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François Cevert: Promessa para a posteridade, faria hoje 73 anos…



É sempre lamentável um piloto perder a vida, mas essa perda é mais sentida quando esse piloto era um talento promissor e não teve oportunidade de demonstrar todas as suas potencialidades. Também é uma pena quando se perde um piloto capaz de atrair as atenções da público geral, ainda mais numa época em que a Fórmula 1 era, como sempre, um desporto dos ricos e aristocratas, mas não dos famosos, pois o mediatismo da F1 na década de 70 não se comparava à popularidade do desporto nos dias de hoje. François Cevert era um piloto talentoso, que morreu nas vésperas da sua ‘coroação’ como herdeiro de Jackie Stewart, e era um piloto mediático, pois se a F1 atual não se cansa de exibir supermodelos e atores no seu paddock, o seu envolvimento romântico com Brigitte Bardot causou uma revolução nos bastidores da modalidade.

Albert François Cevert nasceu em 1944, numa Paris ainda sob jugo da Alemanha nazi. Uma altura perigosa para qualquer parisiense nascer, mas ainda mais quando o seu pai é um joalheiro judeu de nome Charles Goldenberg. Registado com o nome de solteira da sua mãe, Cevert e toda a sua família sobreviveram à II Guerra Mundial, e o jovem François cedo demonstrou uma aptidão para as artes, especialmente sentado ao ‘volante’… de um piano. Seria mais tarde que as teclas de marfim dariam lugar a um verdadeiro volante, embora numa primeira fase fosse apenas como ‘hobby’, que se tornou mais sério quando Cevert ganhou o Volante Shell em 1966.

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Uma vitória, uma lenda

Para os amantes das estatísticas, a carreira de François Cevert na Fórmula 1 foi pouco proveitosa, com uma única vitória no Grande Prémio dos EUA de 1971. No entanto, o seu inegável talento foi amplamente demonstrado quando, em 1968, Cevert venceu o Campeonato Francês de Fórmula 3 ao volante de um Tecno oficial. A equipa italiana promoveu-o à Fórmula 2 no ano seguinte, e foi aqui que o sorridente francês começou a atrair a atenção dos homens da disciplina máxima do desporto automóvel. Numa corrida de F2 disputada no Crystal Palace de Londres, o experiente Jackie Stewart teve problemas em ultrapassar Cevert, e imediatamente assumiu o seu papel de olheiro junto do seu patrão, Ken Tyrrell. O “tio” Ken, como era chamado, não perdeu tempo, e em 1970, após a saída de Johnny Servoz-Gavin, pôs o volante do novo chassis Tyrrell à disposição do gaulês.

Cevert rapidamente se adaptou à Fórmula 1 e ao rápido Tyrrell. Sob a tutela de Stewart e do seu “tio” Ken, o francês rapidamente aprendeu a retirar todas as potencialidades da máquina britânica, e com algumas performances mais expeditas, logo se tornou um ídolo da multidão. No Grande Prémio de Itália, Cevert tomou parte numa fulgurante batalha com Ronnie Peterson, com os dois pilotos a passarem-se mutuamente aproveitando o cone de ar um do outro. Este espectacular confonto acabou por ser prejudicial aos dois, mas a sorte esteve do lado de Cevert 28 dias mais tarde, em Watkins Glen, quando o francês conseguiu passar suster o ataque cerrado de Jacky Ickx durante 40 voltas para obter a sua primeira e, infelizmente, única vitória.

Depois de vencer algumas em outras categorias, pilotando um Matra no “Mundial” de Sport e um McLaren “batmobile” no Can-Am, Cevert tinha apenas uma missão em 1973: ajudar Jackie Stewart a conquistar o seu terceiro ceptro de Campeão do Mundo. Uma tarefa a que o combativo gaulês se entregou de alma e coração, intrometendo-se no caminho dos outros pilotos. No entanto, cedo ficou claro para Stewart que as fogosas prestações de François mostravam uma crescente superioridade do gaulês. Stewart, já com o título no bolso, iria anunciar a sua reforma após o Grande Prémio dos EUA de 1973, que Cevert deveria ganhar. Infelizmente, nos treinos, o piloto foi traído pela mesma pista que lhe dera o seu único triunfo. Contava 29 anos, e a Fórmula 1 perdeu o homem que teria sido o primeiro francês a ganhar o Campeonato do Mundo. A sua morte afectou profundamente a equipa Tyrrell, que nunca mais voltou aos seus tempos de glória.

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