Jean Todt admitiu que Michael Schumacher errou no controverso incidente com Jacques Villeneuve, na decisão do Mundial de Fórmula 1 de 1997, mas explicou que optou por protegê-lo publicamente para preservar a coesão interna da Ferrari num dos momentos mais delicados da reconstrução da equipa italiana. Numa entrevista ao podcast High Performance, o antigo chefe da Ferrari e ex-presidente da FIA descreveu o toque como um acto “emocional”, considerou a manobra “má” e “desnecessária”, e sustentou que Schumacher pagou caro quase sempre que perdeu o controlo, incluindo nesse episódio que lhe custou o título.
Ao revisitar uma das passagens mais controversas da carreira do heptacampeão, Todt traçou também um retrato mais amplo da relação que construiu com o alemão, da cultura de exigência que implantou em Maranello e da forma como essa experiência influenciou a sua atual missão na segurança rodoviária. O francês, hoje ligado às Nações Unidas como enviado especial para a segurança rodoviária, defendeu ainda que a liderança se mede tanto na vitória como na forma como se gere o fracasso.
Todt assume erro, mas enquadra decisão
Todt não ilibou Schumacher no choque com Villeneuve, ocorrido na última corrida de 1997, mas rejeitou a ideia de premeditação fria, enquadrando-o antes como uma reacção instintiva sob enorme pressão competitiva. No podcast, afirmou que Schumacher “tentou evitar” perder o campeonato, mas “tentou fazê-lo da forma errada” e acabou por protagonizar “uma má jogada” que classificou como “desnecessária”.
Ao mesmo tempo, o antigo responsável da Ferrari insistiu que o episódio deve ser lido à luz da intensidade do momento e da falibilidade humana. “Quando se julga alguém em ação, é preciso ser muito indulgente”, disse Todt, acrescentando que, sob pressão, “o cérebro reage de forma diferente” e que a equipa entendeu ser necessário apoiar o piloto em vez de o expor publicamente.
“Vamos proteger-te”
A resposta interna da Ferrari foi, segundo Todt, imediata e deliberada. Questionado sobre o que disse a Schumacher em privado após o incidente, respondeu de forma direta: “Vamos proteger-te. Estamos juntos”.
Para Todt, esse episódio acabou por revelar a robustez do grupo que procurava consolidar em Maranello. O francês recordou que é nos momentos em que “as coisas não correm bem” que se percebe “a força de um grupo”, contrapondo essa solidariedade à leitura estritamente disciplinar de um erro que, embora grave, não apagava tudo o que Schumacher representava para a equipa.
“Sempre que perdia o controlo, pagava caro”
Na entrevista, Todt sustentou que os momentos de descontrolo do alemão tiveram um custo desportivo elevado. Ao recordar 1997 e também a qualificação de Mónaco em 2006, afirmou que “cada vez que ele perdia o controlo, pagava muito caro”, sublinhando que esses episódios acabaram por comprometer campeonatos que a Ferrari acreditava poder conquistar.
Ainda assim, recusou reduzir Schumacher aos seus momentos mais polémicos. O francês salientou que o piloto reunia “tantos pontos positivos” e tantas qualidades excepcionais que o saldo global permanecia amplamente favorável, enquadrando os excessos como a face imperfeita de uma personalidade competitiva invulgar.
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