Nos anos 80, o Mundial de Ralis vivia uma relação quase irracional entre pilotos e adeptos. As imagens de fãs à beira da estrada, a abrirem alas no último instante, tornaram‑se icónicas e hoje parecem incompreensíveis.
Ari Vatanen descreve bem esse espírito quando recorda que, “de algum modo, de uma forma louca, e temos de colocar isso no contexto daqueles tempos”, havia algo de fascinante naquela “demonstração de emoções”, de pessoas que “queriam literalmente tocar nos carros” porque os adoravam.
O finlandês reconhece que, “para eles próprios, o perigo era enorme”, mas sublinha que esse risco autoimposto nas bermas vinha de uma devoção absoluta aos ralis. Não era falta de consciência, era um código não escrito de proximidade extrema com a ação, típico de uma época em que a paixão, muitas vezes, passava claramente à frente da prudência.