O terceiro lugar conseguido por Tiago Monteiro no GP dos EUA de 2005 elevou-o ao estatuto de vedeta nacional, com direito a capa em todos os jornais de segunda-feira, notÃcia de abertura na maior parte dos telejornais. Até aÃ, havia alguma atenção, mas nada que se comparasse entre o antes… e o depois!

Numa tarde foi como se o paÃs inteiro descobrisse que Portugal tinha um piloto na Fórmula 1 e uma das consequências dessa “descoberta” foi o interesse com que os seus testes em Barcelona foram seguidos, com a RTP – que não tem enviados aos Grandes Prémios, nem seguiu qualquer ensaio desde o inÃcio da temporada – a mandar uma equipa de reportagem para a Catalunha logo a seguir à corrida de Indianapolis…
Mas o piloto português descobriu o preço da popularidade logo em Indianapolis, quando tentava embarcar no aeroporto local, ao final da tarde de domingo. Monteiro tinha acabado de falar com o AutoSport quando a equipa o avisou que estava na hora de ir para o aeroporto, mas com o telemóvel sempre a tocar não foi fácil ao português chegar ao seu carro.
A surpresa maior, no entanto, estava reservada para o aeroporto de Indianapolis. Quando já estava dentro do aeroporto, Monteiro foi cercado por adeptos que também regressavam à s suas casas «e tiveram de me ir buscar ao meio da multidão para que eu pudesse embarcar, pois estava quase a perder o voo. Parecia que toda a gente tinha visto a corrida e queria um autógrafo ou uma foto, o que foi incrÃvel e começou a dar-me uma ideia da dimensão deste resultado.»
Dimensão mundial
Depois dum voo mais ou menos tranquilo, a chegada a Barcelona deu-lhe nova amostra do que é ter uma cara que toda a gente viu na televisão: «Pensei que em Barcelona iria passar despercebido, mas dentro do aeroporto começaram a pedir-me autógrafos e fotos e se não acelero o passo, ficava lá um bocado, quando a equipa estava à minha espera.»
Sem ter passado por Portugal, onde só chegou na sexta-feira à noite, depois de ter voado de Barcelona para Vigo, Monteiro apercebeu-se do impacto que o seu terceiro lugar teve, pelos muitos contactos que recebeu: «Sei que os jornais, as televisões e as rádios deram um grande destaque ao meu terceiro lugar e fiquei impressionado com o número de pessoas que tentou contactar-me. Só no domingo recebemos mais de 900 mensagens de felicitações no meu site oficial, sem falar nos muitos amigos, conhecidos e colegas que me mandaram mensagens para o meu e-mail pessoal.»
Pés assentes na terra
Apesar dos seis pontos conquistados em Indianapolis, Tiago Monteiro manteve-se com os pés bem assentes no chão e sabia o que o esperava nas corridas seguintes: «Em Magny-Cours vamos regressar à normalidade, pois com os 20 carros em pista a minha luta é a de sempre, a de ficar à frente do meu companheiro de equipa e dos Minardi. Só em corridas com muitos percalços é que nos será possÃvel voltar a pontuar, mas essa sempre foi a nossa aposta. Só alguém com total desconhecimento da Fórmula 1 é que poderia pensar que agora sou candidato a pontuar em todas as corridas, porque o que aconteceu em Indianápolis foi fruto das condições em que a prova decorreu» disse-nos na altura.
O que mudou, verdadeiramente, para Monteiro foi a perceção que os patrões das outras equipas tinham dele: «Ainda em Indianapolis houve muita gente de outras equipas que me veio felicitar depois da corrida, dizendo-me que eu tinha feito uma grande prova. Penso que fiz a minha melhor corrida desde que cheguei à Fórmula 1 e o facto de não ter tido de passar dois terços da prova a olhar para os espelhos, por causa das bandeiras azuis, ajudou-me muito a manter o meu ritmo.
Nenhum dos meus adversários diretos pode acompanhar-me e tive apenas de concentrar-me em não cometer erros,
só abrandando nas últimas dez voltas, o que acabou por fazer com que os Ferrari me dobrassem.
Mas o resultado estava assegurado e, por isso, não fazia sentido estar a arriscar nada.»
O que Monteiro só soube depois da corrida foi que os dois Ferrari estiveram a centÃmetros de se eliminarem mutuamente, depois do segundo reabastecimento de Schumacher: «Pois foi, quase ganhei a corrida», brincou o português, «mas não me apercebi de nada, porque estava muito atrás deles e a diferença de tempos não se alterou. Só no final da corrida é que me disseram o que se passou, mas a verdade é que o terceiro lugar já foi uma recompensa muito boa para o esforço que a equipa tinha feito deste o inÃcio do ano.»
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