Primeira vitória em Xangai quebra jejum italiano de 20 anos
A vitória de Kimi Antonelli no Grande Prémio da China de 2026 colocou o jovem piloto da Mercedes na galeria restrita dos vencedores italianos de Fórmula 1, tornando‑se o 16º nome dessa lista ilustre.
Aos 19 anos, Antonelli tornou‑se também o segundo mais jovem vencedor de sempre na categoria rainha, um dia depois de ter inscrito o seu nome nos livros de recordes como o mais jovem ‘poleman’ da história. O triunfo em Xangai pôs fim a um jejum de duas décadas sem vitórias italianas, desde o sucesso de Giancarlo Fisichella na Malásia em 2006.
Mas a conquista de Antonelli “ aconselha a olhar para trás” e recordar os 15 italianos que antes dele chegaram ao topo de um pódio de F1, entre campeões do mundo, especialistas da chuva e vencedores de ocasião.

Dos campeões Farina e Ascari aos pioneiros da era Ferrari
O primeiro vencedor italiano – e primeiro vencedor da própria F1 – foi Giuseppe “Nino” Farina, que triunfou na corrida inaugural do campeonato, em Silverstone 1950, ao volante de um Alfa Romeo. Nesse mesmo ano somou mais dois triunfos e sagrou‑se o primeiro campeão do mundo, acumulando no total cinco vitórias antes de se retirar em 1955.
Entre os seus contemporâneos destacou‑se Luigi Fagioli, que, após vários segundos lugares em 1950, alcançou em 1951, em França, a sua única vitória na F1, tornando‑se aos 53 anos o mais velho vencedor de sempre na categoria, marca que ainda hoje se mantém. Mas nenhuma figura se impõe tanto na história italiana como Alberto Ascari, único bicampeão do país e piloto mais vitorioso de sempre entre os transalpinos: seis triunfos em 1952 e cinco em 1953 deram‑lhe dois títulos consecutivos pela Ferrari, sendo ainda hoje o único italiano campeão do mundo pela Scuderia.
Ao lado deste núcleo duro surgiram nomes como Piero Taruffi, vencedor do Grande Prémio da Suíça de 1952 aos 45 anos, e Luigi Musso, que partilhou com Juan Manuel Fangio o triunfo na Argentina em 1956, já ao serviço da Ferrari. Giancarlo Baghetti assinou um feito único ao vencer logo na estreia, em França 1961, permanecendo o único piloto a triunfar no seu primeiro Grande Prémio do Mundial.
Heróis trágicos, especialistas da chuva e homens de resistência
A década de 1960 trouxe figuras como Lorenzo Bandini, vencedor na Áustria em 1964 e mais tarde eternizado pelo Troféu Lorenzo Bandini, e Ludovico Scarfiotti, que venceu o Grande Prémio de Itália de 1966 em Monza, também pela Ferrari. Ambos perderam a vida em acidentes de competição, ajudando a consolidar uma aura trágica em torno de parte da geração italiana da época.
Nos anos 70, Vittorio Brambilla ficou na memória pelo triunfo épico – e caótico – no dilúvio da Áustria em 1975, onde cruzou a meta, celebrou… e bateu logo de seguida, escapando ileso. Já Riccardo Patrese tornou‑se o italiano com mais arrancadas na F1 (256), somando seis vitórias entre 1982 e 1992 e estabelecendo o recorde para o maior intervalo entre triunfos: mais de seis anos entre a segunda e a terceira vitória.
Elio de Angelis, vencedor na Áustria em 1982 e em Imola em 1985, e Michele Alboreto, que somou cinco triunfos – dois pela Tyrrell e três pela Ferrari – reforçaram a presença italiana no topo durante os anos 80. Alessandro Nannini herdou a vitória polémica de Suzuka 1989, após a desclassificação de Ayrton Senna, antes de um acidente de helicóptero terminar prematuramente a sua carreira na F1.
Fisichella e Trulli, os últimos antes de Antonelli
No virar do século, Giancarlo Fisichella e Jarno Trulli encerraram o ciclo de vencedores italianos antes da longa travessia até Antonelli. Fisichella triunfou pela primeira vez no caótico Grande Prémio do Brasil de 2003, numa vitória confirmada apenas após correção da classificação, e voltou a ganhar com a Renault em 2005 e 2006, esta última na Malásia – até agora, a derradeira vitória italiana.
Trulli, por seu lado, converteu em 2004 a pole em Mónaco – uma das quatro que obteve na carreira – numa vitória memorável nas ruas do principado, reforçando a reputação de grande especialista de qualificação. “É essa herança, feita de talentos diversos e trajetórias muitas vezes marcadas por altos e baixos, que Antonelli agora prolonga com a sua estreia triunfal em Xangai”.