-SE DE ANDREA DE CESARIS: “De Crasheris”


Andrea de Cesaris ainda hoje é recordado mais pelos seus acidentes, que pelas suas qualidades. Filho deumcomerciante abastado de Roma, que mais tarde se tornou representante oficial da Marlboro em Itália, logo no karting demonstrou uma rapidez notável. Rapidez que transportou para as pistas britânicas, onde se sagrou “vice” de Chico Serra na F3, em 1980 – depois de ter partido o pescoço a Nigel Mansell, num acidente.

Começou aí a sua lenda. Chegou à F1 com pouco mais de 21 anos, substituindo Vittorio Brambilla na Alfa Romeo e, logo na sua segunda prova, protagonizou o seu primeiro acidente na categoria. Na F1, construiu diversos recordes, ainda hoje imbatíveis: é o piloto que mais provas disputou, sem conseguir uma vitória – pois, entre 1980 e 1994, participouem 208 GP, tendo emdois segundos lugares, em 1983, como as suas melhores classificações na F1. Além disso, só na McLaren, em 1981, destruiu 22 chassis – uma proeza de tal forma violenta, que os mecânicos da equipa chegaram a recusar-se a assisti-lo!

Despedido por Ron Dennis, foi-o também por um colérico Guy Ligier, depois do célebre acidente em Zeltweg, quando capotou várias vezes nos campos ao lado da pista e saiu ileso, mas coberto de lama, dos destroços do carro. Porém, Andrea “De Crasheris”, alcunha que pouco carinhosamente lhe deram, foi amadurecendo e, nas suas últimas temporadas, conseguiu milagres com carros menos bons, especialmente em Spa, a “sua” pista. Esteve mais de dez anos sem aparecer, vivendo como corrector da Bolsa em Monte Carlo, metade do ano, e praticante de “windsurf”, na outra metade. O seu nome voltou quando doou somas consideráveis às vítimas do tsunami na Ásia de 2004. Depois, participou em algumas corridas do Grand PrixMasters.