W Series: Opiniões divididas…

Por a 11 Outubro 2018 14:06

As primeiras opiniões sobre a recém formada W Series, competição destinada exclusivamente a mulheres estão longe da unanimidade. A competição que tem o apoio de David Coulthard, Adrian Newey e Dave Ryan, nomes bem conhecidos da F1 e com muito peso, tem como objectivo abrir uma porta para as mulheres que queriam competir ao mais alto nível.

Num desporto considerado sexista em que a grande maioria dos intervenientes são homens, a entrada de mulheres tem sido um tema cada vez mais falado, nem sempre da melhor forma.  Sempre foi um tema controverso  e que foi sendo encostado, embora houvesse uma clara necessidade de pelo menos reunir os principais intervenientes e discutir o assunto.

A criação da W Series tem um objectivo claro e meritório… dar às mulheres uma oportunidade de se mostrarem ao mundo. Mas ao mesmo tempo cria-se uma competição só de mulheres o que no fundo, é também uma atitude sexista.

Pippa Mann, que correu na  na World Series by Renault, na Indy Lights e participou na Indy 500 mostrou nas redes sociais o seu descontentamento afirmando que era “um dia triste para o desporto motorizado. “Aqueles com financiamento para ajudar pilotos do sexo feminino escolheram segregá-las em vez de as apoiar. Estou profundamente desapontada por ver um histórico passo atrás.”

Sophia Floersch, piloto na Formula 3 europeia disse que concordava com os argumentos apresentados mas que discordava da solução encontrada : “As mulheres precisam de apoio a longo prazo e parceiros de confiança. Eu quero competir com os melhores do nosso desporto. “

Abbie Eaton, piloto responsável por fazer as voltas rápidas no programa The Grand Tour afirmou o seguinte:

“Ganhei e estive no pódio em todas as séries em que participei. O que me impede de alcançar o topo? Não é a minha capacidade. É falta de dinheiro. Para quê gastar dinheiro numa segregação? Invistam nas pilotos já bem-sucedidas que precisam do dinheiro. ”

Já Jamie Chadwick, que compete na F3 britânica mostrou-se a favor da nova competição:

“A W Series vai dar  aos pilotos do sexo feminino outra plataforma para competir. Não é nenhum segredo que o automobilismo é uma indústria extremamente difícil, muitas vezes ditada por factores financeiros. Como um campeonato financiado, a W Series não só oferece uma oportunidade fantástica para os melhores talentos femininos competirem, mas também encorajará muitas mulheres jovens a entrar no desporto. Eu sou piloto de corridas e, se pudesse, correria 365 dias do ano. Eu ainda vou correr contra homens em outros campeonatos, mas a W Series é o complemento perfeito para me ajudar a desenvolver e progredir ainda mais nas categorias juniores do automobilismo. Estou animada com o que está para vir!”

Alice Powell, piloto britânica também concorda com a criação deste campeonato:

“Totalmente financiado, os mesmos carros… Uma óptima oportunidade para as mulheres tentarem dar o salto.”

De lembrar que o campeonato decorrerá nas melhores pistas da Europa, já com olho na expansão para a América e a Ásia. Os carros a serem usados serão os Tatuus T-318, usados na F3 Britânica, motor turbodiesel de quatro cilindros e 1.8 litros da Autotecnica Motori, usam caixas de seis velocidades sequenciais Sadev, equipadas com dispositivos de segurança HALO. Os prémios totais ascendem aos 1.3 milhões de euros, com perto deo 500 mil euros como prémio para a vencedora. As candidatas serão escolhidas pelo talento e não pelo dinheiro dos seus apoios. Ainda não é certo que esta competição contribuirá para a atribuição de pontos para a Super-Licença.

Será esta uma boa solução? Se por um lado dá um palco privilegiado para as mulheres poderem mostrar o seu talento, por outro fica logo no ar a sensação de que é preciso uma competição aparte para que as mulheres se possam evidenciar. O desporto motorizado é dos poucos que permite que homens e mulheres compitam ao mesmo nível, teoricamente com as mesmas hipóteses de vencerem.  Pelas opiniões que as pilotos mostraram, o grande problema está na falta de apoios. As pilotos com talento nem sempre chegam onde o seu potencial permitiria por falta de financiamento e apoios consistentes.  Um problema transversal a todo o desporto motorizado.

Mas o conceito da W Series é talvez a pedrada no charco que era necessária. É preciso lembrar que as candidatas terão treino especifico e acompanhado. É uma espécie de campo de treino com competição ao vivo para que possam dar um salto, com o nível de preparação adequado. Fica no ar a ideia que este é mais do que apenas um campeonato  mas sim uma espécie de programa para evolução, com a vantagem de ter um impacto mediático que poderá facilitar a aproximação de novos patrocinadores. Talvez seja este o primeiro passo necessário para que as mulheres possam estar mais presentes e que esta competição traga mais meninas para os karts com perspectivas de continuarem a evoluir. Talvez não seja este o passo inicial que todos gostariam, mas pode ser o início de uma pequena revolução que traga mais mulheres para o desporto motorizado.

A W Series divide opiniões

Visualizou de 4 artigos abertos

O AutoSport limitou a 4, o número de artigos
que poderá ler sem fazer login
Para continuar a ler livremente
os artigos AutoSport,
por favor faça login aqui
Caso não esteja ainda registado,
faça agora aqui o seu
registo gratuito
  • Não é possível alterar o nome de utilizador.

    3
    Deixe um comentário

    Please Login to comment
    3 Comment threads
    0 Thread replies
    3 Followers
     
    Most reacted comment
    Hottest comment thread
    3 Comment authors
    SpeedwayChic anal ysisMário AJP Recent comment authors
      Subscribe  
    Notify of
    mario
    Membro
    mario

    Não entendo a Jamie Chadwick, com o talento que tem é preferível continuar na F3 britânica por mais uma época e depois entrar na FIA F3. Entrar num campeonato destes, será muito prejudicial para o seu desenvolvimento. A Alice Powel até entendo, porque a carreira dela parou por falta de dinheiro para continuar a competir. A melhor solução seria a FIA subsidiar 4 lugares na F3, 2 lugares na F2 em equipas competitivas. E depois se conseguissem sobressair aí sim deviam ter os mesmos direitos à F1 que os outros.

    chic-anal-ysis
    Membro
    chic-anal-ysis

    O que é importante é que tenha um espelhinho no halo, para poderem retocar o baton.
    (estou só a brincar, não me linchem.)

    can-am
    Membro
    can-am

    O problema parece-me que será encintrar competidoras…em número suficiente !
    É que este desporto nunca interessou muito o sexo feminino.

    últimas Destaque Homepage
    últimas Autosport
    AutoSport https://www.autosport.pt/wp-content/themes/maxmag/images/motosport.png