Hélder de Sousa analisou desta forma o que era o Brabham BT46B – e como o viu, nas boxes de Anderstorp, ‘onde estava [também] um BT46 ‘normal’, mas que de pouco serviu, pois todas as atenções da equipa estavam viradas para os ‘aspiradores’’: “Aqui [nas boxes da Brabham] sim, a grande novidade. Os dois BT46 [B] para Lauda e Watson vinham com uma grande ventoinha colocada atrás, sob o ‘aileron’ e as saias fechavam toda a parte debaixo do carro tanto de lado como atrás. A configuração da traseira dos BT46 [B] assim equipados faz lembrar a dos carros com motores de turbina.” Por exemplo, dizemos nós, o Chaparral 2J, de Jim Hall, que correu nos ‘States’ durante a década de 60. Mas não era só a parte traseira do BT46 B que era diferente: ‘O nariz também tinha um desenho mais afilado.”
Até aqui, tudo bem – o pior foi depois da corrida, que foi ganha por Niki Lauda, num domínio que John Watson não conseguiu acompanhar, desistindo com o motor parado após um pião, pela 20ª volta quando seguia em 4º lugar. A Lotus e a McLaren protestaram o BT46 ‘aspirador’, protesto esse ‘que não foi aceite pela Comissão Desportiva Internacional’ [CSI] que, no entanto, ‘se comprometeu a abrir um inquérito’ sobre o assunto. ‘Não satisfeitos com essa decisão, [Colin] Chaman e [Teddy] Mayer apelaram. O resultado acabou por ser a proibição do BT46 B, embora não tenham sido retirados os resultados do GP da Suécia que foram homologados. O BT46 B nunca mais voltou a participar num GP de F1.
Bernie Ecclestone, na ocasião e como acabaria por fazer sempre a longos dos anos seguintes defendeu com unhas e dentes esta sua nova ‘dama’, insistindo que o BT46 B não era um carro-aspirador, mas sim ‘um carro-ventoinha’, pois a ventoinha servia apenas e só para evitar problemas de aquecimento do motor. Aliás, fato corroborado, de forma muito diplomática por Lauda, quando, no final da corridas foi inquirido pelos jornalistas sobre ‘a função da enorme ventoinha montada na traseira do seu Brabham: “o sistema provou ser muito eficaz, pois nunca tive problemas de aquecimento do motor.” E [foi] é aqui que as coisas começam [começaram] – a ventoinha é de fato somente para sugar o ar dos radiadores, aumentando assim a capacidade de refrigeração do motor, ou serve, primordialmente, par ‘chupar’ o ar existente debaixo do carro, aumentando o chamado efeito de solo e, consequentemente, a aderência do carro ao chão?’
Para o AutoSport, que lembrou precisamente o Chaparral de Jim Hall, ’aquilo é mesmo para criar uma espécie de vácuo entre o carro e o solo, já que os flancos [do Brabham] se prolongam por meio de ‘saias’ até ao solo, contribuindo para o aumento da aderência.’
E aquilo que o AutoSport chamou de ‘início de uma nova era’ na F1 ficou mesmo por ali, no GP da Suécia. A CSI, ‘com os meios técnicos apropriados e garantias técnicas’ mandou então ‘abrir um inquérito’, para confirmação das suas verdadeiras caraterísticas, efeitos e funções.’ E o resultado foi inequívoco: a ‘nova era’ da F1













Era um conceito tirado da Can Am ( mais um), do Chaparral que não funcionou lá muito bem (o Stewart guiou-o e não conseguiu ganhar,etc),porque os adversários queixavam-se de projecções de pedras e outro material a quem vinha atrás por via do efeito aspirador. E foi esse mesmo argumento junto com as pressões lobbysticas tipicas, que levou a FIA a ilegalizar o Brabham. Pelo menos durou uma corrida que ganhou. Claro que esse carro tornaria os outros wing cars obsoletos…ou levaria a que todos optassem por essa mesma solução. É assim o aspirador foi posto na gaveta para sempre.
Não sei se os wingcars ficariam obsoletos, a pista de Anderstorp era muito peculiar (nem as boxes eram na recta da meta), praticamente plana o que poderia favorecer o Brabham. Não houve espaço para comparações com outras pistas. Os wingcars ainda estavam no início, teria sido interessante ver as duas opções evoluírem, se bem que se os wingcars foram banidos quando começaram a fazer alguns voos, também o “aspirador” seria banido se uma daquelas pás se partisse e atingisse o piloto de trás, esse foi o grande argumento na época, e lembremos que a morte do Pryce ainda estava bem… Ler mais »