/formula1/f1/ayrton-senna-25-anos-o-acidente-fatal/

» Textos: Hélio Rodrigues, In Memoriam

 

Ayrton Senna, 27 anos: O acidente fatal


Ainda hoje, lembro todos os pormenores da morte de Ayrton Senna. Na véspera, tinha acabado de almoçar quando o locutor da RFM anunciou, no noticiário das 15h00, o acidente e a morte de Roland Ratzenberger – percebi mal o nome e fiquei a pensar que era o Gerhard Berger.

Nesse domingo 1 de Maio de 1994, estava de plantão no Circuito do Estoril, onde havia uma jornada do nosso calendário de provas de velocidade. Nessa altura, todo o comum mortal tinha acesso às transmissões dos Grande Prémios e, portanto, toda a gente na sala de Imprensa
estava atenta ao que se estava a passar em Imola.

O Pedro Lamy tinha atingido em cheio o JJ Lehto, que estava a regressar de uma paragem por causa de uma vértebra magoada num acidente nos testes de pré temporada e a pista tinha ficado cheia de destroços. Minutos mais tarde, o Safety Car entrou nas boxes e o pelotão apareceu em Tamburello; foi então que a imagem fez zoom para um acidente violentíssimo, com um carro a desfazer-se contra o muro da curva, onde todos sabíamos que se passava a mais de 260 km/h. Eu apenas disse: “Aquele já foi!” Pouco depois, ficámos a saber que era o Ayrton.

O resto desse domingo foi de ansiedade e, quando entrei na redação, na ‘Ruben A.’, percebi o negrume da noite: Ayrton tinha morrido! Foi das edições mais tristes do Volante que fiz e aquela que mais me custou a editar. Dias depois, fui em romaria à Embaixada do Brasil, ali para os lados de Sete Rios, para assinar o Livro de Condolências. A fila era impressionante; havia lágrimas, choros convulsivos, flores, postais, pessoas
em silêncio com a mão pousada no livro. Juntei-me à fila e, quando chegou a minha vez, escrevi: “Desta vez, Deus foi mais rápido que tu. Descansa em Paz, Ayrton.” Nunca mais vou esquecer – e, também, a malvada e estridente buzina da Skoda Favorit, que passou o tempo aos gritos, na rua, porque existia um problema com o alarme, que estava constantemente a disparar!

Hélio Rodrigues, In Memoriam