O combustível dos Fórmula 1 em 2004

Para se manterem dentro dos limites dos regulamentos, os fornecedores da energia que faz funcionar os vários motores da F1 estão bastante limitados, não podendo ir de alterações de pormenores ou detalhes. Uma regra básica com que devem contar é que quando um quilo de gasolina arde, são libertados dióxido de carbono, água e aproximadamente 40 mil quilojoules de energia sob a forma de calor (para facilitar a compreensão, acrescente-se que uma pessoa utiliza, em média, 9.500 quilojoules por dia). Os motores da F1 são, porém, “atletas” de alta competição e desempenho elevado, o que requer uma alimentação específica. Por isso, os fornecedores de gasolina adaptam os seus produtos, de forma exacta, a cada tipo de motor, se bem que mantendo-se dentro dos limites regulamentares.
O conjunto de requisitos é bastante claro: a gasolina deve aumentar o desempenho do motor e deve ser o mais leve possível, bem como permitir o consumo mais baixo possível, por forma a que o peso do carro seja mantido a um nível baixo e o tempo de reabastecimento seja encurtado, quando a gasolina é vertida para o depósito à razão de 12 litros por segundo. Portanto, a gasolina pode representar, só por si, uma vantagem competitiva, pois ao permitir que uma equipa mantenha o seu carro em pista por mais uma ou duas voltas do que os rivais, isso pode ser decisivo para o resultado da corrida.

OS SEGREDOS DO CONSUMO
O consumo de gasolina é um dos segredos melhor guardados no seio de cada equipa. Em média, são queimados 70 litros em cada 100 quilómetros, num motor com mais de 900 cavalos, o que equivale a 0,078 litros por cavalo. Sob esta perspectiva, um carro da F1 tem um desempenho muito mais eficaz do que um automóvel de estrada com 75 cavalos de potência e que consuma 7 litros aos 100 quilómetros, pois neste caso a relação de consumo energético é de 0,093 litros por cavalo. Consumo, poluição ambiental e compatibilidade com o motor são os factores mais importantes no que toca à gasolina comercial, para os carros de estrada. Para fornecer gasolina com baixo nível de enxofre, ou sem enxofre, como sucede actualmente na Alemanha e na Áustria, a indústria petrolífera deve investir somas consideráveis em novas fábricas para a eliminação do enxofre. Uma despesa inteiramente justificada. “Manter o teor de enxofre da gasolina o mais baixo possível, leva à redução das emissões dos componentes dos gases de escape, tais como monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogénio, bem como as partículas dos motores a gasóleo”, esclarece o Dr. Christoph Lauterwasser, dso Centro Tecnológico
da Allianz. “Também melhora o consumo de gasolina, mas o mais importante é que uma gasolina sem enxofre é um requisito essencial para as tecnologias  que permitem tornar os veículos mais amigos do ambiente. Abre caminho para conversores catalíticos com um sifão de hidrocarbono e motores mais económicos e com injecção directa.”

ADITIVOS QUÍMICOS
Os aditivos químicos também desempenham um papel decisivo para a qualidade da gasolina. Estes aditivos são misturados por forma a não excederem um por cento. O desenvolvimento de novos aditivos, adaptados aos motores mais recentes, representa outra tarefa importante para os departamentos de pesquisa das companhias petrolíferas. A combustão é controlada de maneira cada vez mais precisa, e isso requer que o motor não crie quaisquer resíduos perturbadores, desde os injectores até às válvulas de admissão. São os aditivos que ajudam a evitar os processos de oxidação, de envelhecimento da gasolina e de redução de quaisquer depósitos que já se tenham formado. Naturalmente, para além da qualidade da gasolina, o condutor tem uma influência decisiva, como sempre, no nível de consumo de gasolina. “É possível poupar até 25 por cento se o piloto aprender a guiar de forma consistente e de forma económica,” explica o Dr. Lauterwasser. “O principal factor de economia é a engrenagem da mudança superior no momento certo. Os motores modernos
permitem a engrenagem de mudanças mesmo abaixo das 2.000 rotações por minuto. Um carro médio consome 11,5 litros aos 100
quilómetros a 45 km/hora e em segunda velocidade, mas em quinta só gasta 4,3 litros. Guiando com precaução também é possível evitar travagens e acelerações desnecessárias. Além disso, muitos condutores subestimam o facto dos sistemas eléctricos, como o ar condicionado e o desembaciador do óculo traseiro, também consumirem muita energia. E, por último, pode dar-se uma grande ajuda para a preservação do ambiente se não se utilizar o carro para percorrer distâncias pequenas, percorrendo-as a pé, uma vez que um motor frio gasta muito mais gasolina do que quando está quente e o conversor catalítico frio demora algum tempo até começar a funcionar.” A eficiência da gasolina também assume uma grande importância para os pilotos da Fórmula 1? Claro que sim e em várias circunstâncias. Bastará fazer essa pergunta a qualquer piloto que já tenha ficado sem gasolina antes de chegar à via das “boxes”, para reabastecer…

Curiosidades

Ao reabastecer, a gasolina entra para o depósito à razão de 12litros por segundo.

Transferência de tecnologia: A FIA prescreve que a gasolina da F1 deve poder ser autorizada a ser vendida em bomba. Isso garante a transferência de tecnologia da F1 para os carros de estrada.

Teste: a gasolina usada pelas equipas deve ser idêntica à de uma amostra enviada à FIA para aprovação. Durante os fins-de-semana de corridas, o Delegado Técnico da FIA recolhe amostras ao acaso.

Volume do depósito: o volume exacto é um segredo bem guardado, mas terá capacidade para 120 a 150 litros.

Consumo: em média, um carro da F1 consome aproximadamente 70 litros aos 100 quilómetros – o que resulta em cerca de 0,078 litros por cavalo de potência. Comparando com um carro de estrada que gaste uma média de 7 litros aos 100, o monolugar da F1 tem um desempenho muito mais eficiente.

Composição: é permitido o uso dos chamados aditivos até ao máximo de um por cento. Estes evitam os processos de oxidação e os distúrbios provocados por resíduos durante a combustão, assegurando uma maior eficiência

Sem chumbo 98
A gasolina da Fórmula 1 é quase idêntica à gasolina sem chumbo 98 (ou quatro estrelas) disponível nas bombas. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) tem regras severas: desde 1995 que a gasolina deve respeitar todos os regulamentos de segurança e saúde da União Europeia. Todavia, os fornecedores de gasolina adaptam-na a cada motor, individualmente, dentro do que é permitido pelos regulamentos.