F1: O fim do MGU-H é lamentado pelos construtores

Por a 16 Maio 2018 19:56

Uma das novidades introduzidas em 2014 nos motores turbo-híbridos foi um sistema de recuperação de energia apelidado de MGU-H.  O componente revolucionário desta nova unidade motriz permite recuperar energia vinda  do turbo, para recarregar baterias e em situação de baixa rotação activar o turbo de forma a evitar-se o famoso “lag” dos motores turbinados.

A ideia só por si é genial, mas a sua aplicação tem sido uma constante dor de cabeça, levando a um investimento avultado por parte dos construtores para tirarem o máximo proveito do conceito. Como é um dos componentes que mais encarece a unidade motriz, os planos dos responsáveis da F1, juntamente com a FIA, é de remove-lo nos novos motores para 2021,  o que é claramente um retrocesso ao nível tecnológico, salientado por todos os responsáveis pelas marcas fabricantes de motores.

“Vamos sentir falta do MGU-H”, disse Toyoharu Tanabe, diretor técnico da Honda F1. “Ainda não decidimos tudo para 2021, , mas achamos que iremos perder o MGU-H, um peça de engenharia fantástica  e relevante para o carro de produção . Gostaríamos de manter essa tecnologia.”

Andy Cowell concordou com a afirmação do japonês e foi mais longe na explicação:

“Existem apenas quatro empresas de tecnologia que fizeram funcionar o MGU-H,. Ele contribui com 5% da eficiência térmica da unidade motriz e para compensar essa a diferença de energia que teremos para aumentar a taxa de fluxo de combustível, o que eu acho que é um passo para trás. Não é progresso, e, na minha opinião o MGHU- H deve ficar.”

A mesma opinião é transversal a todos, com Mattia Binotto  da Ferrari e Remi Taffin da Renault a expressarem o mesmo lamento pela remoção de um componente que tem tanto de complexo como de interessante, com o responsável francês a mostrar duvidas de que a medida irá tornar as performances mais equilibradas.

O MGU-H é a parte mais inovadora destas novas unidades motrizes da F1. Graças a eles, as equipas conseguem recuperar uma quantidade considerável de energia, conseguem evitar o lag do turbo, e aumentam a eficiência dos motores. Mas infelizmente além do custo e da complexidade, o MGU-H é responsável pelo som abafado que tanto entristece os fãs de F1. O Grande Circo chegou ao ponto onde tem de novamente avaliar as suas prioridades e neste caso a relação entre entretenimento e tecnologia. Claramente que nesta fase a tecnologia está a ganhar, mas aos poucos o entretenimento está a regressar e a ganhar qualidade. Os motores não são o maior problema da F1 actual (a aerodinâmica sim deve ser claramente revista) e remover o MGU-H é um passo atrás. Poderá atrair mais  construtores  mas a F1 perde um sistema que será falado (e provavelmente admirado) durante muitos anos. Ao menos as marcas terão agora dados para aplicar essa tecnologia aos carros de estrada, que é o que todos queremos. Um motor com uma eficiência de 50% seria um sonho para a maioria dos consumidores. A F1 terá cumprido o seu papel ao apresentar uma nova solução capaz de melhorar a industria automóvel. Só é pena não continuar com esse papel, com este componente.

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    12 Comentários em "F1: O fim do MGU-H é lamentado pelos construtores"

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    ramedlaV
    Membro

    Ainda bem, todos usam esse boost extra para se defenderem em recta, o que desvirtua a coisa. Bem sei que estes sistemas são importantes para os carros de produção. mas a F1 está a se tornar num laboratório para os carros de produçao. Defendo já á algum tempo que a F1 deveria ser um desporto de garagistas, não de construtores, desde a entrada em força dos construtores na F1 o desporto só tem piorado.

    frenando_afondo
    Membro
    Então, eles usam o DRS para atacarem nas rectas, o que desvirtua a coisa. E também podem usar o boost para atacar, logo não vejo como desvirtua tanto assim. Desvirtua bem mais o DRS, que só o tem quem vai atrás. De resto, se a F1 não ajuda o desenvolvimento das tecnologias para os carros de produção, para que serve a F1? Para além de gerar milhões de euros em receitas e divertir o público? E os garagistas sem motores não vão a lado nenhum, visto que não desenvolvem os seu próprio propulsor. Eu sou totalmente a favor que a… Ler mais »
    ramedlaV
    Membro

    Se queres uma F1 electrica apoia, esta continuação. Eu por outro lado quando os carros forem quase todos electricos e não falta muito, gostaria de ter um desporto onde pudesse matar saudades de um bom som.

    sr-dr-hhister
    Membro

    Quanto ao DRS concordo.
    Quanto ao desenvolvimento de tecnologias acho uma treta do caraças! Eu não acredito em evolução, acredito na aparência da mesma. A F1 existe para me divertir, ponto final.

    chic-anal-ysis
    Membro

    Eu, para me divertir, venho aqui ler comentários destes.

    frenando_afondo
    Membro

    No momento em que a F1 deixar de inovar, se é para andarem às voltinhas só para queimar dinheiro, bem podem fechar as portas.

    sr-dr-hhister
    Membro

    Estava-me a referir ao que foi dito; evolução para aplicação no mercado auto. Isso é uma treta… o mercado auto que evolua sozinho. Não defendi que a F1 deixasse de ser inovadora. Isso é uma falácia! Um absurdo do tamanho do talento da Cristina Caras Lindas! Retrate-se.

    frenando_afondo
    Membro

    Não.

    sr-dr-hhister
    Membro

    Então que caia para sempre a mancha da vergonha sobre si. (Soltem Bill Clinton.)

    frenando_afondo
    Membro

    Mas isso já existe, é a fórmula clássicos ou lá como se chama.

    E concerteza que alguém vai fazer esse tipo de formato. Que eu até apoio. Apenas não apoio um desporto que gastam milhões não fazerem nada que seja útil para a indústria.

    frenando_afondo
    Membro

    *Põe a armadura do Ironman* Estou preparado.

    Alfista
    Membro
    Defendo estes primeiros post mas não concordo com nenhum a 100%. A começar a F1 foi apenas para mostrar o que as marcas conseguiam fazer em termos de velocidade( tal como todos os desportos motorizados) , depois evoluiu e veio aliar a rapidez e posteriormente a segurança e a tecnologia . actualmente o expoente máximo são as elevadas prestações , seguranca, rendimento e poluição . Logo São o pináculo e laboratório automovel ( tal como o wrc e o moto GP). Também não me agrada o som ( até porque como autmobilista e volta e meia piloto) , mas tenho… Ler mais »
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