Há precisamente duas décadas, em 2006, o AutoSport noticiava com fascínio o primeiro contacto de Valentino Rossi com a Fórmula 1, um momento que marcou na altura o mundo do desporto motorizado.
O então astro imbatível do MotoGP testou durante três dias no Circuito Ricardo Tormo, em Valência, ao volante de um Ferrari F2004 equipado com o motor V10 limitado. Foi a oportunidade de se comparar diretamente com os gigantes da F1, e apesar de alguns tropeços iniciais, saiu de Espanha com otimismo…
FOTOS WRI Racing Images
Arranque difícil, mas evolução notável
O dia inaugural não podia ter corrido pior: a pista encharcada impediu-o de rodar durante grande parte da sessão, e só nos derradeiros 30 minutos a Scuderia autorizou a sua entrada em pista. Ainda assim, o asfalto traidor levou-o a despistar-se logo na décima curva, sem sequer completar uma volta. Nos dias seguintes, porém, mostrou outra cara: apenas uma saída de pista na quarta-feira e cinco piões sem estragos na quinta, o último dia de ação.
À medida que acumulava quilómetros, os tempos de Valentino Rossi melhoravam, ganhando fluidez. Pilotava o mesmo Ferrari que Felipe Massa usara para ser seis décimos mais rápido que os rivais em Jerez, uma semana antes —, mas Rossi fechou a semana no 18º lugar, a 1,76 segundos do melhor registo de Fernando Alonso e mais de dois segundos do potencial real do F2004 com V10.
Futuro em aberto, com sinais promissores
Seria que esses números traçavam um destino limitado na F1 para Rossi? Longe disso, como sublinhava o texto original que recordamos. Andou no meio do pelotão com tempos razoáveis, longe de ser um desastre, mas ainda sem provar que estava pronto para o topo. Tudo permanecia em aberto: seriam precisas dezenas de milhares de quilómetros para decidir o rumo. O que já se podia descartar era a noção de impossibilidade absoluta — os seus tempos não eram ridículos, progredia a cada saída e, com paciência mútua entre Rossi e a Ferrari, um bom nível estaria ao alcance.
O calcanhar de Aquiles, por ora, residia nas travagens, mais um obstáculo mental do que técnico. Vindo das motos, onde travava aos 150 metros no final da reta de Valência com a Yamaha, custava-lhe aguardar pela placa dos 50 metros no Ferrari, perdendo décimos valiosos ao travar 40 metros antes dos especialistas da F1. Em curva, porém, a sua velocidade já rivalizava com a deles, um sinal deveras encorajador.
Palavras de Rossi que ecoam no tempo
Na altura, disse cheio de satisfação: “Por agora, regressamos às motos e aos testes com a Yamaha, pois há um campeonato para conquistar, e a Ferrari tem de se despachar porque o GP do Bahrein está à porta. Voltaremos a testar este ano, sem datas fixas, mas saio satisfeito: fiz progressos, observei o método dos outros pilotos, aprendi imenso. Agora sei que preciso de mais experiência para andar na frente, e como sou competitivo em tudo, só passo para as quatro rodas se puder vencer corridas.”
Revisitando este artigo de há 20 anos, percebemos como se captou a essência de um momento pivotal: nem euforia desmedida, nem desdém precipitado, mas uma análise equilibrada que antecipava a complexidade da transição.
É um bom tema para recordar agora, pois ilustra a ousadia de Rossi e ajuda-nos a compreender por que o ‘Il dottore’ optou por ficar nas motos, mais uns longos anos, deixando um «e se…» quase eterno no imaginário dos fãs do automobilismo.
A transição de Valentino Rossi, das duas para as quatro rodas só se deu em 2022, e foi um dos movimentos mais mediáticos do desporto motorizado moderno. Após a sua retirada oficial do MotoGP no final de 2021, Rossi não abandonou a competição, mas sim mudou-se para um cockpit.
Rossi focou a sua carreira no automobilismo de resistência (Endurance) e de velocidade (Sprint) para carros da categoria GT3. A Estreia foi em 2022, juntando-se à prestigiada equipa belga Team WRT, pilotando inicialmente um Audi R8 LMS GT3 no campeonato GT World Challenge Europe.
Como não podia deixar de ser, Rossi manteve o seu icónico número 46 na porta do carro, atraindo multidões de fãs de motas para as bancadas dos circuitos de automóveis.
Em 2023, a carreira de Rossi deu um salto qualitativo quando a sua equipa (WRT) mudou de fabricante e foi anunciado como piloto oficial de fábrica da BMW M, onde participou em campeonatos mundiais e em provas de prestígio como as 24 Horas de Spa e as 12 Horas de Bathurst.
O seu primeiro triunfo num campeonato de topo aconteceu em julho de 2023, em Misano (na sua Itália natal), vencendo uma corrida da GT World Challenge Europe Sprint Cup.
Um dos principais objetivos de Rossi ao mudar para os carros era correr as 24 Horas de Le Mans.
Em 2023, venceu uma corrida de suporte no circuito de La Sarthe e participou pela primeira vez na prova principal das 24 Horas de Le Mans na categoria LMGT3, demonstrando rapidez e consistência, chegando mesmo a liderar a sua classe durante a noite antes de um incidente da equipa.
Um ícone do desporto motorizado.
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