Corrida em Indy, piloto de F1, mecânicos da NASCAR


Jim Clark gostava de correr nos Estados Unidos. Ou melhor, Jim Clark gostava de correr em qualquer lado.
Numa semana podia estar a ganhar um GP de F1, na semana a seguinte a usar o Lotus Cortina de motor 1.6 para bater à geral um Falcon de motor 7.0 V8 numa prova do BTCC, e na outra a reclamar da fragilidade do Lotus 40, um carro de sport que foi um dos poucos fracassos de Colin Chapman.
Por isso, Clark gostava de correr. Os Estados Unidos eram um local onde o podia fazer, tão bom como qualquer outro, mas se estava lá, iria correr para ganhar, como fazia sempre.
Havia algo que Clark não gostava naquele país. Nas pistas europeias, a atmosfera era uma mistura de saudável boa disposição e cordial cavalheirismo, mesmo quando um piloto era profissional, como era o escocês. Nos Estados Unidos, as corridas eram um espetáculo e Clark era um produto. Tinha que apertas as mãos aos fãs e sorrir.
“Ei, Jimmy”, diziam eles, enquanto o surpreendiam por trás com uma palmada nas costas, “dás-me um autógrafo?”. Até mesmo Henry Ford II, sobrinho do fundador da marca, não se coibiu de exibir Jim Clark aos executivos e aos clientes da marca.
Felizmente, o piloto escocês, que sempre se adaptou depressa a circunstâncias, logo caía nas boas graças dos convidados do seu patrocinador, dando a volta aos acontecimentos e centrando as atenções. Clark não era fácil de se dar a conhecer, mas quando se sentia confortável com uma pessoa tratava-a sempre como um amigo de longa data. Mesmo quando estava a ser profissional.
Ser profissional era necessário para que os invasores europeus, Jim Clark, Colin Chapman e a equipa Lotus, batessem os americanos no seu próprio terreno, as 500 Milhas de Indianapolis.
A corrida de 1965 ia ser a terceira tentativa, depois de quase terem ganho na estreia, dois anos antes. Henry Ford II, cujo motor equipava o Lotus 38, sabia que o profissionalismo estava nos detalhes e contratou a Wood Brothers Racing para tratar do trabalho de boxes.
A equipa de Glen e Leonard Wood tinha-se tornado na primeira equipa verdadeiramente profissional da NASCAR, especializando-se nas paragens nas boxes, que completavam em segundos.
Clark apenas precisou de parar duas vezes nas boxes e nunca teve problemas, mas os mecânicos da família Wood contribuíram para a vantagem de Clark sobre Parnelli Jones. Esta junção de esforços de pessoas oriundas de disciplinas tão distintas nunca mais foi vista.