Desde o sandbagging a outras artes ‘sobrenaturais’ das Pré-épocas de F1: morsas, volantes mágicos e uma libra.
As pré épocas de F1 com situações ‘fora da caixa’ ou quando os testes são mais estranhos que a ficção…
Os testes de pré-época na Fórmula 1 são, tecnicamente, sessões de trabalho árduo e rotineiro. No entanto, a história da modalidade está repleta de momentos em que a rotina foi quebrada por inovações ‘chocantes’, acidentes misteriosos ou reviravoltas dignas de um guião de cinema.
Aqui ficam alguns dos casos mais surpreendentes e “fora da caixa” que marcaram a história mais recente dos testes na Fórmula 1
O Milagre da Brawn GP (2009): do desemprego ao topo
Este é, possivelmente, o caso mais “impossível” da F1. A Honda tinha abandonado a competição subitamente no final de 2008. Ross Brawn comprou a equipa por uma libra simbólica, conseguiu motores Mercedes à última hora e o monolugar (BGP 001) só apareceu nos últimos dias de testes em Barcelona, com uma decoração branca despida de patrocínios.
O choque: Quando Jenson Button entrou em pista, começou a pulverizar os tempos de todos os outros. O paddock pensou que era “show-run” (rodar com pouco combustível para atrair patrocinadores). Não era. A equipa tinha descoberto o “duplo difusor” e acabaria por ganhar os dois campeonatos desse ano.
O volante mágico da Mercedes: o sistema DAS (2020)
Em 2020, durante a transmissão em direto dos testes em Barcelona, as câmaras onboard mostraram algo que deixou os engenheiros rivais boquiabertos: Lewis Hamilton puxava o volante para trás e para a frente nas retas.
A inovação: Chamava-se DAS (Dual Axis Steering). Ao puxar o volante, o piloto alterava a convergência (toe) das rodas dianteiras, ajudando a aquecer os pneus uniformemente e reduzindo o arrasto. Foi uma solução “fora da caixa” que ninguém previu e que a FIA acabou por banir para a época seguinte.
O Mistério do Acidente de Fernando Alonso (2015)
Um dos episódios mais estranhos de sempre ocorreu no último dia de testes em Barcelona. Fernando Alonso, na sua nova e muito aguardada parceria McLaren-Honda, bateu no muro da Curva 3. Não parecia um acidente grave, mas o piloto foi levado de helicóptero e ficou hospitalizado três dias.
O mistério: Surgiram rumores de que Alonso teria sofrido um choque elétrico do sistema ERS, ou que tinha acordado a pensar que estava em 1995 e que era piloto de karting. Mas isso foram apenas rumores, porque a história foi mesmo muito bem escondida, deixando perceber que algo complicado sucedeu. A McLaren deu explicações contraditórias sobre o vento. Até hoje, o que realmente causou o “apagão” de Alonso naquele teste continua a ser um dos “Ficheiros Secretos” da F1.
O “Nariz de Morsa” da Williams (2004)
A Williams apareceu nos testes com o FW26 apresentando uma solução aerodinâmica radical: um bico curto com suportes de asa longos e curvos que pareciam presas de uma morsa.
O resultado: Foi um choque visual absoluto. Nos testes, o carro parecia promissor, mas revelou-se um pesadelo de afinação e sensibilidade aerodinâmica. A equipa acabou por desistir do conceito a meio da época, voltando a um nariz convencional, mas o “Walrus Nose” ficou para a história como uma das tentativas mais audazes de fugir à norma.
O Mercedes “Sem Pontões” (Zero-Pods) (2022)
Com a entrada do novo regulamento técnico em 2022, a Mercedes apresentou um carro convencional no primeiro teste em Barcelona. No entanto, no segundo teste (Bahrein), o carro apareceu radicalmente transformado: os pontões laterais tinham praticamente desaparecido.
A surpresa: O paddock parou para olhar. Parecia uma obra de arte da engenharia aeroespacial. Contudo, este design “fora da caixa” acabou por ser a génese dos problemas de porpoising (o carro a saltar nas retas) que atormentaram a equipa durante dois anos, provando-se que, nos testes, nem todas as ideias brilhantes no túnel de vento funcionam no asfalto.
O ‘Sandbagging’ levado ao extremo
É comum as equipas esconderem o jogo (sandbagging), mas em 2019 a Ferrari foi a rainha dos testes de inverno, parecendo imbatível. No entanto, a Mercedes apareceu na última hora com um pacote aerodinâmico quase totalmente novo e, na primeira corrida, deu uma “abada” à concorrência. Este jogo de “gato e rato” nos testes é uma arte em que as equipas usam sensores falsos e mapas de motor conservadores apenas para enganar os espiões das equipas rivais.
Este shakedown de Barcelona, parece ter sido diferente, já que com tanta coisa nova, as as equipas não querem esconder muita coisa, mas sim certificar-se que não “sujaram um pé todo” com o seu carro, e para já há quem ainda tenha que mostrar muito mais do que mostrou até aqui.
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