F1: Honda e Renault fundamentais

Por a 17 Fevereiro 2017 14:41
renault mclaren honda

Honda e Renault vão ter um papel muito importante no que vai ser a competitividade da F1 em 2017. Ao fornecerem motores a equipas com grande história na disciplina, podem ‘decidir’ muita coisa…

A Honda e a Renault vão ter um papel absolutamente decisivo no que pode ser boa parte da competitividade da Fórmula 1 em 2017. Com a mudança nas regras e depois de temporadas de perseguição à Mercedes, a entrada de 2017 vai mostrar se o trabalho de casa feito no inverno entre os japoneses e os franceses foi suficiente para que se esbatam muitas das diferenças que ainda existem no campo das unidades motrizes, e daí virá muito do interesse que a F1 terá em 2017.
Já todos sabem na perfeição que a Mercedes fez um trabalho muito acima dos restantes fornecedores de unidades motrizes, na mudança para a nova era híbrida da F1 em 2014. Desde aí para cá a equipa oficial da Mercedes venceu tudo o que havia para vencer, tem uma percentagem absolutamente incrível de triunfos face à concorrência, que a pouco e pouco tem vindo a esbater a diferença que os separa, algo que ainda está longe de ser suficiente. Existindo quatro fornecedores de ‘motores’ na F1, Mercedes, Ferrari, Renault e Honda, da Ferrari já sabemos que não tem sido tanto por aí que os problemas da equipa se agudizaram, embora os italianos também tenham ainda muito para trabalhar nesse campo. Os problemas em Maranello são bem mais graves neste momento mas esses ficam para tratar noutra altura. Para já centramos as atenções na Red Bull, fornecida pela Renault, que permitiu a renomeação das suas unidades motrizes Tag Heuer, e na McLaren-Honda, que depois de dois anos a correr de trás para a frente, não se sabe muito bem onde pode estar em 2017.

Red Bull confiante

Depois do que se viu em pista durante o ano de 2016, ficou a certeza que a Red Bull recuperou muito do que tinha perdido em 2014 e 2015 para a Mercedes. Ainda sem conseguir lutar com as mesmas armas que os Mercedes, percebeu-se claramente que os homens de Milton Keynes já atingiram um grau de competitividade que os coloca a espaços em condições de se baterem com os Mercedes. Faltou quase sempre “um bocadinho assim…” mas foi claro que estão mais perto do que nunca, e por isso a confiança de Christian Horner e ‘sus muchachos’ é grande para 2017, embora aqui falte um pormenor muito importante, a nova unidade motriz da Renault.

Depois de um ano de 2015 em que as relações entre a Renault e a Red Bull atingiram um ponto quase de não retorno, tantas e tão más foram as críticas feitas pela Red Bull aos franceses, chegou-se a um ponto em que quase foi preciso intervenção ‘divina’, leia-se Bernie Ecclestone para reaproximar as partes, que, lembre-se, conquistaram juntos todos os títulos entre 2010 e 2013, mas como o passado é isso mesmo, passado, quando se chegou a 2014 e se percebeu que a Renault tinha feito mal o trabalho de casa, começaram os problemas de uma equipa que não estava habituada a perder. Passaram três anos, e neste último, o crescimento da Red Bull e da Renault foi claro, mas agora vem aí 2017, e a Red Bull está completamente nas mãos da Renault, que chegou a um ponto em que percebeu que a sua unidade motriz de 2016 já não tinha quase nada por onde crescer e por isso, chegar à Mercedes só com um motor completamente novo e foi isso que fizeram.

Decidiram ainda em 2016 construir uma unidade motriz de raiz, utilizaram tudo o que já aprenderam desde o início de 2016 para cá, queimaram muitas etapas de evolução, mas os seus responsáveis já deixaram o aviso que vai ser necessário tempo até que a nova unidade motriz possa chegar ao ponto de evolução que os responsáveis da Renault entendem ser bom, e isso pode não ser suficiente para a Red Bull.
Cyril Abiteboul, Diretor Geral da Renault Sport F1 revelou que desenvolveram uma nova unidade motriz utilizando tecnologias nunca vistas até aqui e só isso faz logo franzir o sobrolho. Se resulta, é ótima, mas e se falha? Mas Abiteboul disse mais, e entre linhas ‘empurra’ para 2018 a Renault ter uma unidade motriz no topo das suas capacidades. Para a primeira fase de 2017 os franceses já deixaram o aviso que a fiabilidade vai ser o foco principal, e por isso o motor estará ainda longe do seu potencial máximo. Os engenheiros da Renault vão ter muito que explorar, tendo em conta tudo o que já aprenderam nestes três anos, e o que resta saber agora é se fizeram bem o trabalho de casa e, do ponto de vista dos adeptos o que isso vai significar na luta que todos querem dar à Mercedes. Será que os Red Bull vão ter condições, desde o início de 2017 de dar a luta que pretendem à Mercedes? Do lado do chassis, já se sabe que os homens de Milton Keynes estão quase sempre à vontade, pois apesar de, nem em todos os anos Adrian Newey ter estado ao seu melhor nível, sabe-se que o RB12 é um excelente carro que só não teve um motor à altura da Mercedes.
Segundo se sabe, o motor com que a Renault iniciará a temporada de 2017 estará ao nível do que terminou a temporada de 2016, e esse, sabe-se, não chega. A Red Bull precisa de mais potência, estando apenas prevista para Espanha a introdução de um motor mais evoluído: “Há grande entusiasmo com o nível de inovação que temos no novo motor, mas que só será válido a longo prazo”, diz Abiteboul.
Claro que é um risco mudar, mas os franceses sabem que a margem para a Mercedes ainda é substancial, e em Enstone e Viry-Chatillon sabe-se que só sendo agressivos poderão, de uma vez por todas, chegar à Mercedes, que como se pode calcular também não vai ficar parada: “Se queremos estar ao nível dos melhores entre 2018 e 2020 então não nos podemos dar ao luxo de atrasar desenvolvimento sendo cautelosos”, disse.
Basicamente o que Cyril Abiteboul está a dizer é que o novo motor da Renault tem um limite bem mais alto que o atual, mas sendo novo, não vão arriscar em por a ‘carne toda no assador’ logo de início, de modo a garantirem a fiabilidade do sistema. Assim que o conseguirem, então vão colocar a fasquia mais alta à medida que a época evolui. Só que isso pode impedir que a Red Bull tenha o motor que precisa para lutar metro a metro com a Mercedes. Contudo, há que esperar pelos números em pista dos novos carros no primeiro teste, pois só aí se irá ter uma ideia do que vale cada carro face aos restantes. E como se sabe, este é um caso que afeta desde logo três equipas, Red Bull, Renault e Toro Rosso.

Honda a melhorar

A McLaren-Honda é outro dos casos em que o arranque foi muito mau ao ponto da McLaren ter caído de terceira em 2012, para quinta em 2014 e…nona em 2015. Mau de mais para uma equipa com os pergaminhos da McLaren, e ainda pior se nos lembrarmos do sucesso que foi a primeira ligação McLaren-Honda nos anos 80. Depois de um ano de 2015 mau demais para ser verdade, o fabricante japonês conseguiu melhorar muito em 2016 e os seus responsáveis já dizem de peito cheio que há muito mais para vir em 2017.
O regresso da Honda à F1 em 2015 foi doloroso, a unidade motriz não tinha potência nem fiabilidade, não recolhia e fornecia energia de forma eficiente, Jenson Button chegou a dizer que nas retas era um alvo fácil, Fernando Alonso disse também que o carro parecia um GP2 e não um F1. Basicamente não vale mais a pena bater no ceguinho. ‘Aquilo’ não tinha ponta por onde pegar. Mas os dois lados da aliança foram dando o peito às balas, fizeram as mudanças que se exigiam, especialmente na Honda e o ano de 2016 já foi completamente diferente. Pode dizer-se que se o salto para 2017 for semelhante a equipa salta de imediato para os lugares logo atrás dos ‘três grandes’, mas como se sabe, é bem mais fácil subir três posições batendo a HAAS, Renault e Toro Rosso, do que as seguintes, Williams e Force India, isto para já não falar da Ferrari se não recuperar.
Depois de terem no final de 2015 identificado a causa de todos os males, em primeiro lugar trabalharam para ‘arrumar’ melhor a unidade motriz, depois o foco foi colocado na turbina do ERS. Yasuhisa Arai foi substituído por Yusuke Hasegawa, que já tinha experiência com a Honda na F1 através do projeto BAR, a comunicação entre os japoneses e os homens da McLaren também melhorou bastante e tudo isso se refletiu em pista. Contudo, até que esta parceria se torne novamente ganhadora vai continuar a existir grande pressão, a McLaren não fica também isenta de culpa em tudo o que se passou nos últimos dois anos, mas sendo certo que em 2016 a Honda continuou a ser o pior dos quatro fabricantes de unidades motrizes, a distância a que está agora nada tem a ver com 2015.

Portanto, agora resta aguardar pelos resultados do trabalho que está a ser feito pela Renault e pela Honda, sendo certo que dava imenso ‘jeito’ à competitividade da F1 que fosse possível que uma equipa como a McLaren pudesse andar perto da frente – sabemos que é pedir mais do que isso, para já – e que a Renault acertasse logo de início com a unidade motriz que está a desenvolver, porque como se percebe com a saída de Nico Rosberg, quem para lá for, provavelmente, Valtteri Bottas, precisa de tempo para dar o mesmo tipo de luta a Lewis Hamilton e o que menos precisamos da F1 2017 é um passeio no parque. As regras vão mudar, há aqui uma janela de oportunidade. Renault e Honda têm a palavra…

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