Lembra-se de Jorge Pinhol: Um pioneiro esquecido


Jorge Pinhol é um nome que pode não dizer muito às gerações modernas. Mas, na verdade, por trás dele está um homem que foi um dos melhores pilotos portugueses do início da década de 70, com provas dadas em algumas das mais emblemáticas pistas europeias. A sua carreira acabou por ser consolidada ao volante de carros de Sport, mas o facto é que, entre 1969 e 1971, Pinhol assinou o pioneirismo lusitano nas corridas de monolugares, em Inglaterra, Piloto “oficial” da GRD, os seus resultados não foram, infelizmente, dos melhores, em pistas como Mallory Park ou Snetterton, mas quando se mudou de armas e bagagens para os protótipos, as coisas mudaram um pouco.

Até 1974, Jorge Pinhol conseguiu resultados bastante positivos, em especial com os Lola do Team BIP, com que participou no Mundial de Sport para carros até 2 litros, em 1973. Prisão e glória Fazendo equipa com Carlos Gaspar, Pinhol correu nos 1000 Km. de Monza (5º da classe, entre 32 concorrentes), 1000 Km. de Spa (desistiu a dez voltas do fim, quando era 5º da classe, que foi ganha pelo outro Lola T280/Cosworth 3.0 do Team BIP, pilotado por Carlos Santos e António Santos Mendonça), antes de protagonizar um episódio caricato no Nurburgring, ao ser preso após queixa de Klaus Fritzinger, cujo carro tinha destruído no ano anterior, numa prova no Estoril e que o acusava de dever 52 mil marcos, o valor estimado do Ford Capri RS! Apesar de todos os esforços diplomáticos, Pinhol ficou mesmo na prisão durante o fim-de-semana, apenas saindo em liberdade na terça-feira seguinte.

Esse acidente, de que saiu gravemente ferido, quase colocou um ponto final na sua carreira. Isso acabou por suceder em 1977, quando não conseguiu alugar um carro para participar na prova do Estoril pontuável para o Campeonato do Mundo de Sport. O carro escolhido era um Lola de Alain de Cadenet, mas os apoios financeiros necessários acabaram por falhar à última hora e, desiludido, Pinhol colocou mesmo um ponto final numa carreira onde os sucessos ombrearam com alguns azares incríveis. Jorge Pinhol foi ainda um dos pilotos “escolhidos” para o célebre projecto do Fórmula 1 português, idealizado em 1973 por Bravo Marinho e que as vicissitudes ligadas à “Revolução dos Cravos” levou ao prematuro abandono.