Fórmula 1: Tiago Monteiro superou as expetativas em 2005


Já lá vão 15 anos, que Tiago Monteiro se estreou na Fórmula 1, e ao cabo de um ano, o AutoSport concluía que o piloto luso “superou as expetativas. Ano de estreia em grande para piloto português”.

Correu bem o primeiro ano de Tiago Monteiro na Fórmula 1, bem melhor que o segundo ano, com a Midland. Na época de estreia, o piloto que hoje em dia milita no WTCR, fez história, ao chegar ao pódio em Indianapolis 2005, numa história mais do que conhecida por todos, e pontuou em Spa. Já no ano seguinte, as coisas correram bem pior. Depois de ter sido 16º no campeonato me 2005, foi apenas 21º em 2006. Para a história, um ano em que bateu recordes de corridas sem abandonos: “Os diversos prémios de melhor dos estreantes ganhos por Tiago Monteiro são o melhor sumário da temporada do piloto português nesta sua estreia no Campeonato do Mundo de Fórmula 1.
Integrado numa das equipas mais pequenas do plantel, sem meios para testar ou desenvolver muito os seus carros, Monteiro fez o melhor uso das suas capacidades para conseguir resultados que surpreenderam toda a gente. Depois dum início de temporada complicado, quando levou tempo para apreender as necessidades de afinação e pilotagem dum Fórmula 1, o piloto português iniciou uma progressão assinalável que se teve o seu ponto mais visível em Indianapolis, quando fez companhia aos dois pilotos da Ferrari no pódio, acabando por atingir o seu cume no
Grande Prémio da Bélgica, quando levou o Jordan-Toyota ao oitavo lugar, marcando um ponto importante quando toda a concorrência estava em pista.

Marcar pontos
Mas o terceiro lugar nos Estados Unidos, conseguido numa prova marcada pela ausência das sete equipas que dispunham de pneus Michelin, também serviu para demonstrar que entre Monteiro e os outros estreantes existia uma diferença assinalável. Sem carro para sonhar, sequer, andar perto dos Ferrari, o português também não teve adversários ao longo de toda a prova, terminando mais de meio minuto na frente do
seu companheiro de equipa, logo num circuito onde os pilotos raramente conseguem fazer a diferença. Inteligente, ponderado, bem integrado
numa equipa que dependeu dele para acertar os chassis, Monteiro cumpriu sempre as estratégias que lhe foram sugeridas, superiorizando-se com regularidade a Karthikeyan. Daí que no final da temporada equipas como a BMW Sauber e a Williams o tenham sondado para um lugar de
piloto de testes em 2006, cientes das suas capacidades para desenvolver chassis, motores e pneus. O facto de ter terminado 18 das 19 corridas da temporada – faltaram-lhe apenas 15 voltas no Brasil para fazer o pleno! – fez Monteiro ganhar uma imagem de piloto confiável, que comete poucos erros e contribuiu para melhorar a sua cotação no mercado. Verdadeira delícia dos patrocinadores, pela sua disponibilidade e simpatia,
bem como pelo facto de ser um verdadeiro poliglota, Tiago Monteiro conseguiu perder, no espaço de oito meses, a imagem de piloto pagante com que tinha chegado à Fórmula 1, ao fim e ao cabo o resultado do trabalho feito na pista, onde os apoios financeiros não contam e o que vale são as capacidades de pilotagem. Sendo certo que o pódio de Indianapolis é o que vai ficar para a história, a temporada de Tiago Monteiro valeu pelo seu todo, neste regresso de Portugal ao Campeonato do Mundo de Fórmula 1”, lia-se no AutoSport. Desde aí, António Félix da Costa esteve muito perto, mas Portugal não voltou a ter um piloto em Grandes Prémios de F1.