André Couto: À porta da Fórmula 1


Depois do triunfo no Grande Prémio de Macau de 2000, um ano depois da transferência de poderes do território que conserva o português como língua oficial, André Couto teve uma proposta da Prost Grand Prix para o mundial de Fórmula 1. Na altura, a gestão da carreira desportiva de Couto estava entregue à Stellar Management Group de Julian Jakoby, um velho amigo e conselheiro de Alain Prost, e que em 1999 o colocou a correr pela equipa francesa no Campeonato Internacional de Fórmula 3000.

A Prost Grand Prix requeria 5 milhões de dólares pelo volante e Couto tentou junto do Governo de Macau angariar os apoios necessários. A realidade era bem diferente da actual. E se no ano 2000 a “Las Vegas do Oriente” não tinha os cofres tão cheios como os tem hoje, também as sensibilidades eram outras, com o arrear da bandeira nacional portuguesa e a entrada em funções da primeira administração chinesa do território.

A resposta ao pedido de apoio foi negativa, o alemão Nick Heidfeld ficou com a vaga ao lado de Jean Alesi e as portas do “Grande Circo” fecharam-se para não mais se abrirem. “Na altura não houve interesse por parte do Governo de Macau. Faltou visão e perdeu-se uma grande oportunidade, pois seria algo único para Macau e que certamente daria um grande retorno”, relembra o piloto nascido em Lisboa que hoje já não olha para esse episódio com mágoa.

“Não vale a pena olhar para trás. A minha carreira continuou e muito bem depois no Japão”, assevera Couto que após um périplo europeu, onde chegou a competir nas World Series by Nissan e no Campeonato da Europa de Carros de Turismo (ETCC), se virou de malas e bagagens para o país do sol nascente, onde foi presença assídua durante treze anos consecutivos no Super GT, continuando ainda hoje a receber no paddock um carinho especial por parte dos devotos adeptos japoneses.

Aliás, foi quando testava em Motegi um monolugar da Nova Team da então Fórmula Nippon (agora Super Formula), no seguimento de um dos vários convites que recebeu após o triunfo nas ruas de Macau, em que foi abordado para realizar o teste naquele que é o carro que mais marcou o piloto: o Lola B2K/00 Ford da Champ Car. O teste em Sebring, com a Dale Coyne Racing, impressionou o piloto, “pelos 900 cavalos de potência e o motor turbo. Era um carro brutal e diferente de tudo o que conduzi numa época onde por lá corriam o Juan-Pablo Montoya e o Alessandro Zanardi.”

O teste nos EUA não deu em nada e em 2000 Couto continuou na equipa do clã Prost na Fórmula 3000 para uma época que acabou por ser de má memória, estreando-se a tempo-inteiro no Japão no ano seguinte com um G-Force GF03C Mugen do Nova Team. Isto, na única temporada em que Couto disputou ao mesmo tempo os dois maiores campeonatos nipónicos de automobilismo: a Fórmula Nippon e o Campeonato Japonês de GT (agora Super GT), aonde tripulou um exótico McLaren F1 GTR.